Dia da Mulher!!

Então, para homenagear, escolhi Ayaan Hirsi Ali. Uma refugiada somali que tornou-se deputada da Câmara baixa da Holanda e porta voz das mulheres muçulmanas que mesmo vivendo na Europa são submetidas à violências mil.

Essa é uma mulher danada.

Inspirem-se!!

O vídeo é de Theo Van Gogh, o texto, dela. Esse filme resultou na morte de Theo, e ameaça para Ayaan. Tem tudo no link acima e neste aqui.

eu sou uma estrela, e você também!!

Experimente estar de plantão por 12 horas num domingo de sol, a quatro dias do ano novo. Nada acontece.  Sentei-me aqui fui abrindo janelinhas para o mundo virtual.

Não existe tédio em tempos de internet!

A Mulherpolvo não considera nenhuma cultura inútil, pois é uma delícia sentar para beber uns chopps no verão,  sem precisar ficar falando da vida dos outros… Acontecem informações que eu não consigo, de jeito nenhum, não propagar. E desta forma, logo após o “bom dia” de sempre, mandei para minha mãe: ” você sabe quanta energia libera a explosão de uma supernova??” Claro que ela não sabia! Esta explosão libera cerca de 2 milhões de trilhões de trilhões de megatons. Não que eu tenha entendido o que esse número gigantesco quer dizer, mesmo sem os megatons depois, mas acho glamouroso começar o dia assim.

Nesses dias de verão, sempre arranjo umas duas horinhas para estar na praia. E sempre levo algo para ler na praia. ( A  maneira mais eficaz de eu ficar quieta sem estar dormindo é ler)

Leitura do momento: ” Panorama Visto do Centro do Universo“. Um barato.

Descobri que sou um ser de luz, não porque a mamãe me falou, mas porque todos nós sobre a esfera terrestre, somos feitos de poeira estelar.  Esses átomos que compõem nossos corpos vieram das estrelas. Palavra de honra!!

Ser iluminado que sou, relito sobre essas piccolas angústias que rondam meu cérebro-polvo. Problemas com auto-estima. Que bobagem!! É a TPM!!!

Peço para as minhas fadas madinhas, neste  35° aniversário, que eu tenha mais consciência da minha luz e do meu valor. E que não esqueça de tomar o Stressdorum mais que meio dia!

Sabe quando a gente já entende uma coisa, mas mesmo assim sente a dor dos que não entendem? Eu rio e choro. Rio pois fico me achando boba de me deixar entrar em turbilhões nem tão turbilhosos assim. Choro porque mesmo sem querer, acabo entrando.

Mas tudo bem. Faz parte do crescimento… E além do mais, eu sou uma estrela, entre outras estrelas, brilhando pelas noites do verão de Piratininga.

E não vou desejar Feliz ano novo não. Eu volto até lá.

A CIRANDA DAS MULHERES SÁBIAS

Do livro ” A Ciranda Das Mulheres Sábias”, de Clarissa Pinkola Estés.

Preces de gratidão pelas velhas perigosas e suas filhas sábias e indomáveis que alegram a nossa vida. Prece n° 7:

“Por todas as filhas inteligentes, desconhecedoras, sem rumo e pelas que tudo sabem…

Pelas que estão avançando direto ou que perseguem aos trancos… Pelas que estão aprendendo a chorar novamente…Pelas que estão aprendendo a gargalhar…Por todas elas, são importa se estão saudáveis, curadas ou não, não importa de que classe, clã, oceano ou estrela…Por todas as filhas que herdaram amor em abundãncia de antepassadas queridas que já se foram, mas que mesmo assim ainda fazem visitas…

Por todas as filhas que um dia ouviram por acaso o conselho de uma sábia destinado a outros ouvidos, mas essas “palavras certas na hora certa” causaram uma centelha que iluminou seu mundo daquele momento em diante para sempre…

Por todas as filhas que ouviram a sabedoria, não a entenderam, mas a guardaram para o dia em que conseguissem compreender… Pelas filhas que remam sozinhas e cujas antepassadas escolhidas foram por necessidade encontradas em livros queridos, em imagens norteadoras captadas no cinema, na pintura, na escultura, na música e na dança…

Pelas filhas que absorvem o bom senso e as atitudes necessárias trazidas por espíritos de sabedoria, ásperos e evanescentes que aparecem em sonhos noturnos…

Pelas filhas que estão aprendendo a escutara velha sábia da psique, aquela estranha sensação interior de nítida percepção, de audição, noção e ação intuitivas… Pelas filhas que sabem que essa fonte de sabedoria interior é como a panela de mingau dos contos de fadas que, por mágica, nunca se esvazia, por mais que se derrame seu conteúdo…

Por elas…

Abençoada sejam suas belezas, tristezas e buscas; que sempre se lembram que perguntas ficam sem resposta, até que sejam consultados os dois modos de enxergar: o linear e o interior.”

