EU, LACAN E MEUS MARIDOS.

Quarta-feira: ainda penso no meu final de semana e em todas as reflexões que ele me proporcionou.
Para quem não gosta de confissões psicanalíticas, melhor parar por aqui.
Estar com dois ex-maridos, numa boa, bebendo, comendo e conversando, muito legal. Trocar os nomes dos dois o tempo todo, sem conseguir chamar ninguém pelo nome certo, isso sim, foi uma tremenda pala.
O que eu entendi foi que os dois, dentro do meu inconciente, são a mesma pessoa, ou a mesma coisa.
Os dois detém o poder de me completar, numa abordagem lacaniana (!!!), através do falo (pênis).
Eu falei que ia rolar um papo psicanalítico, não falei??
Relembro os sete anos ao lado de Fê, os quatro ao lado de Puro-Osso. O desejo, o absurdo desejo, querer alguém, querer “ser” este alguém, entrar pela pele, pelos poros, dominar, escravizar, tornar um só corpo.
Lendo Lacan e Freud, tudo fica mais simples e engraçado até.
Em Lacan, o falo é afirmado como função significante. Ele é dito como o significante da falta, o significante do desejo do Outro. Lacan esclarece: “uma vez que se trata de um significante, é no lugar do Outro que o sujeito tem acesso a ele.”
E depois a frustração de não conseguir, de forma alguma, “estar no lugar do outro”.
Não gostei da mulher casada que fui, nem com Fê, nem com P.O., nem com o outro marido (não gosto de falar sobre ele, doeu muito, foi muito ruim). Não me sentia desejável, não me sentia linda, nem glamourosa, nem pop-star. Só a esposa. O avental todo sujo de ovo. A que fica em casa esperando, a que ouve as mentiras.
Ah!! Lacan!!
Nesta neurótica tentativa de complitude, me perco.
Porque existem vazios dentro de nós que nunca, nada preencherá!

SE FOI BOM? SE DEU CERTO? PRECISO DIZER??

Coloque a música para tocar, pra dar o tom do frenesi que foi o final de semana.

Deu certo, deu muito certo. Mas também não foi assim tão fácil, não. Começamos, eu e Marcio, as sete da manhã de sexta na cozinha. Mas o evento começava ás seis e meia da tarde, e precisávamos estar lá a partir das 16 horas. Levar fritadeiras, fogão, coisas, coisas, pessoas, pessoas. E pra chegar lá, ás 17 horas (atrasada!) precisei dar umas quatro voltas em torno da Central do Brasil, ônibus, caminhões, e milhares de “putaquepariu, porracaraleooooooo”. Como eu tinha picado muitos gramas de pimenta malagueta esquecendo de lavar as mãos depois, as mãos ardiam muito, quimavam, e eu largava o volante para assoprá-las. Mas estava feliz. Cansada, pés doendo, mas feliz, como um pinto no lixo.
Equipe formada, daqui a quinze dias, tem mais.
E a surpresa, ao chegar em casa, um carro estranho na minha garagem. Um ronco diferente vindo do quarto das crianças. Um homem dormindo com minhas filhas. O que é isso, companheiro? O pai delas veio da Bahia de surpresa, que delícia, um sábado com Puro-Osso (meu segundo ex- marido e atual caso), Fê (meu primeiro ex-marido e pai das minhas filhas) e eu, curtindo cerveja e churrasco, batendo papo e rindo muito. Moderna pra chuchu!!! KKK

La Vie en Rose

O dia nasceu rosa,  até que admirei um pouco, ouvindo Beatles, toda arrumadinha e rebolante.

A semana está sendo boa para mim.

Vou cozinhar para um evento no Centro Cultural Light. Show de Jefferson Gonçalves, entrada franca. Mas não se esqueçam de levar Reais para consumir meus quitutes. Dá pra escutar o som dele no Youtube, eu que não consegui colocar aqui (bloqueado).
Coloquei informações também no meu blog de trabalho, passem lá pra ver.

Pode ir, que vai ser o maior barato!!

Não há condições de continuar a escrever, estou no hospital, único plantão desta semana, um aluguel que nem posso contar. Não consigo ficar em paz sem ninguém me pedir nada. Parece que tenho uns 50 filhos, todos puxando minha saia ” manhê!! O meu exame!”  ” manhê, tá demorando!!”  E por aí vai.
Mas mesmo assim, minha vida está colorida. Cor-de-rosa. Choque.

