Ah!! Meus Tempos…

Tive muitos bons anos na minha vida.
Digo bons, no sentido mais popstar da palavra.
Tudo era tão… tão… fácil.
O ano de 1988. Usava meia calça, saia rodada bem comprida, ombreiras (!). Abusava da barriga de fora, que junto à calça de cós alto e o tênis da Redley faziam meu visual trash pros dias de hoje, mas “in” no tempo do The Smiths, do Oingo Boingo, dos Ratos de Porão (!!!), dos Engenheiros do Havaí.
E foi num show destes, num ginásio de escola aqui em Niterói, que aconteceu algo que teve repercussão por anos e anos. Talvez, até hoje.
Eu era piveta. Piveta mesmo, 13 anos. Gostava de sair com as primas mais velhas que eu, porque elas andavam com os caras mais “in” de Icaraí.
Reparem bem no que era “in” naquele momento: ter bicicleta, mais de16 anos, ser surfista ou bodyboarder. Tinha que frequentar as matinês do clube regatas, da Blow Up e as festas jovens do praia clube. Praia? Só em itacoatiara. Tinha que saber beber, de jeito nenhum pagar mico de passar mal numa festa.
Mas eu tava no show dos Engenheiros do Havai. Beijei um gatinho lindinho, mas acabei me perdendo. Acabei beijando um carinha que era da galera da minha prima, o maior gatinho, que acabou se tornando meu primeiro namorado. Engraçado, é que enquanto escrevo essas linhas, me veio a lembrança tão forte… O sentido da minha vida era esperar o gatinho me ligar. A desgraça era ele sumir. A alegria, escrever lindas cartinhas para ele, ou aqueles cartões do Garfield. Ele também me escrevia. Essa minha parada rolou até miles de anos depois, a gente já na facul. Ele foi chifre de todos os meus namorados até meus 20 anos.
Cara, que paixão. As famílias ficaram amigas, sou muito amiga de uma das irmãs dele, mas eu e ele não nos falamos nem nos vemos mais.
Um outro que foi muito bacana foi o de 1991. Eu era muito engraçada, piriquita clássica, tipo uma irmã mais velha das patricinhas de hoje em dia. Precisava uma equipe de CNN para processar tantas fofocas, intrigas, quem estava com quem, essas coisas.
Como eu andava com turma, acabou que quase todo mundo ficou com quase todo mundo. Eu e uma amigona (da onça) vivemos uma disputa braba. Eu namorava um cara (esse já tinha carro). Ela me roubou o namorado. Eu roubei de volta. Depois eu resolvi beijar outras bocas. Ela também. A gente vestia bermuda clochard da Redley, tops da Redley ou Pakalolo, botinhas Nauru com meião. Todas tinham cabelo comprido e franja, e eu não era diferente. A vida social era tão intensa, que acabei repetindo o ano. O som preferido era “your love”, do Outfield. Tinha aquela música “Pump up the jam”, e tinha uma boate enorme chamada Cool Ibiza. Minha vida girava em torno do “social”, e tragédia era brigar com as amigas. Beijava na boca até não poder mais, e tinha tantos rolos ao mesmo tempo, que falava assim: “esse eu amo, aquele eu adoro, aquele outro eu to apaixonada e esse aqui comigo é meu caso” Meu apelido era KIKI e eu já era, oficialmente uma peste. Tenho gravado em VHS o meu aniversário de 17 anos. Bizarro é pouco. Eu era Piriquita MESMO.
Foi mais ou menos nessa época que eu resolvi que tinha que saber sobre alguma coisa mais que as outras pessoas, para ter assunto e mandar bem. Sabe como é, vestibular chegando…Mas isso é papo pra outro dia, conforme for.
O importante mesmo é me lembrar até do cheiro do perfume Tathy, do Boticário. Ou do Giovana baby. Argh!! Mas foram meus cheiros por anos. E como tudo era trágico, mágico, fantástico.
Sinto falta da inocência.
Não lamento nada. faria tudo denovo, se pudesse.