E QUE SEJAMOS SEMPRE: “VELHAS ENQUANTO JOVENS, E JOVENS ENQUANTO VELHAS”

FROST YOURSELF!!!*

Escrevo do hospital, a internet foi religada!! U-huuuuuuuuu!!
E eu que estava com uma necessidade quase patologica de escrever, ao ponto de acordar às duas e meia da manhã, com vontade de ligar o computador. O que eu ia escrever?
Ia escrever que estava (reparem bem, estava) angustiada, com a sensação de um tiro de canhão, bem no meio do peito.
Ao invés de sair da cama quentinha, entreguei meus medos ao amigo Jesus, chorei, conversei, falei da minha dificuladade em ter paciência e em esperar. Nessa hora, chovia bastante.
Todos os dias da vida da gente são dias abençoados. Todos os dias são grandes dias, mesmo que não pareça. O simples fato de o nosso corpo estar funcionando harmoniosamente já é uma grande coisa.
Acordei naquela hora pornográfica para trabalhar (quatro e meia). Estrelas mais que brilhantes, uma lua sorridente, igual aos desenhos das minhas filhas. Apesar da hora, do frio, de ter que sair do lado da minha família para passar 16 horas longe, eu sorria.
E aqui estou, linda, cheirosa, alegre como sempre, usando as minhas armas secretas.
Armas secretas?? Como assim?
Vou explicar: eu adoro uma literatura subversiva. E a minha escritora subversiva preferida é a Clarissa Pinkola Estés, aquela, do “Mulheres que Correm com os Lobos”, sabe?!
Hoje eu estou lendo “A Ciranda das Mulheres Sábias”. Olha que lindo o sub-título: “ser jovem enquanto velha, ser velha enquanto jovem”…
E não é exatamente o que eu quero?? Olhos de anciã, pele de bebê, rosto de anjo…e um corpinho pro pecado, né não?! hahaha
Não há possibilidade de não transcrever um trecho do livro:
“Através de suas práticas diárias, tornou-se aparente para mim que não era apenas O QUE da vida de uma velha que era imprtante, mas também recursos interiores_ o que havia dentro dela, que sabedoria e forçade coração haviam sido acumuladas…Parte semeada de propósito, aprte trazida pelo vento- mas tudo colhido com consciencia.
Em todos seus trabalhos e ofícios, as velhas falavam de como era importante questionar a vida insossa e os chamarizes da ganancia do consumo, e até necessariamente resistir a eles. Elas acreditavam que era não só nosso dever, mas também nossa função e prazer, por em perigo toda tirania (…), desafiar todas as ordens e normas que pudessem prejudicar ou arrasar nosso espírito, ou esvaziar nossa esperança. (…) Sob o efeito da generosidade e da oportunidade de ser generosa, uma impressionante combinação para um elixir de cura, elas desabrochavam.”

Eu quero muita coisa dessa vida. Mas no meio de tantos quereres, descobri uma coisa fundamental.
O que eu mais quero é sabedoria.
E sabedoria não é cultura, não, viu?!
Sabedoria é a cultura aplicada. Não adianta saber, só saber, só a teoria. Pra valer mesmo, só colocando em prática…

(Hoje “ganhei” a oportunidade de ser generosa com minhas companheiras de trabalho, fazendo hoje e sábado plantões de 24 horas, que me serão retribuidos em duas semanas.
Me sinto feliz em poder cooperar com minha equipe, sem demagogias.)

E eu que quero tanta coisa da vida, percebi, no meio da madrugada que, se for necessário congelar os projetos, se for impossível continuar engolindo a vida pelo mundo afora, mesmo assim, posso ter o mundo dentro de mim, onde quer que eu esteja. Mesmo sem sair de dentro de casa, mesmo sem ganhar milhões.
Nossas almas passeiam entre vidas para adquirir o que? Não é o novo C3 não!!
Para aprender a amar, apenas isso.
Todos os recursos de bem-estar, de luz e de amor estão dentro de nós.
Embora às vezes a gente pense que está nos braços de um bonitão.

