Meus pintinhos, venham cá!!!

Manhã de sexta-feira.  Elaboro mentalmente uma lista de quitutes para alegrar  os jovens estômagos das minhas filhas no domingo. Toca o telefone: ” mamãe! Cheguei, tô na casa da bisa em madureira. Vem me buscar hoje?”

Como dizer não para aquela vozinha que, nas entrelinhas, deu a entender que a casa da bisa não é tão legal depois de passar quarenta e cinco dias longe da mãe, dos brinquedos, da bicicleta?

 E lá fui eu, mór calorão, atravessar a cidade, de cabelo arrepiado, vestido caseiro e havaianas no pé.

Como eu previ em dezembro, dentes cairam, dentes nasceram. Rafaela até parece ter engordado, enquanto Rebeca cortou uma mecha do próprio cabelo. Roupas novas, sapatos novos. Por alguns segundos as fitei como ilustres desconhecidas. Depois, conforme a conversa foi progredindo, re-encontrei os meus bebezinhos de sempre.

À noite, uma lua cheia mais que linda sorria no céu, observando Rebequinha contar as novidades da Bahia para as bonecas, e Rafaela matava saudades da Hannah Montana na televisão. Puro-Osso, coitado, não teve chance. Nem convite para passeio de moto sob o luar me tirou de perto da prole. E ele voltou para casa sozinho…

Em menos de duas horas a minha casa era um lar de crianças denovo: chinelinhos espalhados, barbie em cima da mesa, luzes acesas em todos os cômodos… Ai, eu nem briguei pelas luzes e brinquedos, deixei rolar, tava com tanta saudade dessa zona, de tudo.  Dormi feliz agarrada em Rebeca.

Meu coração está em paz.

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Maluca… Pela vida!!

Esse monte de chuva que vem caindo está fazendo florescer novas esperanças em mim. Palavra de honra! Muito estudo, muito jogo de cintura para selecionar informações relevantes, programas de Tv relevantes, alimentação relevante…

Acho incrível a dupla respiração- alimentação. Longe da carne de boi fico mais alerta, mais leve. Os vegetais orgânicos funcionam como mágica, trazendo vitalidade e bons pensamentos. As crianças chegando… Levo à sério a faxina, um bom defumador, uma prece sincera.

Depois de tantas brigas e discussões, eu e Puro-Osso estamos exercitando o ser carinhosos, já que é inevitável, não conseguimos estar separados, que estejamos juntos, em paz e com muitos beijinhos!!

Não, nada mudou. Ou mudou?

Quando alguém nos pergunta “quem é você?” Muitas vezes a gente responde o nome, o sobrenome (família) o cargo ou a profissão… São as coisas que nos dão segurança, né?! Hoje eu sou a Chris. Nem preciso ser Christine. Sou um ser único, parte do universo e partente das plantas, dos animais e dos outros humanos. Também devo ser parente dos extra-terrestres, mas estes eu não conheço.

Respiro.  Profundamente e com calma.  E vou tentando ver com outro olhar as mesmas coisas de sempre. Quer tentar também?

Loucura por loucura, inda sou mais as minhas: gente e comida.

Sexta feira eu estava escrevendo sobre o plantão terrível que estava me fazendo rir, ao invés de chorar, pelo ridículo que as pessoas passasm ao se exceder em pitis histéricos infrutíferos. Não deu, tamanho o volume de trabalho.

Sábado e domingo fiz da minha cozinha um laboratório, fui aplicar o que venho aprendendo sobre gastronomia molecular e praticar outras receitas, para alegria e deleite das minhas três amadas (mãe e filhas).  Este prato é uma trilogia de raviolis (massas de pimentão, de beterraba e de espinafre). O recheio era de queijo cremoso, pimenta rosa, ervas e castanhas de caju.

