Ai, como me dói!!

Liga não, fia.

Ano que vem tem tudo denovo.

Quem sabe você nem precise trabalhar tanto, e possa curtir mais.

Só porque sua escola de samba caiu,  porque o regime está deixando você faminta por uma picanha bem gordurosa e sangrando, porque amanhã é sua folga e vai chover??

Ah!! Bobagem, menina!!

Poderia ser pior. Pense comigo:

Hoje tem jogo decisivo pro Flamengo, e um apagão pra te deixar com calor é sempre uma boa hipótese para Murphy.

Depois tudo volta à alegria de sempre. E melhor, magra, do jeitinho que você quer.

Quantos quilos mesmo, você planeja perder? Ah!! Quinze!! Pense na saúde e na beleza, deixa a picanha pra lá… Morda sua maçã que a fome passa.

A dor de cotovelo pela escola passa rapidinho também. Palavra de honra.

CARNAVALIZAR!!

Samba, suor e cerveja…Tem alguma coisa melhor?? Ah! tem sim!! Curtir tudo isso ao lado de amigos queridos.

As minhas polvisses continuam, mas em ritmo de samba. Praia com as crianças, sexta de manhã. Logo após, a Cinelândia, lugar onde a mistura entre ricos, pobres, velhos e crianças entrega a graça que tem o carnaval carioca para mim. Eu nem sou muito de agito, mas acontece que a magia do carnaval realmente mexe comigo. Adoro ver as pessoas fantasiadas, esquecidas das mazelas da vida, brincando numa rua onde passamos o ano inteiro indo ou voltando do trabalho, da faculdade, das lutas. São quatro dias para esquecer de tudo.

No sábado de manhã, o que há de melhor para mim, em se tratando da folia de momo: o Cordão do Bola Preta. SEN-SA-CIO-NAL!!! É que tem aquela magia dos tempos de vovó menina, o povão todo lá. Quem mora em Niterói coimo eu pode curtir ir de barca, todo mundo fantasiado, de manhã bem cedo (é que o bloco concentra às oito da manhã).

Como já não sou a mesma dos carnavais anteriores, precisei parar com a folia para cumprir um plantão de 36 horas aqui no hospital. Faltam exatamente oito para a liberdade. E que será de mim? Sapucaí? Bloco de rua? Televisão na cama?? Oh! Céus!! Ainda não sei…

Aguardem o próximo capítulo!!

Foi ela, foi ela!!

Ontem fui fazer plantão praticamente sem dormir. Sim, tava com sono, mas em cima do salto, de vestidinho lindo, pernocas de fora (inaugurei esse ano a sem-vergonhice de ir pro hospital de vestidinho de verão, de short por baixo).

Observando a máxima do “relaxa e goza”, resolvi trabalhar com amor para que o tempo passasse rápido. Faz muito tempo que eu não era tão solícita e bacana com meus doentinhos. e fui operando milagres, desarmando as mais brabas das donas de casa, sempre com um sorriso maternal no rosto e vestida de paciência.

Volta pra casa: engarrafamento daqueles na ponte, e nada do sono aparecer. mesmo assim, sorrio. me sinto vitoriosa em tudo, apesar de tudo. Corajosa e confiante.

Do ponto do ônibus à minha casa, um quilômetro de caminhada. Eu, a lua cheia, e uma brisa deliciosa. Vou pensando como a vida é linda e perfeita,  na paz que sinto e transmito.E os problemas são questão de tempo para ser resolvidos. E que graça a vida teria sem problemas??

Foi quando me lembrei: a menstruação!! Sempre ela!! Transformando em sangue toda a mágoa, irritação e inadequação. O mundo volta a ser colorido até a próxima mudança hormonal…

saudade dói…

” Era uma vez, vejam vocês, um passarinho feio
Que não sabia o que era, nem de onde veio
Então vivia, vivia a sonhar em ser o que não era
Voando, voando com as asas, asas da quimera

Sonhava ser uma gaivota porque ela é linda e todo mundo nota
E naquela de pretensão queria ser um gavião
E quando estava feliz, feliz, ser a misteriosa perdiz
E vejam, então, que vergonha quando quis ser a sagrada cegonha”

(Lenda do Pegaso, Moraes Moreira)

Quem não conhece essa música, pode tratar de procurar no youtube ou afim. Não coloquei aqui o som ou o vídeo por estar escrevendo do hospital.

