VITÓRIA!!

Semana passada eu disse pra vocês que a minha vida ia mudar, quem se lembra??

Então.

Já tá acontecendo.

Trabalho das fadas, anjos e gnomos?? Pode ser, por um lado, mas por outro,tenham a certeza que é filhote de muito esforço por minha parte. Não se recomenda o trabalho de quem não trabalha direito.

Um trabalho freelancer num bufe muito especial, uma pessoa maravilhosa na arte de juntar almas afins… Facil e tranquilamente, nunca uma entrevista para conseguir trabalho foi tão parecida com uma conversa de comadres. Freelancer em termos salariais, pois em todos os eventos estarei presente, esta maquininha de cozinhar que vocês chamam de Mulherpolvo.

Sim, sim, eu mereço!!

E meus ambiciosos projetos pessoais podem ter um descanso agora.

Eu já não tenho mais o topete de lutar contra os movimentos da vida. O que importa é não parar de trabalhar com o que gosto.

Estou de TPM, mas to feliz.

Uma preguiça enorme de fazer meu suco, preciso falar. desejo intensamente uma empregada daquelas de novela, que leva café na cama junto com palavras de ânimo. Elevo duas preces aos céus: uma pela empregada, outra pela capacidade de cuidar de mim sozinha…

E sigo rebolante e vitoriosa, como num comercial de absorventes.

DOMINGO

Trabalhar domingo é como qualquer coisa na vida: tem seu lado bom e tem seu lado ruim.

O lado bom já passou: interagir com os pacientes e seus familiares, essas coisas. É atender o telefone com um sorriso nos lábios e voz confiante, como em todos os outros dias.

Ruim é ter que ir embora, descendo a Almirante Teffé até a Rodrigues Alves caminhando sozinha, num dia em que o centro da cidade está mais que deserto e sombrio. Com o fim do horário de verão,  faço o percurso no escuro, e me sinto muito só.

Faço muita força para pensar na mãe e nas meninas me esperando em casa, mas o cenário imundo e triste me faz pensar que não existe ninguém à minha espera, assim como se não houvesse nesse mundo de sarjetas alguém que se importe comigo.

Creio que os plantões de domingo liguem a minha lua em câncer.  Me sinto carente e solitária nestas horas.

Para terminar, um pequeno poema, que falarei ao atravessar essa sucessão de ruas vazias e ônibus até a minha casa, onde três corações que batem com o meu me aguardam:

” Ninguém me ama, ninguém me quer

Ninguém me chama de Baudelaire”

Amanhã é segunda, vai ter sol, praia e o soninho da tarde. Estarei feliz novamente.

AMARELO

Toda a umidade de dezembro faz o céu ficar nublado. sabemos que o sol está lá, por trás de todo aquele branco. Mas os dezembros aqui de Piratininga trazem uma coisa extremamente linda, que é um entardecer amarelo, como se o sol fizesse muita força para me lembrar que ele está lá sim, e as nuvens no céu ficam parecendo de baunilha, porém bem forte, muito mais que em “Vanilla Sky”.

Sinto como se houvesse papel celofane amarelo em frente aos meus olhos.

E algumas bosboletas no estômago também… Passeio de bicicleta ouvindo jazz.  Nina Simone, céus negros, céus amarelos. Vontade de amar!!!

Que saudade de bater meus dedinhos neste teclado, escrever tudo o que vai na alma… Em momentos como esse percebo como me faz falta o hospital com todos os seus estresses: é lá que me concentro no mundo virtual, no meu blog e nos blogs que acompanho. Não ir lá é a mesma coisa que não ter sossego para ler ou escrever.

Falando em sossego, este parece estar de mau comigo. Como a Lu já adivinhou, não parei um só instante nessas benditas férias. Com o tempo chuvoso (basta eu estar de férias, todo ano é assim), eu poderia ter passado a semana inteira na cama, mas não, arranjei um trabalho temporário que me deixou exausta, de mau humor, levantou reflexões importantes acerca do quanto eu preciso me esculhambar por trezentos reais, que, ao chegarem em minhas mãos foram devidamente torrados sem dó nem piedade com lazer.

Eu gosto de trabalhar. Mas percebo que não pode e nem deve ser qualquer trabalho, e que, para valer à pena, tudo precisa ser feito com prazer, carinho, tesão.

