FELICIDADE É…

Há quem goste de ócio. Eu até que gosto, não vou mentir, mas a culpa, essa tia infeliz, martela a cabeça e não dá sossego.

Tenho andado muito, mas muito ociosa ultimamente. E a culpa andou martelando. Só que desta vez eu dei um “chega pra lá” nela, curtindo meu “nadismo” e me preparando para acabar com essa moleza. É que a mulher descolada do terceiro milênio sabe muito bem queágua parada apodrece, e que o corpo é feito de 70%de água.

Ontem, ainda pelas comemorações do aniversário da Rebeca (filha caçula, 5/05) eu, PO, minha mãe, as minhas crianças e as crianças de PO (duas mocinhas de 13 anos) fomos ao shopping assistir ao filme da Alice, comprar presentes e tudo o mais. Foi ótimo, lógico. E acordei ainda nesse astral de paz, de tudo em ordem.

E fui pra hidroginástica, uma manhã linda de outono, eu na piscina limpinha, o bosquezinho em volta da piscina… naquela hora eu me percebi uma mulher feliz, mas feliz para cara**o, a beleza que entrava pelos meus olhos e encontrava abrigo no meu coração e ecoava de volta, me energizando.

Energizada que fiquei, foi mole dar aquela faxina na cozinha depois, com direito a limpar dentro do forno e tudo o mais. E enchi minha mãe e as crianças de beijos, carinhos e “eu te amo”.

A gente (pelo menos eu) fala tranta abobrinha o dia inteiro, e acaba economizando nas palavras e frases que devem e merecem ser ditas. Não economizo mais as palavras doces e carinhosas, tornei isso uma lei.

A vida me retribuiu fazendo com que PO viesse aqui na hora do almoço para me convidar pra comer num restaurante que a gente ama, aqui no bairro mesmo. Arroz com polvo… Sim, comi um semelhante meu e voltei correndinho pra labuta doméstica.

É que hoje é a festa de aniversário da Rebequinha. Uma festa de pijamas!!! desta forma, terei ainda hoje umas seis garotinhas na faixa dos 8 anos por aqui, comendo brigadeiro, cachorro quente e brincando com os jogos que a caçulinha ganhou. Também espero muita gritaria, risinhos, essas coisas. Mas estou confiante na minha sobrevivência, por mais incrível que pareça. A tolerância não vai me adandonar, pois eu falei com ela que, quando eu tinha 8 anos, eu adoraria ter  recebido várias amigas para dormir e brincar durante todo o sábado. Minha tolerância topou o desafio.

Fico por aqui. Me desejem sorte e muita paciência. As visitas estarão aqui por 24hs. Creio que só vá conseguir postar novamente lá pra segunda feira… mas eu conto no que deu.

depois de tanta chuva…

Garotada, a minha vida está de cabeça pra baixo por conta da chuva. Foram muitas, mas muitas horas sem luz, a água não entrou na minha casa por pouco e meu bairro esta (ainda) praticamente isolado do resto da cidade. Hoje à noite eu vou pro hospital, que não dá pra ficar sem trabalhar mais nem um dia. lado bomsempre tem né; brincar com as crianças de STOP! à luz de velas, contar histórias, ficar abraçadinha às minhas três queridonas e comer muito. Dos ovos de páscoa não sobrou nadinha. E os itens de geladeira a gente tratou de mandar logo pra dentro, pois o que sobrou foi mesmo pro lixo.
Doações podem ser feitas através deste blog: água Perrier, homens bonitões e fortões pra ajudar a limpar o quintal, roupas de grifes famosas, latinhas de caviar e de patê, torradinhas variadas e etc.
Quem não quiser me doar nada, tudo bem também.
Mas o que mais me apavorou foi perceber o tamanho do vício em televisão. No segundo dia sem energia, eu só pensava nas minhas séries, filmes e documentários. Televisão entorpece, hipnotiza. livros?? Sim, sim, leio bastante, mas normalmente eu leio na praia ou no hospital. Como eu e a praia estamos de relações cortadas, pelo menos até a próxima onda de calor, eu me rendi ao livro da Celamar em casa mesmo, durante as horas que meu quarto fica clarinho. Que contos bacanas!! Amei, estou amando.

E para finalizar, as fotos dos meus adoráveis filhos de quatro patas. Eu tava devendo… Este preto é o MENGO!!, o amarelinho se chama Apache.

