COMO UMA CANÇÃO DO CHICO II

E foi dada a largada para a maratona de cozinha do mês de maio. Para começar, um evento político, no Instituto Vital Brazil com a presença do governador e tudo o mais. Enquanto eu prepara aqueles canapés deliciosos, ia pensando que poderia fazer um protesto político apenas tossindo ou conversando em cima dos belisquetes…Não, eu jamais faria isso, não pelo governador…talvez pelo presidente, mas nunca, jamais, “queimando o filme” do buffet que está me contratando. Bem, enfim, tão logo minhas tarefas estavam terminadas, tratei de ir ver uma exposição de cobras, aranhas, escorpiões e afins, lá dentro mesmo. Muito bacana, tudo vivo, em caixinhas de acrílico fechadas à chave. Trabalhei, e fui seguir meu destino.
Quarta feira é dia de futebol.
E ontem teve FLAMENGO X CORINTIANS pela taça libertadores.
Uma pausa para relembrar que, assim como a Rede Globo, eu tenho uma espécie de contrato de transmissão de jogos do Flamengo, com Puro-Osso. E fui para a casa dele assistir ao clássico.
Oooops!! I did it again!! Mais um reencontro delicioso, olhares cúmplices, gol do Adriano, Flamengo 1 X 0, a gente juntinho, saudades, sim, saudades, eu te adoro, não saia de perto de mim denovo, delícia, você é meu não é,sim, gata sou seu e você é minha.
Os amores em uma cama de solteiro são muito mais intensos…
E como aqueles comentaristas de futebol que ficam falando estatísticas, declaro que toda a vez que durmo naquela cama de solteiro acordo apaixonada. Mais apaixonada que em qualquer outro despertar ao lado do dito cujo… E a vida continua a se desenrolar como uma canção do Chico

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ACHO QUE É TPM.

O forma como eu avalio o quanto gosto de uma pessoa, é ver quantas características chatas, irritantes e diferentes das minhas eu consigo aturar, e as vezes amar. Enfim, aceito coisas esquisitíssimas de quem eu amo. Aff!
Mas até que ponto isso é válido?
E o limite (tudo tem limite, exceto nossa mente) onde fica??
Ah!! Não fica… estoura, arrebenta!!
E tem mais: quando é que eu vou parar de me analisar o tempo todo?
O que? Nunca?
Ohhhhhhhhhhh….

UM POUCO DE MALANDRAGEM…

Sumida, sumidinha. Por falta de conexão, por excesso de informações, por razões das mais variadas.
A sensação de que tudo obedece àquele círculo vicioso de sempre perdura, mas sem tanta tragédia, pois vou percebendo, muito devagar, que tenho opções.
Passeio pelas estradas virtuais da internet, colhendo informações das mais variadas. A partir de dicas sobre atitudes que podem melhorar a saúde do corpo, da mente e do espírito, fui passear pelo espaço sideral, descobri ETs, conspirações e um pouco mais sobre mim mesma.
Por mais loucas que fossem as informações que engoli nesses dias, de nehuma dei risada, e não, não fui cética como convém a uma moça de família.
E agora estou aqui, super crédula. Acredito em ETs, em elogios e pessoas em geral. Acredito no bem, na solidariedade, em Deus, anjos da guarda, gnomos, duendes, fadas, sereias e tudo o mais. Acredito até em dar umas voltinhas com Puro-Osso no final de semana, para continuar a me sentir uma estrela das mais sexies. Esse negócio de escutar “gostosa” no pé do ouvido deixa a gente meio viciada mesmo.
Mas a pergunta que não quer calar: será mesmo necessário ser sempre cética em relação a tudo??
E por que não acreditar nas pessoas? Hein, hein?
Não consigo, por falta de imaginação e outras coisas, ficar especulando sobre eventuais intenções escusas dos outros para comigo. Não imagino que estejam querendo me sacanear, ou me difamar. Por um lado é bom, minhas sinapses ficam estritas ao bem e ao belo. Mas o outro lado da moeda é a quantidade de “tombos”, decepções que poderiam ser em grande parte evitadas, se eu usasse mais a minha malícia e paranóia.
Num surto de auto-crítica, me vejo acendendo velas para Deus e Diabo, sem qustionar muito. Não questiono por carência?? Ah! Sei lá!! Mas achei engraçado, chegar a essas conclusões sobre a minha intimidade ao escarafunchar sites de conspirações, Ufologia e afins.