Cartão Vermelho!!!

O meu amigo Vito Diniz me convidou a psaar cartão vermelho pra dez coisas, situações e pessoas que considero abomináveis.

A minha lista contém também a dele,  afinal concordei com tudo o que ele falou. Mas como é muito fácil, numa segunda feira* chuvosa, falar mal do que quer que seja, vamos lá!!

1- A Igreja Universal do Reino de Deus, como instituição: é óbvio que a igreja sustenta a rede de televisão, praticando a intolerância, pregando o terror e tomando o dinheiro dos mais humildes e frágeis.

2-As bichas enlouquecidas que desenham roupas para modelos de 20Kg, e nos fazem acreditar que não existe salvação acima do manequim 38. Nós, mulheres, somos lindas quando somos felizes e cheias de luz, independente do tamanho do corpo.

3- Os derrotados, que vivem uma vida sem prazer e sem amor, e mesmo assim se acham melhores que o resto da humanidade, julgando e condenando comportamentos e atitudes como se jamais tivesses errado. Também conhecidos como pretenciosos.

4- Os equivocados, que não conseguem ter um olhar sincero sobre si e as situações que protagoniza, e acabam se julgando vítimas de tudo e de todos.

5- Os pedófilos em geral, mas principalmente os pais, que deveriam ter algum amor no coração e respeito pelas crianças. Por todas as crianças.

6- Os políticos, não apenas pela falta de ética e pela ambição desmedida, mas também por fecharem os olhos para os problemas de educação, saúde, moradia e segurança. Como estará o Rio de Janeiro daqui a 20,30 anos? Povo burro, faminto e infeliz. Tenho medo, quando penso nisso. Incluo aqui meio ambiente e poluição.

7- Os profissionais que exercem suas funções sem conciência. Professores, médicos, políticos, funcionários públicos… E também balconistas de loja que tratam mal o cliente.

8- Os invejosos, que esquecem de valorizar suas vitórias e capacidades, jogando energia negativa sobre os outros.

9- Os inflexíveis. Nem preciso explicar, né?!

10- A excessiva sensualização das crianças de hoje em dia. Incluo toda a cultura funk e hip hop, onde tudo o que importa é corpo, roupa, sexo, dinheiro, drogas.

Ufa!!!

Afrodite,

A amiga do cafa,

Lu

Débora

* Segunda chuvosa e fria, mas vitoriosa!! Fechei um evento para essa sexta. Depois eu explico melhor!!

PIPA AVOADA

Para tudo na vida existe uma primeira vez.

E hoje vou falar de algumas que me aconteceram nos últimos tempos.

Era um gatito muito gostoso interessante. E começaram as trocas de olhares. E essas trocas de olhares, cada vez mais cobiçosos, levaram meses. Pela primeira vez ponderei, com calma, sobre a conveniência de ceder ou não a esse desejo. Sim, queridos, eu nunca havia ponderado tanto assim sobre a “conveniência” das coisas. Muito menos de um desejo. Porque eu sempre mimei os meus…

Meses se passaram até que o sujeito me convidasse para sair. Mas, metidinha e ponderada como jamais antes, aceitei, mas para o outro final de semana. E me preparei, viu?!

E desejei ainda mais.

E não deu certo, não rolou. Pela primeira vez, um encontrro cancelado assim, no mesmo dia. Coisas de trabalho, sabe? Duvido que tenha sido, enfim.

Mas aí, eu já estava preparada (mães separadas precisam mobilizar um semi-exército para sair á vontade, sem hora para voltar), e cheia de fogo no coo. Voltar para casa depois do trabalho? Tsc, nem pensar!!

Mobilizei as amigas.

Um programa chato, em Niterói, com as mesmas pessoas de sempre, e á pé, o que significa não poder rodar a cidade toda como eu gosto.

Mandei todos às favas e fui atrás de outra primeira vez.

(pausa para uma musiquinha)

A primeira vez que sentei em um bar e pedi uma cerveja, completamente sozinha. Por mais maluquinha que eu seja, sempre me senti tímida e encabulada de me sentar sozinha em um bar e beber alccólicos. Quando precisava esperar por alguém em um bar, sempre pedia refri ou água. Sério.