Mas… Quem nunca se sentiu como o passarinho feio? A mulherpolvo, muitas vezes, ao ver comportamentos tão diferentes dos dela  entre os amigos mais próximos, se pergunta se não está voando no céu errado.  Depois tudo passa, e percebo que sempre teremos algo em comum com o próximo, mas nunca teremos TUDO em comum.  

E janeiro vai se desenrolado… Saudade das filhas que chega a doer, e, a medida que a saudade aumenta, minha disposição para pegar no telefone e escutar aquelas vozes que mando calar o ano inteiro diminui. Me consolo fazendo uma contagem regressiva muito da safada, afinal, não tive ainda a coragem necessária de perguntar ao pai quando ele vai me devolver as jóias. Será que dia 31 de janeiro?? Só Deus sabe!!

Quem tá fazendo falta também é o carro. Nada de ficar pronto, e eu à pé… Sobre isso, tenho a dizer o seguinte: tenham cuidado com o que falam. Palavras materializam situações. Durante o mês de novembro eu e minha mãe pensávamos na conveniência de vender o carro e janeiro. tanto falei de passar janeiro à pé, que cá estou agora.

Não é estranho, depois de tantos mimimis, que eu tenha ficado doente. Sinusite, das brabas, mais uma gripe daquelas. Febre, dor, nada de praia, de sol ou de passeios de bicicleta. Tá passando, vai passar! E meu amado namorado cuida de mim. E me faz companhia, na medida certa. A solidão que experimento sem minhas filhas é estranha. Mesmo com telefone fixo e duas linhas de celular, não sinto vontade de ligar para ninguém. Nenhum programa me parece mais atraente que a TV na cama. Com namorado, sem namorado. O tempo vai passando e em breve as pestinhas estarão comigo novamente, e a vida voltará ao normal.

Vou contar para vocês o que acontece com o passarinho feio do início do post:

“Aí então Deus chegou e disse: Pegue as mágoas
Pegue as mágoas e apague-as, tenha o orgulho das águias
Deus disse ainda: é tudo azul, e o passarinho feio
Virou o cavalo voador, esse tal de Pégaso”

Não importa em que céu estamos voando… Desde que tenhamos a certeza de sermos únicos…

E viva a diversidade!!!

PS: escolhi a música do passarinho feio por ter cantado á exaustão para as minhas filhas, desde o tempo em que moraram na minha barriga até ficarem pesadas demais para serem ninadas. O resultado: elas sabem cantar a música todinha, de cabeça!!

ASSIM FAZ MAIS SENTIDO: EU E VOCÊ, JUNTINHOS!

Depois de um dia exaustivo, quente, com seus problemas e bençãos, chega a hora de preparar um jantarzinho caprichado, tomar um banho caprichado, e esperar por Ele. 

A gente come, e chega a tão sonhada hora do ócio absoluto em frente a Tv, com dois ventiladores em cima, a porta bem trancada.  Ervas finas e conversas amenas. O barulhinho da chuva que começa a cair e refrescar, o cheiro da terra molhada. O programa escolhido suga a nossa atenção, até que… Minha bunda esbarra na pele dele, sem querer.  E prosseguimos assistindo, minha cabeça sobre o peito dele, o coração batendo e meu ouvido ali, coladinho, tomando conhecimento de sua humanidade.

Pensando bem, esse documentário nem era tão interessante assim. E o cafuné vai tomando uma conotação mais erótica, a conversa vira um amontoado de sussuros sem sentido, e em poucos instantes os sussurros viram gritos abafados.

Meu amor, minha casa, meu dono.

ACIDENTE?