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Com as massas que sobraram depois que o recheio acabou, eu fiz esse talharim:

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Suverti a ordem das coisas e preparei os pratos principais antes das entradas, na verdade uma só: carpaccio de palmito pupunha, com tapenade e spaguetti de beterraba. Peraê!! Que papo é esse de spaguetti de beterraba, Mulherpolvo? São as aplicações de gastronomia molecular que eu falei antes. O que posso dizer é que tem gosto de beterraba. E que o avental que eu usei, o chão e a bancada da minha cozinha ficaram cheios de pinguinhos vermelhos.

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Agora, imaginem que eu estava sozinha em casa, ouvindo muita musica legal, preparando os pratos e fotografando… Daí, depois que eu tinha quatro pratos feitos na minha frente, me lembrei que só tinha euzinha para comê-los…Nesse caso foi bom, porque vocês podem acreditar: sou muito melhor cozinheira que fotógrafa!!!! Sério, essas fotos eu tirei do celular, pois esqueci de comprar pilhas novas para a máquina.

Sim, sim!! Também teve sobremesa!!!  Torta de brigadeiro… Essa eu nem fotografei, tamanha a gula de cortar e levar pro quarto logo. 

Muitas vezes eu escrevo aqui sobre essas coisas corriqueiras por falta de coragem de escrever o “papo reto” de verdade.  Travessuras, quem não as comete? Eu acabei de cometer uma das boas, e, quando a travessura é boa mesmo, de verdade, ela é secreta. Impublicável.  Adoto o meio-termo escrevendo que pequei. Mas omito o pecado…

Comemoro o feriado antecipado do dia do servidor público de plantão.  E que minhas panelas não me escutem, mas eu realmente amo esse estranho ofício de escutar desaforo de médicos, doentes e  familiares de doentes enquanto atendo o telefone, digito cadastros no computador, organizo filas, e me torno mais humana. Muito em breve estarei mais dentro das cozinhas que deste hospital, e sentirei muitas saudades. É que tem gente que é louca. Bem, eu sou louca. Louca por gentes de todo o tipo.

TODOS JUNTOS, SOMOS FORTES!!

Logo após o casamento da Alê, o plantão. Tá bom, foi um bom plantão, sem grandes problemas. O grande e maior problema foi o tempo ter custado a passar, e, no final da tarde, a “malditaTPM” começar a me besliscar de levinho. Lua cheia no céu, e eu com minhas bolsas, descendo a Camerino até a Presidente Vargas, sozinha, mirando aquela lua no céu. De TPM. (pausa pra explicar que, com a fim da farra das vans no Rio, agora ando 15 minutos num lugar pouco confiável, para pegar um ônibus direto pra minha casa.)

E fui ouvindo o player, infeliz por estar dura numa sexta tão enluarada, infeliz por nãoter um alguém, mas feliz por saber que aquilo tudo era TPM e que passa semana que vem. Numa estranha “total privação dos sentidos”, acabei ligando pra Puro-Osso. No banho. peça para me telefonar então, ok? Ok.

Antes mesmo de tirar os sapatos ele já estava aqui. Pô, eu queria falar ao telefone. Num telefonema a gente consegue sentir se vai dar certo ou não o encontro. Dá tempo de mudar o discurso, de mudar de ideia. Vamos sair, tomaruma cerveja?

Depois de todo amor que vi pelo Skype de manhãzinha, eu já sabia que tava fazendo caca. Que não tenho nada que ficar saindo, dormindo com Puro-Osso para aplacar minhas carências. Porque acabao aindamais carente.

E foi assim: não quer saber dos meus problemas financeiros. Não quer saber dos meus projetos profissionais. Não quer perceber que estou sem tesão.

Duas da manhã, mando P.O. vestir a roupa e sair da minha casa eda minha vida, denovo. Sim, sou eu quem não respeita esse fim, que aconteceu em 2007e se prolonga até hoje, na desculpa de sexo de qualidade, de companhia para várias coisas que gostamos de fazer juntos. Juntos? Como assim? Juntos no mundo dos sonhos, eternos adolescentesque não estão nem aí pra realidade. Cansei disso. E dormi e acordei. Conciente de que este poderia ser o primeiro dia de fato delisgada dessa simbiose.

