ACHO QUE É TPM.

O forma como eu avalio o quanto gosto de uma pessoa, é ver quantas características chatas, irritantes e diferentes das minhas eu consigo aturar, e as vezes amar. Enfim, aceito coisas esquisitíssimas de quem eu amo. Aff!
Mas até que ponto isso é válido?
E o limite (tudo tem limite, exceto nossa mente) onde fica??
Ah!! Não fica… estoura, arrebenta!!
E tem mais: quando é que eu vou parar de me analisar o tempo todo?
O que? Nunca?
Ohhhhhhhhhhh….

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UM POUCO DE MALANDRAGEM…

Sumida, sumidinha. Por falta de conexão, por excesso de informações, por razões das mais variadas.
A sensação de que tudo obedece àquele círculo vicioso de sempre perdura, mas sem tanta tragédia, pois vou percebendo, muito devagar, que tenho opções.
Passeio pelas estradas virtuais da internet, colhendo informações das mais variadas. A partir de dicas sobre atitudes que podem melhorar a saúde do corpo, da mente e do espírito, fui passear pelo espaço sideral, descobri ETs, conspirações e um pouco mais sobre mim mesma.
Por mais loucas que fossem as informações que engoli nesses dias, de nehuma dei risada, e não, não fui cética como convém a uma moça de família.
E agora estou aqui, super crédula. Acredito em ETs, em elogios e pessoas em geral. Acredito no bem, na solidariedade, em Deus, anjos da guarda, gnomos, duendes, fadas, sereias e tudo o mais. Acredito até em dar umas voltinhas com Puro-Osso no final de semana, para continuar a me sentir uma estrela das mais sexies. Esse negócio de escutar “gostosa” no pé do ouvido deixa a gente meio viciada mesmo.
Mas a pergunta que não quer calar: será mesmo necessário ser sempre cética em relação a tudo??
E por que não acreditar nas pessoas? Hein, hein?
Não consigo, por falta de imaginação e outras coisas, ficar especulando sobre eventuais intenções escusas dos outros para comigo. Não imagino que estejam querendo me sacanear, ou me difamar. Por um lado é bom, minhas sinapses ficam estritas ao bem e ao belo. Mas o outro lado da moeda é a quantidade de “tombos”, decepções que poderiam ser em grande parte evitadas, se eu usasse mais a minha malícia e paranóia.
Num surto de auto-crítica, me vejo acendendo velas para Deus e Diabo, sem qustionar muito. Não questiono por carência?? Ah! Sei lá!! Mas achei engraçado, chegar a essas conclusões sobre a minha intimidade ao escarafunchar sites de conspirações, Ufologia e afins.

So Lonely

Apesar dos trinta e cinco anos de idade, quinta feira eu era apenas uma menina chorando dentro do ônibus, durante todo o trageto da AV. Presidente Vargas até Piratininga, Niterói.

A cabeça encostada na janela, a noite chuvosa e uma tristeza descomunal.

Uma solidão de dar pena.

E eu estava com muita pena de mim mesma. Não conseguia evitar, apesar do ridículo da situação. Vontade de fugir, vontade inútil, não se pode fugir do próprio mundo interno.

De alguma forma, permiti que as duras palavras de uma desconhecida me abalassem.

E agora, tento apagar essa memória.

Sim, sim, estou melhorando, vou melhorar.

O QUE VOCÊ PREFERE? CÉU OU INFERNO??

Outro dia eu tava falando que muitas vezes me sinto como se estivesse voando no céu errado. Entre tantos tipos diferentes, coço a cabeça e me pergunto: “onde estão os meus iguais?”

Mesmo entre amigas, pegando uma praia despreocupada em dia de semana, calo e escuto. Quero saber quem são estas pessoas, se existe algo em comum além dos laços de carinho e de afeto.

As amigas casadas que passam horas declamando as últimas sacanagens dos seus maridos. Em mais ou menos quatro horas (240 minutos), só queixas, mágoas, sacanagens. Nenhuma falou de um momento feliz e carinhoso, de uma noite de sexo deliciosa, ou de alguma coisa que justifique essas relações que eu, na minha idiota inocência, imaginava ser comum entre duas pessoas que escolhem viver juntas.

Só vejo casais presos em infernos particulares…

Mesmo quando estou com Puro-Osso (estava, né, ato falho?!), eu não vivia assim, me estressando de tudo, achando defeito em tudo. Porque bom mesmo é ser feliz, com ou sem um gatinho por perto.

Ah!! Mas tem gente sem marido que também tá presa em infernos particulares, não é mesmo??