E lá ia eu, lépida e fagueira, dirigindo meu Celta, com as meninas no banco de trás, a mãe no carona e a mega- mala das crianças, rumo à rodoviária, para a prole curtir as férias com o pai, na Bahia. Num determinado momento do percurso, puxo meu celular, para esquematizar a minha primeira noite de orfã numa festinha. No momento em que o meu interlocutor atende…

BUMMMMMMM!!

Tomei uma batida por trás, eu parada no sinal vermelho. Minha cabeça foi com tudo naquele travisseirinho que tem, a da minha filha maior também bateu. Joguei o celular na bolsa e desci do carro. Chovia.

Olhei bem para a tampa do meu porta malas, toda amassada. Pensei bem no tamanho da mala que eu deveria tirar dali de dentro em poucos minutos. Refleti sobre a conveniência de chamar a polícia, afinal, ônibus para a Bahia custa caro, e tem hora para passar. A cabeça doía de verdade.

Olhei denovo para a tampa do porta malas. Sapateei de ódio. Sim, amigos! sabe quando a gente “tira as calças pela cabeça”? Então… Sapateei. Olhei para trás, para o carro e para o motorista sem vergonha que bateu em hora tão imprópria. ainda cega de raiva, bradei: “você me machucou, machucou a minha filha!!”

Um rapaz jovem e belo, meigo e tão trêmulo quanto eu. “perdão, moça, mil desculpas. Sou culpado e vou pagar, não se preocupe, tenho seguro.” Expliquei que tinha hora e que não poderia esperar a polícia. O sujeito era um gatinho lindo, e fui me acalmando conforme ele me entregava aquele cartãozinho do seguro. Dei a ele um cartão meu, peguei seus telefones e, torcendo para ele de fato pagar, fui levar a prole pra rodoviária.

Tudo isso aconteceu dia 17/12.

Ontem eu levei meu carro para a oficina de confiança do pai do sujeito.

Família simpática essa. Como a tal oficina é bastante longe da minha casa, o gatinho me conduziu até o meu lar. Cobicei.

Não tem mais que 25 anos, o sujeito. Estudante universitário, gatinho que só ele, simpático que só ele, o papo correu solto na hora e vinte de persurso até minha casa. Convidei-o para entrar, tomamos cafezinho, coisa e tal.

Combinamos praia para breve. Meu carro tá lá, pertinho da casa dele, e é o pai dele quem vai pagar o concerto. Cobiço esse menino.  Tão meigo…

Enquanto o conduzia de volta ao carro e esperava que dobrasse a esquina, me imaginei beijando aquela boquinha linda, rolando pelas areias de Caboinhas, mergulhando no mar de mãos dadas.

 Ê garota dada…

E COMO JÁ DIZIA JACK, O ESTRIPADOR…

Vamos por partes! Estou no hospital, dedinhos frenéticos para escrever, até dar uma tendinite na mão. Quem tiver paciência leia todas as partes. Quem não quer saber de drama, pule a primeira.

PARTE I: MIMIMI NATALINO-HOSPITALAR.

Voltei das férias bem no dia 24 de dezembro. Sim, sim. Bem na hora do feriado, eu voltei a cordar as quatro e meia da manhã, como todos já sabem.  Quando eu cheguei aqui, avisaram que tinha um “papel” para mim. Pensei com meus botões ” uma folha de pagamento suplementar, depositando uns três mil reais na conta salário… Ou talvez um aviso de que as férias poderiam ser prorrogadas por mais 45 dias, se assim eu desejasse…. Ou, quem sabe, o direito divino de mandar todo o mundo tomar lá no centro social do orifício…”

Mas não, amigos. Era uma queixa de uma paciente, formalizada pela ouvidoria do hospital, com o título de “tomar providências cabíveis”, carimbado pela minha chefe e coisa e tal. Abri o memorando. A queixa, escrita a caneta com uma letra sofrível. A primeira frase: ” a funcionária Christine me tratou com inginorança…” caraca!! Que presente de natal… O pior é que eu me lembro bem da sujeita, na verdade foi mais um mal entendido que uma inginorança em si. Tá bem, eu gritei com ela, mas isso foi depois que ela acabou com todos os meus neurônios calmos e pacientes. Mas na verdade, a recepção tava lotada e barulhenta e a senhora, sofrida e cheia de auto-piedade, não queria escutar, só repetir que “estou com hemorragia, estou passando muito mal, vou morrer”. Bem, mas o que interessa é que eu precisava responder à queixa, me defendendo por escrito. Fiquei muito chateada, e levei do dia 24 até hoje para responder à queixa.