Angústias de verão: as minhas filhas embarcam para a Bahia dia 17/12, e dessa vez eu precisarei arrumar as malas. Seis anos passando por isso sem me acostumar. Morro de ciúmes e saudades, e demora um pouco para sentir prazer de estar sem esta responsabilidade, podendo viver despreocupada com a hora do almoço, do banho, dos passeios, da atenção. Mãe em férias!! Mas o sabor desta liberdade é bem amargo. A casa vazia, silenciosa. Dentes caem sem que eu os troque por moedas.

Pensar que qualquer dia desses as malas serão arrumadas por elas mesmas, e os detinos serão outros. Búzios, Cabo Frio, Sana: não importa o destino, mas a constatação de que não serão menininhas para sempre, que muito em breve farão suas viagens pelo mundo afora, e tudo o que poderei fazer é abençoar.

YOU LIVE FOR THE FIGHT AND THAT’S ALL THAT YOU GOT!!!

Enquanto eu quase derretia na cozinha com aquele forno ligado, tocou meu telefone. Um convite para trabalhar numa feira, essa semana. Como a minha maratona de cozinha já teria acabado e eu to de férias no hospital, topei na hora. Mas antes da feira, as emoções do finde:

Sexta-feira:Méeeeeeeeeeeeeeeeee!!!

Comecei o dia ainda terminando as rosas de açúcar, e outros detalhes da festa de casamento da Afrodite. À tarde, partimos, Tchela e eu, para preparar o jantar. Para os convidados e anfitrião, um jantar completo. Para mim e Tchelita, apenas o aperitivo. O cardápio:

Antepastos: canapés de fígado de frango com nozes; canapés de berinjela; canapés de cebola gratinados

Entrada: salada de folhas com palmito fresco cozido em manteiga de ervas

Prato principal: Pernil de cordeiro com risoto milanês

Sobremesa: mousse de chocolate branco com calda de maracujá.

E foi isso. Tudo uma maravilha, no ponto. O anfitrião, que já comeu nos melhores restaurantes do mundo, amou a minha comida!! Me senti muito bem e nas nuvens, mas ainda havia mais duas etapas para pensar em sucesso.

Sábado: Livin’ on a prayer!!

Muito cansadas. Era assim que estávamos, desde o primeiro momento do dia. Mas uma dose dupla do poderoso “shake da Mulherpolvo” resolveu nosso problema. Eu estava de fato muito, muito nervosa. Aquele nervoso que nos faz falar baixo. Não existe palavra que explique o tamanho da aflição e do medo que senti. Mas fui. E fiz bonito, denovo. Tudo ficou maravilhoso e Afrodite amou tudo o que servi na festa dela. Mas o final de semana ainda não havia acabado…

Domingo: Rubra e negra!!

Um último bolo para entregar, mil coisas que deram errado. prometo em breve deixar aqui as fotos de tudo o que cozinhei no final de semana, mas hoje não dá. O fato é que este último bolo me deu um problema na pasta, e eu precisei improvirar para esconder este defeito. Foi uma grande superação, o sentimento de dor, e depois de vitória, mil coisas passando pela cabeça, até sair de casa com um bolo bonito, mas não lindo.

Não encontrei a noivana entrega, mas meu coração já me dizia que ela não ia gostar. Só quando cheguei á Niteroi que telefonei para ela, que disse que gostou “mais ou menos”. fazer o que, além de torcer pelo FLAMENGO e beber, beber… Com as melhores amigas ao lado, qualquer decepção fica menos triste, e no dia em que meu time se tornou HEXACAMPEÂO acabei reencontrando pessoas e situações que muito me alegram.

Hoje, quarta à noite, muito cansada por conta da feira. Vim escrever de fofoqueira que sou…

Reflexão da semana: agradar à todos é impossível, então, melhor nem tentar.

SUCESSO ESTURRICANTE!!!

Acordo antes de o despertador tocar, seis e pouca da manhã. Depois de uma respiração profunda, me lembro dos compromissos do dia. Rosas de açúcar!! O primeiro contato com um ser humano: minha mãe, lembrando que a minha filha mais velha precisa ir ao dentista, ou seja, eu preciso largar meus afazeres para levar a menina ao dentista. NÂAAAAAAAAAAO!!!

Não posso, não tenho condição de gastar nenhum minuto desta segunda feira. Tenho muitas rosas a fazer, além de precisar começar os recheios dos bolos, terminar a quantidade pornográfica de salgadinhos… Enfim!

Sete e trinta. finalmente poderei começar o trabalho. Só pra começar já é um troço. retirar mil coisas do lugar e instalar as caixas e maletas que guardam o material de confeitagem.

Pego uma pasta elástica novinha para usar. separo os cortadores. a pasta é molenga e vai demorar a pegar ponto.

