O MUNDO DAS MULHERES DITAS ADULTAS

Que eu ando pra lá de ansiosa, todos por aqui já estão sabendo. E que tomei uma homeopatia, e a Barbara me recomendou outra pílula, com a seguinte descrição: “tem ouro na fórmula, te ajuda a encontrar dentro de si forças para a auto-cura de males que você nem supõe ter.” Li o comentário e fui tomar banho.

Eu tava realmente MUITO cansada, um plantão de 24 horas que durou mais do que o combinado. A necessidade de dar conta de compromissos que me violentariam. Descansar é preciso!! Tenho tentado desligar esse motor que trago dentro de mim, é muita energia, muita criatividade, mas precisa ter hora de parar, ou o motor me engole!!

Um belo banho, com espumas, óleos essenciais (gerânio, alecrim e ylang ylang) e sal grosso, para espantar o clima de doença do meu campo energético. O pensamento ora em Jesus, ora na força de auto-cura.  Pensei: ” e se eu usar esse motor de maneira mais organizada? Preciso de determinação para alcançar meus objetivos profissionais, de saúde (cigarro/alimentação/exercícios), afetivos (filhas, mãe, e um namorado em breve, quem sabe?). Eu sei que posso ir muito longe, ainda. E é sobre esse “ainda” que vou tentar falar.

Lendo a coluna do Ivan Martins, da Época, me deparei com dois títulos: “Mulheres Descartáveis” e “Porque as mulheres estão tristes?” da Marta Medeiros.

Aí eu entendi direito.

Completo 35 anos daqui a dois meses. Ainda não amei aquele amor de verdade, que fez os meus pais passarem o resto da vida juntos, aturando mil problemas, sempre juntos.  Moro na casa da minha mãe e não tenho a vida financeira muito saudável. Há apenas dois anos descobri minha verdadeira vocação, num mundo onde juventude é tudo. E a bunda ainda não caiu, mas precisa de atenção, urgente. E o terceiro filho (homem) parido ou adotado? Esse sonho em particular me enrubesce, três filhos nos dias de hoje… Sacanagem com as pobres crianças.

É o limite, galera.

A linha tênue que divide a esperança de se ter “uma vida inteira pela frente” ou a tristeza de “uma vida que poderia ter sido bem melhor”.

Garota alegre ou mulher triste?

Como garota alegre que ainda sou, tenho esperanças de conseguir canalizar toda essa energia que me faz uma pessoa única e encantadora, em prol de uma felicidade construida por mim e para mim, baseada na intensidade do meu sorriso, e não no que a mídia tenta me vender todos os dias. Apesar de não querer, de jeito nenhum, que a minha bunda caia, sei que bunda no alto não faz uma mulher feliz.

A tarefa que considero mais difícil hoje é dar adeus à adolescência. Talvez por ter voltado para a casa da mamãe depois de já ser mamãe eu mesma, talvez pela tranquilidade que  “a vida inteira pela frente + adultos em volta pra segurar as barras mais pesadas” signifique.

Não há mais tempo e nem saúde para dançar a noite inteira, ver o sol nascer na praia, ir pra casa do bonitão e ficar até o próximo amanhecer. Por outro lado, há tempo, saúde e alguma experiência de vida para dar valor às coisas certas.

E, pensando bem, mesmo quando vejo alguma amargura, tristeza ou irritação nas conversas da minha mãe (62 anos), considero que ela também pode, sempre poderá, a despeito de qualquer aniversário, optar por não ser uma mulher triste e decepcionada com as próprias escolhas. Escolhas acontecem a cada momento.

Todo dia é um primeiro dia em potencial.

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Loucura por loucura, inda sou mais as minhas: gente e comida.

Sexta feira eu estava escrevendo sobre o plantão terrível que estava me fazendo rir, ao invés de chorar, pelo ridículo que as pessoas passasm ao se exceder em pitis histéricos infrutíferos. Não deu, tamanho o volume de trabalho.

Sábado e domingo fiz da minha cozinha um laboratório, fui aplicar o que venho aprendendo sobre gastronomia molecular e praticar outras receitas, para alegria e deleite das minhas três amadas (mãe e filhas).  Este prato é uma trilogia de raviolis (massas de pimentão, de beterraba e de espinafre). O recheio era de queijo cremoso, pimenta rosa, ervas e castanhas de caju.

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Com as massas que sobraram depois que o recheio acabou, eu fiz esse talharim:

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Suverti a ordem das coisas e preparei os pratos principais antes das entradas, na verdade uma só: carpaccio de palmito pupunha, com tapenade e spaguetti de beterraba. Peraê!! Que papo é esse de spaguetti de beterraba, Mulherpolvo? São as aplicações de gastronomia molecular que eu falei antes. O que posso dizer é que tem gosto de beterraba. E que o avental que eu usei, o chão e a bancada da minha cozinha ficaram cheios de pinguinhos vermelhos.