* ESTE TÍTULO EM HOMENAGEM AO FILME “COMO PERDER UM HOMEM EM DEZ DIAS”, QUE SIGNIFICA MAIS OU MENOS : “ILUMINE-SE”

CÍRCULOS

Experimento emoções desencontradas. Plena e serena? No more… Mas consciente da minha luz, sem dúvida.
Faz anos que me dizem que não se pode ter tudo. Mas, como assim? Eu quero tudo. Solteira, curtindo a vida de solteira mas com um maridão para enfrentar as noites at home, a vida prática, pra ensinar a Rebeca a andar de bicicleta sem rodinhas. Tempos para os filmes, séries, festas e praia e malhação e a casa, com sua organização, comida saudável e fresca. E os livros, e o soninho da tarde.
Quando consigo dar uma parada vejo que minha respiração está entrecortada, e que, mesmo não parecendo, estou em constante adrenalina. E isso não é legal.
Então eu falo para meus botões: “você precisa relaxar, serenar e ter rotina. Precisa ter rotina se quiser viver muito e com saúde, parar de fumar e se enquadrar num viver mais agradável para o corpo e a mente. Precisa voltar aos estudos do grupo espírita, dormir e acordar cedo. fazer a saudação ao sol todas as manhãs, tomar um limão espremido em jejum e esquecer a gordura animal.”
Mas aí, a vida fica sem graça, e o que era cheio de vida e cor fica preto-e-branco. Ou não?
Quando eu estava toda serena, desintoxicada, com o olhar mais que brilhante, eu comecei a me sentir sozinha. E pensei que tanto brilho e tanto glamour não deveriam ficar guardados em casa. E saí, perdi noites. E fiquei com preguiça de malhar, de tomar o limão, de arrumar a casa e de cuidar da alimentação.
E agora eu to confusa.
Anos de análise, parece que ando em círculos. Porque ser tão carente? Me pego resmungando, ao chegar do trabalho, quando minha mãe não fez uma sopa pra eu jantar… “ela não cuida de mim”. Que idiotice!!! Eu devo cuidar de mim, dela e das crianças.
Ontem comecei um livro. Chama-se Memorial da Bruxa
E assim, passei minha segunda feira em São Luis do Maranhão, pelos idos de 1620. Tive que ter muita força de vontade de para fechá-lo e ir dormir, de tão empolgante que é a história.
mas eu comecei a falr isso com uma razão. Ariel não dava carinho à Etianne, sua filha, para que não crescesse mimada e frágil. Como mãe, digo para vocês que não sou fria, mas também não saio tratando as meninas como bebezinhos frágeis. Quero que sejam mulheres de verdade. Que saibam se cuidar e que não dependam de carinho e aprovação dos outros para sentirem satisfação e alegria.

VOCÊ COMPRARIA ESSE LIVRO PARA SEU FILHO?

cover

O argumento é interessante: a maconha está em volta das crianças e é preciso que elas (assim como nós) tenham informações seguras sobre o assunto, que não incite a curiosidade de experimentar, e que tire pais e mães que fazem uso da saia justa que é quando o filho vê algo ou sente um cheiro diferente.

O livro, em português está  aqui

Informações sobre o livro, em inglês, aqui

UM SÁBADO, NO HOSPITAL.

Não conheço ninguém que goste de trabalhar sábado.
Eu já gostei muito mais do que gosto hoje. primeiro porque é bom estar em casa com as crianças nos dias que tem escola (no meu caso que o trabalho é de plantão, 12 por 60 horas). Depois, porque nos sábados não tem chefia. Também não tem trânsito, e nem aquele monte de gente no hospital (a parte ambulatorial só funciona de segunda a sexta).
Mas eu disse que hoje gosto menos e vou falar o porque.
Eu saio da minha casa sábado as cinco e meia da manhã pra pegar um cata-corno. Corno é bicho fácil de achar, em qualquer lugar, a qualquer hora. E às cinco e meia da manhã os cornos estão bêbados, fazendo bagunça nos ônibus, ouvindo funk sem fone de ouvido, falando alto, dando risada sem deixar ninguèm (eu) dormir em paz.
Aí a garota chega no trabalho já meio danada, porque além dos cornos, ela perdeu o Globo Repórter da véspera, na melhor das hipóteses. Na pior, perdeu uma boa noitada, uma festa daquelas.
Mas como é sábado, dá pra ir sem maquiagem, de vestido largo e curto, rasteirinha. Dá pra navegar na internet. Oh!! Não!! Bloquearam a internet e você morre de tédio com o pouco movimento.
Mas você é esperta, garota. Leva aquele livro que foi comprado a mais de um ano e nunca foi sequer folheado.
Sentada de lado pro balcão, com os pés em cima de uma cadeira, lendo, completamente tragada pela história.
É nessa hora que chega um senhora bela, cheirosa, bem vestida e cheia de bijuterias. A mulher tava realmete cheirando bem. Nada a ver com os tipos que eu atendo, diga-se de passagem.
“Eu quero falar com o palntonista. Trabalho na secretaria de saúde, e eu sou sobrinha…”
Olhei bem no fundo dos olhos dela e respondi: “qual o assunto?”
A mulher não gostou, e falou que sempre que vai lá eu trato ela mau. Logo eu que sou elogiada por quase todos que atendo. Eu sou, de fato, uma recepcionista fofa.
Fiquei vermelha com a bronca dela, pedi desculpas e insisti que precisava adiantar qual assunto ela queria tratar com o médico. Ela respondeu que é sobrinha do diretor do hospital. Eu fui chamar.
A mulher foi tratada pelo médico com a mesma objetividade que eu já havia ofertado, e saiu de lá cospindo marimbondos…
Volto à minha leitura. Telefone. Pra atender, bato com o cotovelo na mesa e levo um choque. CARALHO.
“Plantão Geral, bom dia!”
“Snif, snif. Bom dia. Tem emergência psiquiátrica??? è que eutô muito mal hoje. Eu tenho depressão e o gato, o periquito e o papagaio…”
Pra uma pessoa em depressão, a bichinha falou muito.
” Minha senhora, procure a emergência psiquiátrica da prefeitura, fica na Praça da harmonia.”