Os dedos já estão todos melecados com a pasta molenga. Putaquepáriu!!! Ai, ai, não posso falar palavrão fazendo flor de açúcar!! Não posso falar nenhum dos palavrões do meu extenso repertório quando estou cozinhando ou confeitando, para não amaldiçoar a comida. Mas são oito da manhã, faz um calor digno do Inferno, minha mão tá toda melecada e eu preciso ver o trabalho andar.

Acendo um abajour com uma lâmpada de 100v ao meu lado, para que as flores sequem mais rapidamente. Mas essa joça esquenta, e muito. Subverto a ordem das confeiteras e ligo um ventilador em cima de mim. O lado bom é que a pasta elástica vai pegar ponto mais rápido. O ruim é que vai pasar do ponto mais rápido também.

Jogo um miojo no prato de cada filha, jurando que, na semana vem, as coisas vão melhorar para elas.

Duas da tarde: preciso assar pasteis de forno. e o que já era quente, fica… mais quente ainda!! Forno a 200 graus, lâmpada de 100v, calor de verão.

Enquanto lavo a louça, olho pela janela. Ê solzão!!! Um mergulho no mar agora, hein?! Que tal?!

A praia que espere. Derreto de calor realizando meus sonhos.

Tudo o que eu queria era sucesso profissional. Olha ele aí, me tirando da praia e colocando na cozinha, bem quente!

PS: o blog completou 20mil visitas e eu nem vi. Completou 500 comentários e eu também só vi depois. estou sem fazer a sombrancelha faz duas semanas, e as mãos estão piores que a do caseiro da minha casa. É o sucesso….

 

A VIDA VEM EM ONDAS? ENTÃO TOMA TSUNAMI!!!

E quem não sabe que na vida tudo é incerto?

E eu que estava triste, depois desapeguei da tristeza inútil fazendo uma bela duma noitada em plena terça feira pra retomar a rotina de trabalho, filhos e etc, ganhei um presente.

Estou preparando o roçamento para um bruch de casamento, vocês sabem. Num determinado momento, resolvi telefonar para uma amiga que poderia me dar algumas dicas, sobre coisas que eu ainda não sabia, para terminar o bendito orçamento.

Bem, o que aconteceu é que esta amiga me indicou para participar de um evento para cerimonialistas (produtores de festas de casamentos e afins). E não era tudo o que eu precisava? Conhecer as pessoas certas, no lugar certo, é, ainda por cima, conseguir uma vaga para um curso de cerimonialista? Começa em janeiro. E assim, vou continuando a tradição de estar fazendo mais um curso, em mais um janeiro. Incrível ou não?

Eu acho incrível!!

Teve hospital também. e teve Flamengo empatando na televisão enquanto eu reencontrava antigos amigos e alguns desafetos também, no bar onde assisti o jogo. Eu explico essa história de desafeto: a esposa de um grande amigo de infância, que também foi uma paixão. Ela não me suporta. Eu, sinceramente, não me importo nem com ela, nem com ele. O mundo dá voltas, tudo muda, todos mudam. A pessoa que ele é hoje, não tem nada a ver com a do passado. 

Mas mesmo assim ficamos todos juntos, num bar de música ao vivo, depois do jogo. E eu fui pro palco!! E cantei!! ” Mas tente compreender/ morando em São gonçalo vc sabe como é…”

Altíssimo astral.

E o evento, na terça, foi magnífico. Conheci pessoas que com certeza farão parte de minha (outra) vida profissional, enquanto outras, eu nem parecia estar conhecendo. Parecia estar reencontrando!! E teve deguistação de espumantes, comida e música de qualidade.

E apareceu mais um trabalho, mas isso foi na segunda. Um jantar. Sabem quando? Rá!

Na sexta, dia 04/12.  E o primeiro final de semana de dezembro será (espero) uma pequena amostra do que eu pretendo viver durante os finais de semana de 2010:

 jantar na sexta, casamento da Afrodite (buffet e bolo) no sábado, e bolo de noivado no domingo. Logo após a entrega do último bolo, o último jogo do flamengo no campeonato brasileiro e, logo após, o primeiro ensaio técnico da Viradouro na Marques de Sapucaí.

Sobreviverei para narrar essas emoções pra vocês, eu prometo!!!

Eu quero, eu posso, eu faço!!

