Uma Chris Qualquer…

Mas não qualquer Chris.

Anteontem, na praia, caminhando, vi pessoas jogando frescobol, outras correndo, outras apenas estiradas como num curtume. E olhava. E pensava.

Cada corpo, uma história. Amigos, afetos, mágoas, medos.

O que me difere da outra moça de biquini passeando na praia?

Aquela poderia ser eu…

Quais dores aquele coração suporta?

Talvez as mesmas dores que o meu, ou não, quem sabe?

Sabemos que são dores humanas. Sim, também sabemos que são deste tempo. Uma moçoila do século XIX não estaria de biquini na praia preocupada com a resposta de um e-mail.

Foi quando a mágica aconteceu:

Saí do meu mundo interno. Olhei pros meus dramas como se fossem de um filme, ou da outra garota de biquini andando na praia. Doeu menos, ou parou de doer, não sei ao certo.

Há três anos atrás eu fui transferida de setor neste hospital onde trabalho. E vim parar justo aqui, na recepção da emergência. meus amigos e namorado riram muito. “Você, atendendo o público? Vai dar merda.”

Sim, amigos, sou grossa. Ou melhor, era bem mais grossa, egoísta e patricinha. Era uma menina pra lá de mimada, daquelas que pensa   supõe  que o mundo sempre haverá de estar devendo algo.

E lá fui eu, ser recepcionista de emergência do SUS.

Me deparei com dramas, dores e misérias das mais variadas.  Mas, engraçado! Eu não fui grossa e nem passou pela minha cabeça não escutar aquelas histórias. Antes de completar um mês ali, eu já estava abraçada à esposa de um doente num dia, à mãe de uma menina de 14 anos, grávida e com AIDS em outro.  E essas dores passaram a ser minhas também.

Então, três anos depois, já consigo não me envolver tanto, não me contaminar com a ansiedade alheia e já ensaio aquela cara (nojenta) que toda recepcionista de qualquer hospital precisa ter. Mas se a dor do outro sempre foi minha também, inauguro agora a moda de que a minha dor poderia ser a de qualquer um.

Temos a mania insuportável de mergulhar fundo nos próprios dramas. Eu digo que, se mergulhássemos fundo assim nos dramas dos outros (até porque a vida do outro é bem mais fácil de resolver…) o mundo talvez fosse um lugar melhor. 

Tive uma semana gloriosa. Um momento de cada vez, um pensamento de cada vez. Atenção ao momento presente. Às sensações e sentimentos daquele momento apenas.

Desliguei o turbilhão.

Que delícia!!

“Em tudo o que eu faço/ eu sinto prazer/ de ser quem eu sou/ de estar onde estou/ agora só falta você!” (Rita lee)

Bom finde…

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5 Respostas

  1. Veja como a vida é perfeita : Você teve aquele que precisava para crescer e se melhorar como ser humano. Vc se achava grossa, egoísta , etc e tal…aconteceu comigo também.
    Até que eu trabalhei atendendo ao público e depois fui dar aula. Como eu cresci. Troquei energia. Passei a ser mais paciente, serena e tentei entender o outro.
    Não, não sou nenhuma Madre Tereza de Calcutá, tenho meus momentos de ira, etc e tal…mas pesando, hj percebo que ganho mais sendo paciente e assim como vc, apreciando as boas coisas da vida.
    Grande beijo, ” bruxinha do bem “.

  2. Errata : ” AQUILO QUE PRECISAVA…

  3. Como sempre esses seus posts são pra nos fazer pensar,né?
    Temos que nos encontrar logo pra nos conhecer pessoalmente!
    Vc é uma pesoa apaixonante,Chris(no bom sentido e sem putaria,ok?rsrs…)
    beijo!

  4. É,querida,a gente vê tanta desgraça pela frente, qdo trabalha em hospitais, que mudamos nossa maneira de lidar com o outro e com nós mesmos.Ficamos mais humanos,mais verdadeiros e mais humildes. É uma boa pq deixamos de ser “princesas” coroadas e bobocas para nos tornar Gente. Tb já fui patricinha com o mundo a meus pés:vã ilusão. Hj sou apenas uma mulher que dá muito valor a todo e qualquer sorriso, a um caloroso bom dia. E mais valor ainda ao fato de poder me sentar na areia molhada e olhar o sol refletido no mar.
    Bjs,menina.

  5. Olá gostei muito do seu blog e voltarei.Sei bem como é conviver com as dores alheias,tb trabalho em hospital e no começo sofria muito,mas passa.Tenha uma semana deliciosa,
    beijussssss

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