Na resposta, relatei tudo o que aconteceu, dando ênfase à barulheira que estava no local e o nervosismo da senhora. Terminei meu texto reiterando meu compromisso com a humanização do SUS e com o respeito ao doente. Pelo menos a defesa pode ser apresentada por escrito, o que me deu muita vantagem. Mas doeu, gente. Porque eu faço mais que o impossível para ser bacana e solícita com o pessoal que vem até aqui.

Prontoacabou.

PARTE II: OS DESEJOS PARA 2010

Para minha vidinha nada pacata, eu desejo um par. Um par romãntico, sabe?! E desejo sim, que ele seja não só um homem como também seja romântico e dance comigo sob a luz da lua, no meu quintal (acho isso lindo, de verdade, e ainda não vivi). Como passei 70%deste plantão lendo a Superinteressante (denovo) e aprendi como a nossa natureza animal faz para que nos apaixonemos, vou descrever aqui o que eu quero:

Um cara de proporções simétricas (é o que consideramos belo), de maxilar bem definido (denuncia bastante testoterona) com aquele corpitcho de ombros largos e sem barriga (sinal de que é resistente à bactérias e vírus) e com o sistema imunológico complementar ao meu (para garantir filhotes mais resistentes às doenças). Biologicamente falando, este é o meu par ideal. Só falta agora descobrir o telefone e o nome dele.

Outra coisa: desejo tomar vergonha e parar de sentir vergonha de estar engordando, ou então, tomar vergonha e entrar num esquema de alimentação mais saudável. Ou corremos o risco de esse blog mudar de nome: ” A frenética saga da mulherbaleia”. Feinho. Prefiro ser a deliciosa polvinha de sempre. Cheia de ômega 3 e 6.

PARTE III: E PARA VOCÊS, EU DESEJO…

Que vocês todos tenham muita energia, garra e criatividade para enfrentar o ano que se inicia. E um bom aparelho de ar condicionado, pois esse será um verão dos mais quentes. (Superinteressante, denovo)

Cabeça no lugar na hora de ganhar e gastar dinheiro. Não façam como eu, que, por adorar gastar, sai fazendo uns trabalhos meio que sofridos. (Promessa de ano-novo: não vou me render aos apelos do qualquer trabalho é melhor que nenhum trabalho). Lembrem de fazer mais o que gostam e de gostar mais do que é inevitável, pois passar o ano repetindo o mantra “odeio meu emprego” não tá com nada.  Portanto, juízo.

Desejo de coração que todos vocês possam respirar fundo (não os paulistanos), deixando que o ar nutra também seus corpos. Que os olhos estejam bem abertos para exergar as belezas da vida, da natureza, e de si próprios. E deixem os olhos bem abertos também para enxergar as maravilhosas possibilidades de trabalho, de caridade, de amor que a vida nos apresenta a cada dia. Não gritem com a senhorinha nervosa, ok? Nem gritem com a mãe, ou batam nos filhos. O amor e o sorriso são as armas mais poderosas do mundo… Além do diálogo franco, num momento sem interferências e raivas.

E por último, desejo que vocês, e também eu, não nos esqueçamos, de jeito nenhum, de que somos poeira estelar (ai, lá vem ela denovo!!), fomos feitos do mesmo material das estrelas, portanto, nascemos para brilhar!!!

Brilhemos todos nós, em 2010 e por todos os séculos!!!

(nossa, esse mimimi inicial deu espaço para a “guru” que mora em um recôndito de mim…)