 

 

 

 

 

Comer, pensar, trabalhar…

Eu parecia mais uma bolinha de pinball. Ô semaninha braba. Do bem e do mal, tudo ao mesmo tempo, como costuma ser tudo na minha vida. Na segunda, um plantão de salto alto, depois de meses trabalhando apenas de saltinhos baixos ou tênis. Entre um doente e outro, pesquisas intermináveis de receitas (também em inglês). Terça, a folga. Descansei do salto alto usando tênis, em pé na cozinha, testando algumas das receitas que pesquisei, cuidando das crianças e da limpeza da casa, já que a faxineira resolveu cooperar faltando. E na quarta, cozinha, vassoura, crianças… Pesquisar, digitar, comprar ingredientes, preparar, comer! Ah!! Disso eu não posso me quixar, comi muito, de tudo.
enlouquecida 2

Eu precisava fazer uns salgadinhos diferentes, para aqueles eventos do Centro Cultural da Light, testei algumas receitas, mas como não achei nenhuma muito bacana, acabei fazendo do meu jeito, e ficou uma delícia!!
Bolinhas de batata baroa recheadas com gorgonzola

Batata baroa, 500g, cozida e reduzida a purê.
Água, 300ml
Farinha de trigo, 300g
Sal, pimenta do reino, que baste
2 colheres de sopa de cebola
2 dentes de alho bem picado
Ramos de alecrim e tomilho
Manteiga (2 colheres de sopa, meio cheias)
ricota 150g
queijo gorgonzola 150g
farinha de rosca para empanar
Óleo pára fritar

Modo de fazer:

Refogar a cebola e o lho na manteiga, sem dourar, acrescentando o purê de batata baroa. Juntar a água e deixar ferver. Bom momento para colocar as ervas bem picadinhas. Juntar a farinha toda de uma vez, mexendo com vontade e disposição, até que fique uma papa dura, desgrudando da panela. Deixar em um prato esfriando, enquanto você amassa a ricota e o gorgonzola com um garfo, e depois mistura tudo com as mãos mesmo. Eu fiz umas bolinhas com esse queijo, para facilitar.
Então eu passei óleo nas mãos, peguei punhados da massa de baroa e envolvi as bolinhas de gorgonzola. A minha massa não ficou muito dura, então eu rolei direto na farinha de rosa, sem passar em leite ou em ovo.
O resultado foi uma casquinha fina e crocante, depois a massa de baroa docinha, molinha como um purê, e depois o gorgonzola. Por que eu coloquei ricota? Porque o gosto do gorgonzola é muito forte, e assim, suavizou um pouco.
Com este mesmo método, preparei massas de milho, de abobora e de batatas. As de milho recheei com queijo coalho, as de abóbora, com carne seca desfiada.
E na quinta, hospital denovo. Muita chuva, engarrafamento, frio, pesquisas na internet e uma volta pra casa traumática. Levei mais de três horas para fazer um trajeto que normalmente faço em 90 minutos. Foi muito, muito cansativo, mas sobrevivi para cozinhar mais e terminar a grande tarefa que me foi confiada. Que grande tarefa foi essa? PREPARAR UM CARDÁPIO PARA UM RESTAURANTE!!! Quando escrevi no último post sobre meu primeiro grande sonho de cozinheira, era disso que eu estava falando. Mas eram três cardápios, na verdade. Dois de almoço: um mais popular e outro mais requintado, e um de café da manhã. Então, na sexta testei receitas de doces, e fiz uns cupcakes divinos (cenoura e gengibre com recheio de maracujá e cobertura de cream cheese de laranja, e chocolate com recheio de chantily de lavanda e cobertura de ganache) para a minha mãe e minhas criancinhas. caqrdápios prontos, enviados por e-mail, e reunião marcada para sábado de tarde. Muito bem!
Mas eu não seria a Mulherpolvo se me desse por satisfeita.
Tratei de transformar aquela forma decadente de lenço na cabeça em Moon-Ra, eu fui curtir um pouco de rua e cerveja, sem me importar com a chuva nem com o frio. Sim, foi uma noite deliciosa, com direito a rever amigos de adolescência e tudo o mais.
Agora, o que eu quero mesmo é ver se a semana de trabalho valeu à pena mesmo, e se o cardápio será aceito.
Se for aceito, eu não poderei ser mais a Mulherpolvo de sempre.
Serei a Mulherpolvo Biônica!!!! Comandando cozinha de restaurante, de eventos, as filhas, a casa, a vida de solteira. E o blog, claro!
Projeto para a semana pós 12 de outrobro: UMA DIETA!!!!
Não tive coragem de subir na balança, mas me sinto bem mais redondinha…

PS: Não coloquei a receita no blog de trabalho pois por enquanto, quero deixá-lo asim mesmo.