Dessa vez eu apanho da analista

Se me perguntassem, até outro dia desses, o que eu pensava a respeito dos rótulos, eu diria que os odeio. Nos cadernos da adolescência, dissertava, pingando lágrimas sobre as folhas, sentida, sofrida, sem entender se eu “era” o que não deveria ser, se não “era” o que esperavam que eu fosse, e que ser “autêntica” era a maior demosntração de força e de coragem que eu poderia testemunhar. E ouvia Legiâo Urbana: ” nada mais vai me ferir/é que eu já me acostumei/com a estrada errada que eu segui/com a minha própria lei”

Ser autêntico é o que mesmo? E legal, bacana, gente boa? No que consiste? Todos temos cada característica inerente à humanidade. As boas e as más. No momento posso dizer que a vida consiste em esconder as más e forjar as boas. Mas isso é só neste momento, porque, na verdade, busco e assumo as minhas características más. Muitas vezes faço questão de mostar apenas essas. Depois de ver minha pior face, só permanesce ao meu lado que me ama de verdade.

Eu que já soube tanto, sobre tantos assuntos, vejo agora desmoronar certezas e convicções.

O título deste post seria “como o flamengo revoluciona minha vida amorosa/sexual”. Mas o sol se pôs, e a noite trouxe briga, discussão, lágrimas, e muitas dúvidas.

Sou flamengo. E gosto de assistir aos jogos do meu time num bar perto da minha casa. Depois da última briga com Puro-Osso (bem, não foi uma briga, mas uma triste constatação de que não dá, não dá mesmo, triste, mas é verdade) a gente não havia mais se encontrado. O cara trabalha na esquina da minha casa, e mesmo assim, a vida nos poupou, evitando por umas seis semanas que os olhares se cruzassem.

Voltemos ao futebol. Fui ver o jogo da semana passada, e quem é que eu encontro? Sim, Aquela silueta 100% cálcio. Vimos a vitòria rubro-negra, bebemos umas cervejas, dormimos juntos e, durante a semana, fizemos um acordo tácito de assistir o restante da saga flamenguista rumo à vitória. Mais uma rodada do campeonato brasileiro. O jogo era no domingo, mas desde sábado já estávamos juntos. Cerveja, violão, olhares doces de minha parte e o temporário esquecimento dos motivos que tornam inviável esta relação. Eu olhava e pensava: “porque não podemos viver juntos?”

A lua de mel não durou nem 24 horas. Na noite de domingo, mais uma briga, mais uma patética e infeliz troca de acusações e maldições. Sinto ciúmes, sinto carinho, sinto um tesão feladaputa que não me permite deixar passar essa fase da minha vida. Uma relação estável e madura com este eu já risquei do meu caderninho de possibilidades. Adolescentes de 34 anos não podem viver vida de adulto. Pessoas extremamentes egoístas e equivocadas em relação a si próprias não podem viver uma relação amorosa. Descobri isso no primeiro desses mais de três anos de relação. Mas gostava dele. A solução foi terminar o namoro e continuar numa espécie de relação aberta, onde eu dava para ela na hora que eu queria. E até namorei Gatchenho, e até tive umas paixonites rápidas. Mas sempre voltava para aquele que eu imaginava me amar, uma vez que sempre esteve disponível para mim na hora que eu queria.

Fui criada para casar.

Um marido me faz falta, socialmente falando.

Um amor verdadeiro, nunca tive. Imagino que eu já esteja pronta para viver um troço desses, mas o medo, este me impede e paralisa.

Comecei o post falando do ser autêntico. De uma maneira bastante autêntica, fiz minha imagem. Livre, solta, popstar. Inacessível o meu íntimo. Uma discrepância absurda entre o que se vê e o que é de fato, a realidade. Passeio entre a pessoa que sou e a pessoa que pareço ser. Muitos dos que convivem comigo sabem que sou complicada pra cacete. Vários outros vêm uma mulher extremamente inteligente e talentosa, que cola com os caras errados, que vive uma vida errada e que faz o possível para se rebaixar ao nìvel da mediocridade geral. Que esconde os próprios tesouros.

Me sinto só e encontrar Puro-Osso só faz aumentar minha solidão. Se eu fosse um pouco mais burra, poderia ter sido feliz com ele, um cara que parece ( apenas parece) ser um “menino de ouro”.

Ontem vivi novamente um infeliz enredo. Vivendo na Bahia com o meu primeiro marido,  produzíamos discussões onde eu era arrasada. Sete anos juntos fazem com que saibamos muito bem das fraquezas, dos pontos mais doloridos, do que faz a pessoa desmontar. Precisei ignorar todos os sinais e evidências do fim de uma relação amorosa para escutar novamente aquelas palavras que me desmontam, que me deixam sem chão, e que fazem com que eu acredite na minha inferioridade como ser humano.

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3 Respostas

  1. Teu texto é um relato assustadoramente real e que me faz admirar tua coragem de falar o que sente assim.

    Parabens por ser a mulher que é!

  2. Me sinto inferior… “and” comecei a treinar minha mente:
    “Eu qdo estou feliz não saiu da minha casa para rebaixar ngm. Logo, portanto e todavia (rs). A pessoa que faz isto com a gente, está no minímo infeliz e não quer curtir a infelicidade sozinha!!!”

    Confuso? Está né…

  3. Acho que vc foi crítica demais a seu respeito,não?
    Deixe de lado tamanhas exigências e deixa a vida acontecer,mulher…
    Talvez sejam essas mesmas exigências que impedem que a pessoa destinada se aproxime,já parou pra pensar?
    Defeitos todos temos e amar é fazê-lo apesar dos mesmos!
    Um beijo!

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