As águas vão baixando e estamos voltando a brincar.

Denoite, no hospital, escrevo algo melhor e visito os blogs de vocês. To cheia de saudades…

Um novo amor!!!

Faz alguns anos que eu estou ‘adestrando” minhas filhas no sentido de pedir á minha mãe (a gente mora na casa dela) um gato.  Só que a minha mãe não gosta de gatos. Então a gente começou a pedir um cachorrinho, tipo um daqueles miudinhos, que ficam dentro de casa, em cima da cama, e coisa e tal. Um cachorrinho que fosse um bebe.  A resposta: sempre aquele não seco. Cachorro dentro de casa, não naquela casa.  E minhas filhas vão crescendo, e eu nem precisei mais ensinar a elas como pedir um cão.

O cão da minha família se chama Apache, tem dez anos e é da raça Golden Retrivier (tipo um labrador peludo, aparece toda hora em propaganda de televisão). O vira-latas que tínhamos, morreu de velho acho que em 2008. E  Apache ficou tristonho e deprimido. E de tão triste, minha mãe começou a deixar ele assistir Tv na sala com a gente.

Voltamos a falar de filhotes. Um beagle. Não é peludo. Um beagle, por favor, um snoopy para a gente… Enfim, minha mãe concordou que adotássemos um cão sem lar. Nada de comprar beagle coisa nenhuma.

Uma vez eu contei aqui pra vocês que aquela propaganda de ração do cachorro abandonado me fazia chorar sempre que eu assistia.

Morri de empolgação ante a perspectiva de adotar um cãozinho, e lá fomos nós, eu e as meninas, na SUIPA para adotar um peludo. E foi a maior presepada: fiz as meninas matarem aula, levei pra almoçar fora, e, depois do almoço, o abrigo de cães.

Chegando lá, vários dogs lindos, aquele cheiro de canil dos infernos, uma latição sem par… Mas sairíamos dali com um filho. para adotar um cão na SUIPA, basta levar o RG, CPF e comprovante de residência. E foi aí que eu me dei mal.

“Não, moça, você não pode adotar um cão e levá-lo para Niterói. Porque a gente depois vai visitar o cão, para saber se ele está bem tratado. Niterói não dá.”

Quase chorei, sério. E o que fazer com aqueles dois rostinhos super-decepcionados ao meu lado??

Voltamos para casa e eu pesquisei na internet, onde poderia encontrar cãezinhos para adoção em Niterói. Não foi fácil, mas, às 20 horas parou um taxi no meu portão, com um peludo sem raça definida, de cerca de um ano de idade, preto, castrado, vacinado e vermifugado. Lindo, igual a um lobinho. Ele foi encontrado no dia que o Flamengo se tornou hexacampeão, em dezenbro do ano passado. Então, batizamos o bichinho de MENGO!

Ele estava maiso agitadodemais quando chegou, querendo brincar de morder. Mas se deu bem com Apache, que parece bem mais jovem agora. Os dois brincaram o tempo todo, e ontem eu dei banho em Mengo, ele ficou quietinho, aceitou meus carinhos e não mordeu tanto como na véspera.

É que o cão também tem que se acostumar à casa nova, não é mesmo.

E eu, minha mãe, as meninas e o Apache  estamos todas in love com o lobinho lindo que nos foi doado. Porque no final das contas, quem praticou um ato de amor foi quem me deu o bicho, e não a minha família que adotou…

Meus pintinhos, venham cá!!!

Manhã de sexta-feira.  Elaboro mentalmente uma lista de quitutes para alegrar  os jovens estômagos das minhas filhas no domingo. Toca o telefone: ” mamãe! Cheguei, tô na casa da bisa em madureira. Vem me buscar hoje?”

Como dizer não para aquela vozinha que, nas entrelinhas, deu a entender que a casa da bisa não é tão legal depois de passar quarenta e cinco dias longe da mãe, dos brinquedos, da bicicleta?

 E lá fui eu, mór calorão, atravessar a cidade, de cabelo arrepiado, vestido caseiro e havaianas no pé.

Como eu previ em dezembro, dentes cairam, dentes nasceram. Rafaela até parece ter engordado, enquanto Rebeca cortou uma mecha do próprio cabelo. Roupas novas, sapatos novos. Por alguns segundos as fitei como ilustres desconhecidas. Depois, conforme a conversa foi progredindo, re-encontrei os meus bebezinhos de sempre.