Cara, negozim só reclama!! (pausa para entender que é exatamente assim que eu falo…)

Tá, eu também dou uma reclamadinha, mas não chego aos pés das pessoas que vem tudo negro à frente.  Como disse a Lu, isso acaba com a nossa energia vital. Isso nos faz doentes, revoltados e arrogantes.

E o arrogante é o cara mais ridículo da face da Terra… Quando a gente se enxerga melhor do que é na realidade, de uma casta superior à dos outros mortais, a gente cai num ridículo sem precedentes. Quando a gente esquece que devemos sempre ouvir o outro, por mais penoso que possa parecer. Quando a gente esquece de deixar o tempo fazer a sua parte, e fica tentando atropelar as coisas e as pessoas.

Eu vou escrevendo tudo isso, meio que sem saber onde quero chegar, num simples desabafo, por estar cercada de pessoas assim no meu trabalho, pessoas que eu jamais escolheria para ser meus amigos, mas que a vida colocou ao meu lado para me ensinar alguma coisa.  E me sinto só. A última lourinha alegre, inocente e solidária neste mundo cada vez mais cruel e cinzento.

Mas continuo e continuarei acreditando no amor e no ser humano, na amizade e na solidariedade. Mesmo que seja apenas mais uma fantasia de carnaval.

ELUCUBRAÇÕES

Uma amiga escreveu para mim, no meu aniversário, que a felicidade vem em pedacinhos. E, quando a gente vai ver, de pedacinho em pedacinho, arranjou um montão de momentos felizes pela vida afora.

Muitas vezes, as coisas ruins vem também em pedacinhos, ou em pedações, dependendo de quão ruim elas possam ser.

Semana passada eu fiquei mal, com o que chamam de virose: vômitos, diarréia, dor de cabeça.

Fiquei desidratada pra valer, e olha que eu ando sempre com uma garrafinha de água por perto, hein?!

Esse foi só um pedacinho triste e chato. E não foi o único.

Muitos dos sofrimentos que experimentamos na vidas poderiam ser evitados, se praticássemos o desapego. Estou custando a aprender isso, mas um dia eu chego lá.  Tive problemas com Puro-Osso novamente, e mais uma vez ele foi embora, me deixando chorando. Ah!! Se eu fosse mais esperta, teria chorado por ele somente até o carnaval de 2007, mas, boba que sou, prolongo dores desnecessárias aceitando, e muitas vezes buscando reatar uma relação que só dará certo no dia de são nunca, ou quando eu me conformar com mediocridades.

Quando estou longe dele, depois que já me esqueci da última briga, fico batendo cabeça, pensando se agi corretamente. Um cara legal, que tem família, que não é mulherengo nem violento. Que diz me amar. Onde está o problema, o erro? Com muita calma e paciência, revejo muitas das minhas atitudes, tento me corrigir. Mas não sou e jamais poderei ser a única responsável pelo sucesso de uma relação…

Deus me faça forte.

Aos trinta e cinco anos de idade, não me convenço a levar adiante essa novela por causa de tesão. Perna bamba não ajuda a educar os filhos. Coração disparado e boca seca não nos amparam nos momentos mais difíceis da vida. Sim, ta doendo, mas passa.

Desapego não é só mais uma palavra, vai muito além.

É a inteligência de deixar passar o que tem de passar, ou seja, tudo. Pois com excessão da nossa essência, da nossa alma imortal, tudo passa. Até mesmo o corpitcho vai passar, vai virar adubo.

Lei é lei, e não quero mais andar na contra-mão.

MY MOTHER TOLD ME THERE’LL BE DAYS LIKE THIS

Eu amo meu trabalho no hospital.

E saio de casa arrumadinha, naquela hora pornográfica, o sol deslumbrante nascendo, ai, não liga não, amanhã vai fazer sol novamente e você vai à praia com as crianças… Terças no Plantão geral sõ complicadas. Por excesso de médicos. Sim, são quatro abençoados que levam à sério a profissão, num mesmo dia, num local não muito grande com apenas dois consultórios. Enche de gente. De todo o tipo de gente.

Tem aqueles funcionários que amam e confiam em determinado clínico, e querem que ele dê opinião sobre a doença da mãe, da irmã, do cunhado da vizinha… Esses entram direto com a comitiva e bagunçam minha fila e minha vida.

Tem clínico que na falta de consultório conversa com os doentes lá na minha recepção.

Tem aquela que quer dar um atendimento nota 1000 e empaca por quarenta, cinquenta minutos com apenas uma consulta, telefonando para diversos especialistas do meu telefone, e eu tenho que conversar com os que chegam escutando uma ao telefone, e  outra dando consulta. E falar, e sorrir, e penasar, e pedir, impolrar por silêncio.