EU TENHO SAÍDA???

A coisa chata de se ter um blog é a documentação da repetitividade. pelo menos no caso do meu blog, diário de atividades mentais. É isso, não é? todos temos nossos movimentos…
Experimento uma solidão doída, que da vontade de chorar.
Choro com o telefone na mão: ou ligo para a (ex) analista, peço arrego e volto, ou ligo para Puro-Osso, peço arrego e volto. Mas explico: não preciso mais de ajuda para ver meus movimentos, preciso mais é romper com eles, com ou sem supervisão. Não sei o que poderia fazer ao lado de Puro-Osso. esperar por mais uma decepção? Tentar viver um romance com ele seria a maior pala de insanidade. E é só estar vivendo vida frenética de noitadas e muita birita para eu pensar nele como meu salvador que me mantém dentro de casa.
Eu já vivi tudo isso. tenho vivido tudo isso há algum tempo, e me sinto farta. Uma vitória enorme será ver o tempo passar e não receber o magrinho de volta. Essa semana completamos dois meses separados. Ainda é pouco, ano passado foram três meses, se não me engano. como uma alcoólatra, penso em um dia de cada vez.
Trabalhei demais no sábado passado, foi bom, mas não dei de mim a perfeição, o que me chateou deveras. Nessas horas sinto pena de mim, pois me exijo uma perfeição inatingível, como se fosse condição para que gostem de mim.
Este é uma fato importante nas minhas conversas com os meus botões; a perfeição. Ser perfeita para ser amada. Como eu poderia ser convidada a trabalhar novamente sem praticar a melhor cozinha do mundo? Como ter um romance legal sem ter o corpo lindo de adolescente??
Enquanto percebo que estou pirando, levo Tchela para um chopp, e conto tudo ali, olhos nos olhos. O pior é que ela me diz que não, não estou pirando. Louca eu era antes, pois não exergava essas coisas.
E agora estou aqui, alugando vocês.
Já que tudo anda mesmo em ciclos, essa conjunção astral acaba de uma hora pra outra e eu volto a seguir meu caminho mais confiante. A serenidade, hoje escondida, estará em breve estampada em minha testa.
É preciso mais teimosia e mais coragem. Coragem para passar mais noites chorando na cama até pegar no sono, ao invés de ir viver as mesmas aventuras de sempre. nada contra elas, se não fossem fugas.

Não sei como, mas sei!!

A letra e tradução, para cantar junto, aqui

Se perseguir mudanças é como perseguir felicidade, eu to lascada. Porque a mudança, eu persigo.

Mas e se ela for como a borboleta, ou como meunovo cãozinho Mengo, que pensa que é brincadeiroa de pique e sai correndo também??

Não me refiro mais àquela mudança do “tudo está errado e/ou fora do lugar”, mas aquela que a gente nem mesmo se dá conta. Um pouquinho de egoísmo a menos aqui, ou uma disciplinazinha a mais do lado de lá.

A vida pode melhorar toda hora. A gente pode melhorar a toda hora.

“Your life’s gonna change” é também um desapego das estruturas reinantes…

E desapego é bom, Buda falou. E eu to falando também agora.

Chovendo no Molhado

Às seis horas da manhã, já pensei em você várias vezes. Não, eu não estava preparada para ser interceptada por um carro estranho, a caminho da praia numa quarta de manhã. E, de dentro deste carro estranho, saiu você.

Mas o que será que eu queria? Uma declaração de amor? Como? Eu te expulsei da minha casa, pensei ter sido clara com as palavras, era só naquela noite, pois se você não saísse de perto de mim eu não pararia de reclamar feito uma matraca. Será que você se sentiu expulso para sempre? Ficou magoado? Você ainda me quer? Amar, eu acho que não ama, não. 

E eu adoro o desafio de tentar amar os homens que não podem ser amados. Tudo começou com papai.  Meu primeiro amor impossível.

Olho para trás, não para reviver, mas tentar compreender os comportamentos que me trouxeram até onde estou neste momento.  São tantas mágoas… Tantas ilusões… Poderia sorrir diante disso tudo, feliz por estar desvendando tudo isso aos 35, enquanto muitos vivem toda a vida cegos, culpando aos outros e a si próprios. O importante agora é não repetir os mesmos erros. Se for para errar, que seja pelo menos um erro novo.