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Agora, imaginem que eu estava sozinha em casa, ouvindo muita musica legal, preparando os pratos e fotografando… Daí, depois que eu tinha quatro pratos feitos na minha frente, me lembrei que só tinha euzinha para comê-los…Nesse caso foi bom, porque vocês podem acreditar: sou muito melhor cozinheira que fotógrafa!!!! Sério, essas fotos eu tirei do celular, pois esqueci de comprar pilhas novas para a máquina.

Sim, sim!! Também teve sobremesa!!!  Torta de brigadeiro… Essa eu nem fotografei, tamanha a gula de cortar e levar pro quarto logo. 

Muitas vezes eu escrevo aqui sobre essas coisas corriqueiras por falta de coragem de escrever o “papo reto” de verdade.  Travessuras, quem não as comete? Eu acabei de cometer uma das boas, e, quando a travessura é boa mesmo, de verdade, ela é secreta. Impublicável.  Adoto o meio-termo escrevendo que pequei. Mas omito o pecado…

Comemoro o feriado antecipado do dia do servidor público de plantão.  E que minhas panelas não me escutem, mas eu realmente amo esse estranho ofício de escutar desaforo de médicos, doentes e  familiares de doentes enquanto atendo o telefone, digito cadastros no computador, organizo filas, e me torno mais humana. Muito em breve estarei mais dentro das cozinhas que deste hospital, e sentirei muitas saudades. É que tem gente que é louca. Bem, eu sou louca. Louca por gentes de todo o tipo.

amo muito tudo issooooo!

ROCK’N ROLL DA MELHOR ESPÉCIE!

O MEU DRAMA É UMA COMÉDIA!

Ser intensa, cheia de energia e de novidades muitas vezes atrapalha.

Como disse no post anterior, não conseguia sossegar, relaxar, e fiquei a semana inteira ciscando de um lado pra outro dentro de casa, sem nada fazer. Bem, nada, é sacanagem. Fiz uma coisa ou outra, mas não me entupi de atividades como sempre.

A ansiedade resolveu acampar aqui do meu ladinho, e, como estou sozinha mesmo, já a estou chamando de “querida”. Oh! Como sou carente!!!!

Olho meu rosto, cada dia mais lindinho por conta do dermatologista gato que está o tratando e rio. Não gargalho, mas rio. “Porque você só fica feliz quando vive a intensidade, garota?!”

Será mesmo necessário viver como se fosse tirar o pai da forca ao mesmo tempo que apaga três incêndios? Quero meditar. Preciso respirar. Ao invés disso, me entupo de cigarros e de café. Dizem que é bom pra ansiedade. Pra não acabar com…

Sério. Comida, cama, café, cigarro.

Um rolezinho de bike, numa manhã ensolarada, para produzir endorfinas suficientes para sorrir por vários dias. No meu celular da China já guardei 350 musicas. Som alto, bike, dia belo. Voltei pra casa chorando. Porque? Das trezentas e cinquenta músicas de todos os tempos e ritmos, somente as de amor tocaram durante meu passeio. E escutar “deixa eu dizer que te amo” sem um amor me deixou arrasada. Endorfinas ao contrário.  Oh! Senhor!! se eu desse, ah! Se eu desse muito e muito gostoso, prum cara igualmente gostoso, quem sabe a “querida” não recolheria sua barraca e fosse acampar ao lado de outra?

Duas nights, muita birita e nada de romance.  Acontece vez em quando, e também nas melhores famílias. E é justamente nesse assunto que eu to mais sossegada.  Não tem romance, não faz mal. O que faz mal de verdade é inventar romance onde não há. Qualquer dia desses, um novo bonitão cruza meu caminho. Enquanto isso, vou aprendendo a respirar com calma, a silenciar a mente. Não, ainda não consegui. na verdade, nem tentei.

Planejo a meditação, o fim do cigarro e a próxima dieta ao mesmo tempo que falo ao telefone e devoro umas carolinas de chocolate em forma de coração que fiz para as minhas três amadas (a mãe e as filhas).  Comecei a sossegar ao me lembrar que em dez dias  mais ou menos, estarei toda atarefada novamente, com um novo evento.

Eu to participando de um concurso da Afrodite. Ela quer saber da confissão secreta de cada um. Passem lá pra ver as regras e o prêmio, que é superbacana.

selinho.confissoes

ALIMENTANDO O GREMILIN…COM GUARANÁ EM PÓ!!