À noite, uma lua cheia mais que linda sorria no céu, observando Rebequinha contar as novidades da Bahia para as bonecas, e Rafaela matava saudades da Hannah Montana na televisão. Puro-Osso, coitado, não teve chance. Nem convite para passeio de moto sob o luar me tirou de perto da prole. E ele voltou para casa sozinho…

Em menos de duas horas a minha casa era um lar de crianças denovo: chinelinhos espalhados, barbie em cima da mesa, luzes acesas em todos os cômodos… Ai, eu nem briguei pelas luzes e brinquedos, deixei rolar, tava com tanta saudade dessa zona, de tudo.  Dormi feliz agarrada em Rebeca.

Meu coração está em paz.

Milagres, insights, essas coisas…

Janeiro mais estranho esse.

Enquanto arrasto os chinelos pela casa com cara de coo, desligo os celulares, não respondo recados, não converso e vou tocando em frente a vida anti-social, saudosa das crianças e cheia das esquisitisses. Mas vou tocando em frente, e isso é o que mais importa. Na era da informação, o maior luxo é poder dar as costas à tudo isso e se informar somente do mundo interno, perscrutando esse ilustre desconhecido que é o próprio coração.

Sigo para mais um sábado de curso. Um sábado de sol. No metrô, quase todos estão trajados para a praia, mas eu não. Meio-dia: a hora mais feliz!! Numa conversinha carinhosa com Puro-Osso, acaba a bateria do meu telefone. OK, a vida, a vida. No fim do dia, um milagre daqueles: do nada a musiquinha que toca quando meu celular é ligado. gente! EU NEM ESTAVA ENCOSTANDO NA BOLSA, E O CELULAR LIGOU, SOZINHO!!! Toca mais uma musiquinha, agora, de mensagem: as meninas chegam no domingo, dia 31/01. E a bateria acaba denovo. Se isso não é milagre, então eu não sei mais o que é!! e sigo feliz para o meu lar, pensando no bolo que farei para a prole domingo que vem.

Sozinha em casa no final da tarde de um sábado quente de janeiro. Os ossos do meu amado num churrasco, longe da minha casa. Ai! Não queria ficar sozinha… Mas, pensando bem, para que perturbar o cara que está com os amigos do outro lado da cidade. A presença dele bêbado não vai aplacar a minha solidão, vai apenas aumentá-la. E, pensando bem, ser a soberana do controle remoto não é má ideia…

Foi quando aconteceu o insight. O limite entre o outro e eu. Primeiro, me preservei, depois pensei. E registro no blog o momento mágico pelo qual eu esperava depois de quase quatro anos de análise. Digo mágico porque até anteontem eu percebia que falatava um elo na corrente do entendimento. O limite entre eu e o outro.  Foi a hora que eu me amei, conscientemente.

Durante a noite, sonho com Rebequinha. Penteio os cabelos da minha caçula a noite interia, até o despertador me lembrar que tenho plantão neste glorioso domingo.  E saio de casa antes do sol, que me presenteia pintando de rosa o céu da Baía de Guanabara.

saudade dói…

” Era uma vez, vejam vocês, um passarinho feio
Que não sabia o que era, nem de onde veio
Então vivia, vivia a sonhar em ser o que não era
Voando, voando com as asas, asas da quimera

Sonhava ser uma gaivota porque ela é linda e todo mundo nota
E naquela de pretensão queria ser um gavião
E quando estava feliz, feliz, ser a misteriosa perdiz
E vejam, então, que vergonha quando quis ser a sagrada cegonha”

(Lenda do Pegaso, Moraes Moreira)

Quem não conhece essa música, pode tratar de procurar no youtube ou afim. Não coloquei aqui o som ou o vídeo por estar escrevendo do hospital.

Mas… Quem nunca se sentiu como o passarinho feio? A mulherpolvo, muitas vezes, ao ver comportamentos tão diferentes dos dela  entre os amigos mais próximos, se pergunta se não está voando no céu errado.  Depois tudo passa, e percebo que sempre teremos algo em comum com o próximo, mas nunca teremos TUDO em comum.  

E janeiro vai se desenrolado… Saudade das filhas que chega a doer, e, a medida que a saudade aumenta, minha disposição para pegar no telefone e escutar aquelas vozes que mando calar o ano inteiro diminui. Me consolo fazendo uma contagem regressiva muito da safada, afinal, não tive ainda a coragem necessária de perguntar ao pai quando ele vai me devolver as jóias. Será que dia 31 de janeiro?? Só Deus sabe!!