E vou me desapegando de tudo o que é velho e gasto.

Me sinto nua por enquanto, mas é apenas questão de tempo, o novo virá.  Apagar uma vida não é fácil, mas apagar personagens é molinho, molinho.

A vida é sábia, resolve pra gente o que a gente não consegue dar cabo sozinha.  Sua raiva me ajuda, mas, e com a minha, o que eu faço? Não quero sentir raiva de ninguém, nem de você. 

Oh!! Saudades do tempo da inconsciência… Lá, a gente conseguia ser feliz junto. E, inconsciente que eu era do meu valor, da minha beleza, dos meus talentos, convivia mais facilmente com todos à minha volta.

” No presente a mente, o corpo é diferente

E o passado é uma roupa que não nos serve mais”

 (Belchior, Velha roupa colorida)

MY MOTHER TOLD ME THERE’LL BE DAYS LIKE THIS

Eu amo meu trabalho no hospital.

E saio de casa arrumadinha, naquela hora pornográfica, o sol deslumbrante nascendo, ai, não liga não, amanhã vai fazer sol novamente e você vai à praia com as crianças… Terças no Plantão geral sõ complicadas. Por excesso de médicos. Sim, são quatro abençoados que levam à sério a profissão, num mesmo dia, num local não muito grande com apenas dois consultórios. Enche de gente. De todo o tipo de gente.

Tem aqueles funcionários que amam e confiam em determinado clínico, e querem que ele dê opinião sobre a doença da mãe, da irmã, do cunhado da vizinha… Esses entram direto com a comitiva e bagunçam minha fila e minha vida.

Tem clínico que na falta de consultório conversa com os doentes lá na minha recepção.

Tem aquela que quer dar um atendimento nota 1000 e empaca por quarenta, cinquenta minutos com apenas uma consulta, telefonando para diversos especialistas do meu telefone, e eu tenho que conversar com os que chegam escutando uma ao telefone, e  outra dando consulta. E falar, e sorrir, e penasar, e pedir, impolrar por silêncio.

” Por favor, pessoal, vamos cooperar fazendo silêncio!!”

“Gente, evitem conversar aqui dantro. Fiquem lá fora, se necessário, eu chamo.”

Com tantos pedidos de exames e de especialistas, as pessoas eram atendidas e por lá ficavam, ainda aguardando. E cada minuto voltava mais um: ” por favor, o Urologista tá demorando, você pode telefonar…”

“Senhora, os urologistas estão em centro cirúrgico, vou t6elefonar, mas terça ele demoram mesmo… ”

E a galera do absurdo? “Isso é um absurdo!! A emergência…”

Uma pausa para explicar que eu trabalho numa ex- emergência. Ex, porque foi desativada à anos, mas como estamos em frente a uma favela enorme e o hospital (referência nacional) trata muitas doenças graves/raras. Tornou-se o plantão do hospital, onde os doentes em tratamento dão entrada para que seus especialistas sejam contratados. Mas aparece de tudo. Dor de cabeça, bicho de pé, insuficiência renal ou respiratória, e outras coisas que não convém falar.

Ontem, além do barulho e do calor (ar-condicionado quebrado), um cheiro fétido tomava conta do local. Cheiro de doença, de morte.

Sou médium… Absorvo essas energias facilmente,e,  se não estiver “ótima” acabo me deixando levar pelo clima do local. Rezo e dou amor à minha tarefa, de modo que me protejo. banho de sal grosso, alegria, perdão das ofensas. Aprendo a ser gente ali, faço amizades, seguro mão, choro junto.

Uma senhora, querendo furar fila, ficou me ofendendo, ameaçou representar contra mim na justiça (!!), me chamou de funcionária pública”, essas coisas. E, pela primeira vez, aguentei calada, pensando que ela não está sabendo lidar com as emoções da doença dela, e que não poderia ser nada pessoal, ela nem me conhece.

Indo embora para casa, já havia perdoado a pessoa.

Mas a emoção estava lá, ainda está. O incômodo.” A lição”:

“CONHECE-TE A TI MESMO.”

O arrogante  sempre cai no ridículo, ao se ver melhor que o outro.

Quem se (re)conhece como filho de Deus, e também ao seu próximo, Não se deixa levar por ofensas… É tudo um grande mal- entendido.