Ai, não sei o que me dá!
São tantas emoções, tantos interesses, uma fome que dói!
Mais um pouco e não passo pelas portas, que desassossego, senhor!! Penso querer ler, aprender, me informar. Penso em comprar um jornal lá fora, mas para isso, faz-se necessário trocar de roupa, arrumar os cabelos. Arrumar a casa, varrer. Ah! tenho que fazer o almoço, estender a roupa que está na máquina, dar uma volta de bicicleta e fazer as unhas. Amanhã tem plantão, mas em compensação, hoje não tenho compromisso formal com nada. Tampouco quero ficar entediada assistindo a grade de programação da Sky. Sim, eu coloco aquela tela cinza com os nomes dos programas e fico analizando, clicando nas sinopses, e quando percebo, não assisti nada a não ser nomes!!!
Separo sites, blogs e portais de gastronomia, mas considero esta cadeira desconfortável, de manhã tem uma luz que não me onvida a estar aqui. Depois que tiramos o computador do quarto, não consigo sentar e ler, ou escrever em paz.
As crianças não acordaram ainda. Acendo um cigarro.
Doi8s copos do shake da mulherpolvo para começar o dia. Quero ler, escrever, estudar. Preciso fazer tudo oque preciso fazer. Abro uma nova aba: o jogo da florzinha.
Florzinha filha da puta. Me distrai e me impede de aprender. Eu não tenho o direito de “matar meu tempo”. Preciso, na verdade, de multiplicar meu tempo!!!
To cheia de energia, de ideias. Minhas ideias são tão grandes, tão assustadoras, preciso me libertar delas- materializá-las – ou então é como se me engolissem. As floreszinhas do jogo me hipnotizam, não permitem que eu me levante e vá à luta do tanto que me interessa. A televisão me dá fome. Preciso decomida… Muita comida… Sentir o estômago cheio, ao invés de sentir aquele velho vazio de sempre.
tá, tá bom: não é um vazio. è um cheio.
Cheio de idéias, bolotinhas gelatinosas do Ferran Adriá, acho que sonhei com as bolotinhas depois de ver a foto num site. Ou teria sido no Youtube?
Ontem subverti minha vontade de produzir ( o que quer que fosse) assistindo o E.T. pela décima vez (esse mês).
E acordei com a impressão (certeza absoluta) de estar jogando fora meu tempo, em funçao de medo.

gremiln grande
Medo de dar certo, néam?!
Como quando olho para a roda de um carro em movimento, de tão rápida, parace mesmo que está parada.
O corpo tenso, os ombros como que pendurados num cabide.
Banho, massagem, drenagem, caminhada, pedalada, mergulho, vassoura, música, dança. preciso me mexer e me cansar, expulsar tanta energia, ter direito de ser um pouco vegetal, caramba!!
Rebeca acordada preparando o próprio café na cozinha. E se eu fosse lá. pegasse maisum pedaço daquele doce de limão e lavanda??
NÃO, NEM PENSAR!!!
Respirar… Digitar.
Largar na internet uma pálida noção do que é gerir minha cabeça.
Nem eu aguento ser tão agitada, ter tantas ideias e também tanto medo delas.

Comer, pensar, trabalhar…

Eu parecia mais uma bolinha de pinball. Ô semaninha braba. Do bem e do mal, tudo ao mesmo tempo, como costuma ser tudo na minha vida. Na segunda, um plantão de salto alto, depois de meses trabalhando apenas de saltinhos baixos ou tênis. Entre um doente e outro, pesquisas intermináveis de receitas (também em inglês). Terça, a folga. Descansei do salto alto usando tênis, em pé na cozinha, testando algumas das receitas que pesquisei, cuidando das crianças e da limpeza da casa, já que a faxineira resolveu cooperar faltando. E na quarta, cozinha, vassoura, crianças… Pesquisar, digitar, comprar ingredientes, preparar, comer! Ah!! Disso eu não posso me quixar, comi muito, de tudo.
enlouquecida 2

Eu precisava fazer uns salgadinhos diferentes, para aqueles eventos do Centro Cultural da Light, testei algumas receitas, mas como não achei nenhuma muito bacana, acabei fazendo do meu jeito, e ficou uma delícia!!
Bolinhas de batata baroa recheadas com gorgonzola

Batata baroa, 500g, cozida e reduzida a purê.
Água, 300ml
Farinha de trigo, 300g
Sal, pimenta do reino, que baste
2 colheres de sopa de cebola
2 dentes de alho bem picado
Ramos de alecrim e tomilho
Manteiga (2 colheres de sopa, meio cheias)
ricota 150g
queijo gorgonzola 150g
farinha de rosca para empanar
Óleo pára fritar

Modo de fazer:

Refogar a cebola e o lho na manteiga, sem dourar, acrescentando o purê de batata baroa. Juntar a água e deixar ferver. Bom momento para colocar as ervas bem picadinhas. Juntar a farinha toda de uma vez, mexendo com vontade e disposição, até que fique uma papa dura, desgrudando da panela. Deixar em um prato esfriando, enquanto você amassa a ricota e o gorgonzola com um garfo, e depois mistura tudo com as mãos mesmo. Eu fiz umas bolinhas com esse queijo, para facilitar.
Então eu passei óleo nas mãos, peguei punhados da massa de baroa e envolvi as bolinhas de gorgonzola. A minha massa não ficou muito dura, então eu rolei direto na farinha de rosa, sem passar em leite ou em ovo.
O resultado foi uma casquinha fina e crocante, depois a massa de baroa docinha, molinha como um purê, e depois o gorgonzola. Por que eu coloquei ricota? Porque o gosto do gorgonzola é muito forte, e assim, suavizou um pouco.
Com este mesmo método, preparei massas de milho, de abobora e de batatas. As de milho recheei com queijo coalho, as de abóbora, com carne seca desfiada.
E na quinta, hospital denovo. Muita chuva, engarrafamento, frio, pesquisas na internet e uma volta pra casa traumática. Levei mais de três horas para fazer um trajeto que normalmente faço em 90 minutos. Foi muito, muito cansativo, mas sobrevivi para cozinhar mais e terminar a grande tarefa que me foi confiada. Que grande tarefa foi essa? PREPARAR UM CARDÁPIO PARA UM RESTAURANTE!!! Quando escrevi no último post sobre meu primeiro grande sonho de cozinheira, era disso que eu estava falando. Mas eram três cardápios, na verdade. Dois de almoço: um mais popular e outro mais requintado, e um de café da manhã. Então, na sexta testei receitas de doces, e fiz uns cupcakes divinos (cenoura e gengibre com recheio de maracujá e cobertura de cream cheese de laranja, e chocolate com recheio de chantily de lavanda e cobertura de ganache) para a minha mãe e minhas criancinhas. caqrdápios prontos, enviados por e-mail, e reunião marcada para sábado de tarde. Muito bem!
Mas eu não seria a Mulherpolvo se me desse por satisfeita.
Tratei de transformar aquela forma decadente de lenço na cabeça em Moon-Ra, eu fui curtir um pouco de rua e cerveja, sem me importar com a chuva nem com o frio. Sim, foi uma noite deliciosa, com direito a rever amigos de adolescência e tudo o mais.
Agora, o que eu quero mesmo é ver se a semana de trabalho valeu à pena mesmo, e se o cardápio será aceito.
Se for aceito, eu não poderei ser mais a Mulherpolvo de sempre.
Serei a Mulherpolvo Biônica!!!! Comandando cozinha de restaurante, de eventos, as filhas, a casa, a vida de solteira. E o blog, claro!
Projeto para a semana pós 12 de outrobro: UMA DIETA!!!!
Não tive coragem de subir na balança, mas me sinto bem mais redondinha…

PS: Não coloquei a receita no blog de trabalho pois por enquanto, quero deixá-lo asim mesmo.

Tão acelerada, tão em paz!!!



Tulips of Red, upload feito originalmente por B. Dudley.


De um instante para outro, tudo muda. E nessa onda a gente também vai mudando, ou é o contrário?
Duas pessoas que eu considerava extremamente preciosas saíram da minha vida. Sem dor, sem mágoa.
Melhor ter descoberto agora que estes não são, nunca foram e jamais serão meus amigos, do que descobrir daqui uns anos, não é mesmo?
E outras pessoas estão surgindo…
E coisas vão acontecendo.
Fato: existe gente invejosa. E olho grande… seca pimenteira! Um par de olhos invejosos a menos e…PLIM!!!
Coisas maravilhosas…
Estou aqui escrevendo morrendo de pressa, mas paracomunicar que estou viva, CHEIA DE TRABALHO, de vida, de cor e de alegria!!!
Pedidos de orçamento pipocando de todos os lados. Os momentos que passo sentadinha aqui agora é quase exclusivamente para bolar cardápios, selecionar receitas, preparar listas de compras, cotar preços. Trabalho de cozinheira começa longe da cozinha, dentro da cabeça, daí pro papel, depois pras planilhas de Excel e só depois disso tudo a genten ruma pro fogão propriamente dito.
Sim, sim!! Eu mereço todas as bençãos que estacionam na minha porta essa semana.
O coração bate aos pulos, quase uma escola de samba…E não é nenhum bonitão, dessa vez!
E estou a um curto passo de realizar o meu (primeiro) grande sonho profissional!!! E foi, está sendo tão rápido, tão natural…
Tudo o que andei deixando pra trás, e tudo o que está vindo pela frente… Talvez eu não possa comparecer mais tanto nem aqui no Mulherpolvo, nem no blog de vocês, mas, enfim, saibam todos que por razões mais que maravilhosas!!
E as flores??
Pra vocês!!!