Subi no muro da minha casa para colhermos amoras, é o primeiro ano que a amoreira que plantamos produz essas frutinhas tão deliciosas. Fizemos geléia.

Amo cozinhar.

Chamei minha prole pra cozinhar toda a sorte de delícias junto comigo, elas escolhendo as músicas que gostam de ouvir (Toquinho e Vinicius, Xuxa, essas coisas)

Tive uma ideia genial: Colocar para elas as músicas infantis queeu curtia. Foi assim que as apresentei aos Saltimbancos e aos Saltimbancos Trapalhões, Lucinha Lins e etc. A arca de nóe (Vinícius de Moraes), elas já conhecem e amam.

Do fogão saíram coxinhas, bolinhas de queijo, pastel de forno, esfirra aberta, e uma torta de morango daquelas, com a gelatina vermelha por cima dos moranguinhos cortados ao meio.

Elas reconheceram a voz do Didi nas músicas, mas não fazem ideia de quem é Mussusm (meu trapalhão preferido). Combinamos de assistir hoje no Youtube.

Segundo minha mãe, elas jamais esquecerão este dia.

Conversamos, cantamos, dançamos. Rafaela lavou louça pela primeira vez (precisou subir num banquinho, tadinha)

Para este domingo, junto ao Youtube, ainda faremos um cheesecake, para comer com a geléia de amoras que preparamos ontem.

A TPM?? Fugiu de medo, coitada, enquanto as três, de avental e touca na cabeça, faziam a dancinha: ” nós gatos, já nascemos pobres”, jogando uma perna de cada vez para cada lado.

A solidão, a falta de um amor?

Eu não tenho um amor, eu tenho dois. Rafaela e Rebeca. E dormimos juntas e abraçadas, após assistir E.T., legendado. (Crianças crescem juito rápido. Elas já conseguem acompanhar um filme legendado numa boa. E como já dizia Arthur da Távola, precisamos fazer alguma coisa, antes que elas creçam)

PRECISANDO DE COLO.

Ando pra um lado, ando pro outro. Varro um quarto (o meu). Pulo etapas da arrumação, e vou beber água. Esqueço de beber quando vejo a agenda e a caneta sobre a mesa. “Preciso fazer a lista de compras”, penso. E sento e começo a pensar. e lembro que quero preparar uma receita. Não lembro de todos os ingredientes e corro pra procurar a receita. No caminho, peço às crianças para arrumarem o quarto delas, assim poderei varrê-lo. O telefone toca e converso com o telefone encaixado no ombro, procurando a receita. E dá sede. Largo tudo e vou beber água. Desligo o arroz na panela, lembro de tomar as vitaminas, peço desculpas, mas não, não dá pra falar agora. Mando o cachorro sair da cozinha, as crianças entrarem no banho. Ou o contrário, sei lá. Msn, telefone. Celular. Mil campainhas me chamam, incluindo aqui a do microondas, a da porta, as crianças. Varro o quarto das crianças, pingo água na carne assada. Acendo um cigarro que esqueço no cinzeiro. Estendo roupas no varal e grito para as meninas, se acabaram o banho. Lembro da receita e da lista de compras, quero largar tudo e ver uma comédia romântica na televisão, depois sonhar com o príncipe encantado. O que vai me tirar dessa vida, sabe?!
Ansiosa pra caramba, esse é meu nome. Acho que amanhã vou apanhar na análise.
Eu andei tão calminha e concentrada… Minha cabeça está oca e tão oca que tive queda de pressão na academia, como se stivesse vazia decarne, sangue e ossos dentro de mim.
Será que falta muito pra minha mãe chegar?

O mundo é bão, sebastião!!!!!!!!