Imediatamente agradeci a Deus por NÃO ser recepcionista de emergência psiquiátrica. Já pensou??
Volto à leitura, aos pâes deuqeijo e ao café quentinho. Telefone.
“Plantão Geral, bom dia!”
“Bom dia! Tem oftalmologista de emergência aí?”
“Não senhora, apenas no Souza Aguiar e no Miguel Couto.”
“Mas é que a minha mãe operou faz rotina de glaucoma aí com vocês”
“Mas a oftalmologia só funciona de segunda a sexta. Hoje, só em hospital de emergência”
” Sabe o que qui é? è que a minha mãe, no ano retrasado…” E fala, fala… Tirei o fone do ouvido. Não dava pra interromper a narrativa da sujeita, mas meu ouvidinho não é penico e eu preciso me preservar de tantas lamúrias.
Nos finais de semana fica muito claro que as pessoas solitárias telefonam pro hospital com o intuito de bater papo. Mas eu só gosto de bater papo no telefone com a minha comadre, e olhe lá.
Final de plantão. Movimento do dia: Quatro atendimentos. Um sábado de sol, Puro-Osso de folga em casa, o mundo se distraindo e eu de plantão por quatro cidadãos ao vivo e uns dez ao telefone. Tudo bem, é pra pagar escola boa pra crianças.
Me chegam duas mulheres. Atentem que falatava apenas dez minutos promeu plantão acabar.
“To passando mal.”
Chamei o médico, que avaliou a paciente, disse que ela tava bem, a pressão boa e tchau e benção. Sem fazer ficha de atendimento.
Foi quando a amiga se revelou.
“vc não vai fazer ficha pra minha amiga?”
“Não, senhora, ela foi avaliada pelo médico, está bem, não precisa de medicalção e nem de exames. Ela está liberada e eu não vou fazer ficha.”
“MAS ISSO É UM ABSUUUURDO! (Aos berros) COMO É QUE AGENTE VAI COMPROVAR QUE ELA ESTEVE AQUI? E SE ELA CAIR NA RUA, COMO É QUE A GENTE PROVA???”
Provas são extremamente necessárias num tribunal. Aqui só é necessário que você cale essa boca e vá se embora.
E a sujeita continuava, sempre gritando.
“MAS EU NUNCA VI DISSO, NUMA EMERGÊNCIA…”
” Minha senhora, isso aqui não é umja emergência, é só o plantão do hospital”
“AH, É? ENTÃO PRA QUE SERVE ISSO AQUI?”
Eu expliquei. Direitinho e com paciência. Olhava o relógio e era como se o tempo tivesse parado. Fui lá dentro e chamei o médico, implorei, quase de joelhos, ajuda. Sem omitir que era pra acalmar uma louca encreiqueira.
O médico e a maluca bateram a maior boca, um mandando o outro pra cada lugar mais longe, e a suposta doente, coitada, com uma cara de boba, parecendo um andróide.
A surtada saiu batendo pé, segundo ela pra chamar a polícia. Mas o que será que ela queria mesmo?
Essas coisas me deixam arrasada. Fico com pena de quem é assim, que v~e tudo através de óculos de má fé, que sempre se sentem enroladas, ludibriadas e lesadas. Essa mulher sugou, de verdade, todas as minhas energias. Num dia cheio, durante a semana, eu não me sinto tão cansada como me senti no sábado passado.
Mas não acaba por aí. o cata-corno da volta pra casa estava também cheio de bêbados, e eu tentando ler o livro com um cara que estava em pé e que a toda hora se abaixava pra falar com uma pessoa que estava sentada. A cada vez que ele se abaixava, a bunda dele ficava praticamente colada na minha cara. Definitivamente eu vou pro céu quando morrer.