” Por favor, pessoal, vamos cooperar fazendo silêncio!!”

“Gente, evitem conversar aqui dantro. Fiquem lá fora, se necessário, eu chamo.”

Com tantos pedidos de exames e de especialistas, as pessoas eram atendidas e por lá ficavam, ainda aguardando. E cada minuto voltava mais um: ” por favor, o Urologista tá demorando, você pode telefonar…”

“Senhora, os urologistas estão em centro cirúrgico, vou t6elefonar, mas terça ele demoram mesmo… ”

E a galera do absurdo? “Isso é um absurdo!! A emergência…”

Uma pausa para explicar que eu trabalho numa ex- emergência. Ex, porque foi desativada à anos, mas como estamos em frente a uma favela enorme e o hospital (referência nacional) trata muitas doenças graves/raras. Tornou-se o plantão do hospital, onde os doentes em tratamento dão entrada para que seus especialistas sejam contratados. Mas aparece de tudo. Dor de cabeça, bicho de pé, insuficiência renal ou respiratória, e outras coisas que não convém falar.

Ontem, além do barulho e do calor (ar-condicionado quebrado), um cheiro fétido tomava conta do local. Cheiro de doença, de morte.

Sou médium… Absorvo essas energias facilmente,e,  se não estiver “ótima” acabo me deixando levar pelo clima do local. Rezo e dou amor à minha tarefa, de modo que me protejo. banho de sal grosso, alegria, perdão das ofensas. Aprendo a ser gente ali, faço amizades, seguro mão, choro junto.

Uma senhora, querendo furar fila, ficou me ofendendo, ameaçou representar contra mim na justiça (!!), me chamou de funcionária pública”, essas coisas. E, pela primeira vez, aguentei calada, pensando que ela não está sabendo lidar com as emoções da doença dela, e que não poderia ser nada pessoal, ela nem me conhece.

Indo embora para casa, já havia perdoado a pessoa.

Mas a emoção estava lá, ainda está. O incômodo.” A lição”:

“CONHECE-TE A TI MESMO.”

O arrogante  sempre cai no ridículo, ao se ver melhor que o outro.

Quem se (re)conhece como filho de Deus, e também ao seu próximo, Não se deixa levar por ofensas… É tudo um grande mal- entendido.

Eu sei que eu sou bonita e gostosa!!!

Durante o meu primeiro ano de relação com Puro-Osso, falei com a analista : “ele não quer ter sexo comigo tanto quanto eu quero e preciso ter com ele”. E ela me explicava que eu precisava canalizar a minha energia sexual para outras coisas. Que eu tenho muita energia, mais que as outras pessoas. Que havia outras maneiras de descarregar as energias, e que eu deveria pensar nessas outras formas. Bem, na época eu comecei a cuidar do jardim da minha casa, depois fui arrumando armários, organizando coisas e vi que realmente funcionava.

Mas porque eu estou falando nisso? Porque eu estou com tanto trabalho, que o meu tesão foi parar justamente dentro das panelas!! Gargalhei sonoramente esta semana quando percebi que toda essa correria de cozinha, no momento, está me bastando. Eu explico: me sinto viva, maravilhosa, talentosa!! Ah tá, eu fico cansada, e muito. Mas sexo também cansa…

Não vejo nada de errado em canalizar todas as energias em prol de um projeto. Por mais que eu tenha pensado ter feito isso outras vezes, é agora que estou  fazendo, de fato, conscientemente.

Qualquer dia desses, um novo amor virá.

Por hora, projetos novos e antigos, pessoas novas, ou mesmo as pessoas de sempre com outra roupagem. É um momento muito especial, percebo um amor muito gostoso por mim mesma. Como antes eu me botava pra baixo, permitia que outros me botassem pra baixo. Neste momento, nada mais tem importância: apenas a volta do meu umbigo. Eu, o meu trabalho, filhas e mãe.

Como de costume, escrevo do hospital. Penúltimo plantão antes de entrar de férias. estou escrevendo este texto há mais de três horas, toda hora aparece um. Mas não são “um qualquer”: hoje em especial, só está me aparecendo gente histérica, que grita comigo, que vem com tudo sem nem saber com quem está falando, ou o que está falando. Ninguém gosta de ter uma pai ou mãe internado em hospital… Mas determinadas atitudes só fazem piorar o que já está ruim. A televisão noticia que está caótica a situaçõ nos hospitais. Os cariocas assistem e chegam a estes locais armados com quatro pedras na mão. E o calor… Este tem o poder de esquentar todos os ânimos, transformando zen-buditas em arruaceiros.  Tomara que chegue logo as dezenove horas.