Mil vezes melhor esse inverninho safado do Rio de Janeiro, ao verão com todas suas minissaias homens sem camisa e sorvetes.
Deixa eu explicar: durante o inverno a luz é tão linda, a neblina de manhã, o calor do dia (para mim, mais de 25 graus já é calor) e a noite geladinha, estrelada. Quando voltei do hospital ontem, o céu tava tão, mas tão estrelado que tropecei e cai no chão. Pelo menos não tinha ninguém na rua. Só as estrelas viram, e parece que brilharam ainda mais, só de sacanagem, para eu não poder parar de olhar.
Estou tratando uma faxineira, duas vezes por semana. Não aguento mais tentar dar conta de tudo e ter uma casa meio limpa, e eu ficando meio estressada. Muita coisa melhor para se fazer.
Sabe aquela impressão de estar acordando de um pesadelo? Não por nada de específico, apenas por estar vendo as coisas como se fossem pela primeira, ou pela última vez. ou de uma maneira mais carinhosa. Plantão de segunda feira é um saco, mas mesmo assim não me aborreci nada, apesar de ter voltado bem cansada. Aconteceu um fato curioso: fui pro pátio fumar um cigarro, como sempre. E vejo chegando na minha porta um senhorzinho preto, bem pretinho, e bem pequenininho e magro também. parecia um passarinho, o cara.Fui até perto dele, pra saber do que ele precisava. O senhorzinho tava PUTO. Ele falava baixo, mas muito rápido e com aquela indignação de cliente de SUS. “eu tenho tuberculose e…” e eu com um cigarro aceso, que eu não queria apagar, e com medo do cara ficar falando perto de mim. Mas de longe eu não conseguia escutar direito. E eu dava um passo para trás, e dava outro. Depois eu inclinava a cabeça pra tentar escutar. o cara tava muito, muito puto. Eu não poderia ajudá-lo, e expliquei direitinho onde ele deveria ir. Fofa. Mas ele não gostou. Ficou bravo comigo, e saiu me xingando…Eu ri muito, mas fiquei um pouco rabugenta. Estudei pra caramba pra acordar quatro e meia da manhã num dia lindo e ensolarado prum velho com jeito de passarinho vir encher a minha paciência cheio de bacilos??
O importante é que as 12 horas passaram rapidinho.
Estou desenvolvendo um projeto de engenharia para minha recepção: um calabouço!!!!
Se a pessoa que aparecer na minha frente for pentelha, eu aperto um botão, o chão se abre e…vai pro quinto dos infernos, senhora! E boa tarde! Com um sorrisinho eficiente no final…
Escrevo ouvindo Nando Reis.
“Quando se acabou com tudo/ espada e escudo”… Me remete aos momentos que deixamos de lado as marras, as lutas, e simplesmente vamos vivendo um momentinho de cada vez, sem ansiedade, sem forçar nada.
Nando Reis é muito bom né?!

MANIA DE PERFEIÇÃO

Fiquei toda neurótica hoje por ter resolvido dormir um pouco mais.

Por não ter caprichado taaaanto assim na limpeza da casa por essses dias.

Mas a casa, de fato, está limpinha, e eu dei conta da minha manhã mesmo dormindo um pouco mais.

Será que é pecado, deixar a louça da noite para lavar de manhã?

Eu tenho essa mania de perfeição, me coloco em situações extremas, e depois fico cansada demais, ou farta e de saco cheio. Aí, viro adolescente denovo.  Largo todos os projetos e me projeto pra praia, pra cama ou pra noitada.

Encontrar o caminho do meio é bem difícil…

Tudo em mim e na minha vida está mudando, momento rico e delicioso, mas haja calma para observar o lado obscuro com carinho (afinal se trata de mim, e eu me amo… Amo até meu lado obscuro!). O negócio é iluminar o lado escuro, e não ficar se martirizando, viu, menina?

Ninguém é perfeito. Nem eu. E talvez nem seja tão legal assim ser perfeita. A Sandy, que me parece o ser andróide mais perfeito que o mundo já viu, teve que aturar o marido blogando, em plena lua de mel!!