Quem tá fazendo falta também é o carro. Nada de ficar pronto, e eu à pé… Sobre isso, tenho a dizer o seguinte: tenham cuidado com o que falam. Palavras materializam situações. Durante o mês de novembro eu e minha mãe pensávamos na conveniência de vender o carro e janeiro. tanto falei de passar janeiro à pé, que cá estou agora.

Não é estranho, depois de tantos mimimis, que eu tenha ficado doente. Sinusite, das brabas, mais uma gripe daquelas. Febre, dor, nada de praia, de sol ou de passeios de bicicleta. Tá passando, vai passar! E meu amado namorado cuida de mim. E me faz companhia, na medida certa. A solidão que experimento sem minhas filhas é estranha. Mesmo com telefone fixo e duas linhas de celular, não sinto vontade de ligar para ninguém. Nenhum programa me parece mais atraente que a TV na cama. Com namorado, sem namorado. O tempo vai passando e em breve as pestinhas estarão comigo novamente, e a vida voltará ao normal.

Vou contar para vocês o que acontece com o passarinho feio do início do post:

“Aí então Deus chegou e disse: Pegue as mágoas
Pegue as mágoas e apague-as, tenha o orgulho das águias
Deus disse ainda: é tudo azul, e o passarinho feio
Virou o cavalo voador, esse tal de Pégaso”

Não importa em que céu estamos voando… Desde que tenhamos a certeza de sermos únicos…

E viva a diversidade!!!

PS: escolhi a música do passarinho feio por ter cantado á exaustão para as minhas filhas, desde o tempo em que moraram na minha barriga até ficarem pesadas demais para serem ninadas. O resultado: elas sabem cantar a música todinha, de cabeça!!

AMARELO

Toda a umidade de dezembro faz o céu ficar nublado. sabemos que o sol está lá, por trás de todo aquele branco. Mas os dezembros aqui de Piratininga trazem uma coisa extremamente linda, que é um entardecer amarelo, como se o sol fizesse muita força para me lembrar que ele está lá sim, e as nuvens no céu ficam parecendo de baunilha, porém bem forte, muito mais que em “Vanilla Sky”.

Sinto como se houvesse papel celofane amarelo em frente aos meus olhos.

E algumas bosboletas no estômago também… Passeio de bicicleta ouvindo jazz.  Nina Simone, céus negros, céus amarelos. Vontade de amar!!!

Que saudade de bater meus dedinhos neste teclado, escrever tudo o que vai na alma… Em momentos como esse percebo como me faz falta o hospital com todos os seus estresses: é lá que me concentro no mundo virtual, no meu blog e nos blogs que acompanho. Não ir lá é a mesma coisa que não ter sossego para ler ou escrever.

Falando em sossego, este parece estar de mau comigo. Como a Lu já adivinhou, não parei um só instante nessas benditas férias. Com o tempo chuvoso (basta eu estar de férias, todo ano é assim), eu poderia ter passado a semana inteira na cama, mas não, arranjei um trabalho temporário que me deixou exausta, de mau humor, levantou reflexões importantes acerca do quanto eu preciso me esculhambar por trezentos reais, que, ao chegarem em minhas mãos foram devidamente torrados sem dó nem piedade com lazer.

Eu gosto de trabalhar. Mas percebo que não pode e nem deve ser qualquer trabalho, e que, para valer à pena, tudo precisa ser feito com prazer, carinho, tesão.

Angústias de verão: as minhas filhas embarcam para a Bahia dia 17/12, e dessa vez eu precisarei arrumar as malas. Seis anos passando por isso sem me acostumar. Morro de ciúmes e saudades, e demora um pouco para sentir prazer de estar sem esta responsabilidade, podendo viver despreocupada com a hora do almoço, do banho, dos passeios, da atenção. Mãe em férias!! Mas o sabor desta liberdade é bem amargo. A casa vazia, silenciosa. Dentes caem sem que eu os troque por moedas.

Pensar que qualquer dia desses as malas serão arrumadas por elas mesmas, e os detinos serão outros. Búzios, Cabo Frio, Sana: não importa o destino, mas a constatação de que não serão menininhas para sempre, que muito em breve farão suas viagens pelo mundo afora, e tudo o que poderei fazer é abençoar.