Mas eu queria exatamente fazer aquilo. Beber sozinha e conhecer gente diferente, ou não conhecer  ninguém, whatever, era cedo e eu poderia tentar antes de ceder ao convite das amigas.

Fui prum bar bem lotado, e me sentei numa mesa ao lado de uma enorme, cheia de homens bebendo pela despedida de um solteiro. Muito fofo e divertido. Nesse meio tempo, conversei com uma holandesa em visita ao Brasil ( em inglês, afinal falo o idioma muito bem).

Enfim, depois de umas três garrafas (!) recebi um telefonema. Trabalho. Pedido de orçamento. O tipo de telefonema que espero todos os dias, a todo momento, me chega num momento em que estou com a boca mole, num lugar barulhento, numa quinta-feira. Putaquepariuporra caraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaalhoooo.

“Não posso te dar uma base de preços asim, no chute. Amanhã preparo três propostas diferentes e entro em contato com a senhora.”

E fui atrás de fazer outra coisa pela primeira vez.

(que rufem os tambores….)

Entrei numa boate sozinha, para dançar!!!

E adorei. Dancei muito, conheci várias pessoas, meninas, meninos, gente de Niterói e de longe, mas o mais importante: fiz o que eu quis, sem precisar ceder ou convencer. Amei!!

Acordei no dia seguinte com um o olhar rebelde, transgressor, vitorioso.

Mas o meu neurônio “do contra” falou baixinho no meu ouvido:

“Tsc, tsc…Você já está muito velha para ser essa pipa avoada…”

A CIRANDA DAS MULHERES SÁBIAS

Do livro ” A Ciranda Das Mulheres Sábias”, de Clarissa Pinkola Estés.

Preces de gratidão pelas velhas perigosas e suas filhas sábias e indomáveis que alegram a nossa vida. Prece n° 7:

“Por todas as filhas inteligentes, desconhecedoras, sem rumo e pelas que tudo sabem…

Pelas que estão avançando direto ou que perseguem aos trancos… Pelas que estão aprendendo a chorar novamente…Pelas que estão aprendendo a gargalhar…Por todas elas, são importa se estão saudáveis, curadas ou não, não importa de que classe, clã, oceano ou estrela…Por todas as filhas que herdaram amor em abundãncia de antepassadas queridas que já se foram, mas que mesmo assim ainda fazem visitas…

Por todas as filhas que um dia ouviram por acaso o conselho de uma sábia destinado a outros ouvidos, mas essas “palavras certas na hora certa” causaram uma centelha que iluminou seu mundo daquele momento em diante para sempre…

Por todas as filhas que ouviram a sabedoria, não a entenderam, mas a guardaram para o dia em que conseguissem compreender… Pelas filhas que remam sozinhas e cujas antepassadas escolhidas foram por necessidade encontradas em livros queridos, em imagens norteadoras captadas no cinema, na pintura, na escultura, na música e na dança…

Pelas filhas que absorvem o bom senso e as atitudes necessárias trazidas por espíritos de sabedoria, ásperos e evanescentes que aparecem em sonhos noturnos…

Pelas filhas que estão aprendendo a escutara velha sábia da psique, aquela estranha sensação interior de nítida percepção, de audição, noção e ação intuitivas… Pelas filhas que sabem que essa fonte de sabedoria interior é como a panela de mingau dos contos de fadas que, por mágica, nunca se esvazia, por mais que se derrame seu conteúdo…

Por elas…

Abençoada sejam suas belezas, tristezas e buscas; que sempre se lembram que perguntas ficam sem resposta, até que sejam consultados os dois modos de enxergar: o linear e o interior.”

E QUE SEJAMOS SEMPRE: “VELHAS ENQUANTO JOVENS, E JOVENS ENQUANTO VELHAS”

LOUCA, EXCÊNTRICA OU APENAS RACIONAL?

Cheguei em casa sexta à noite e fui lavar minhas mágoas com lágrimas e uma boa ajuda de Maya (a chorona da novela). Estava triste e me sentindo miseravelmente só.

Acordei boa, disposta e bem cedinho. Trabalhar bastante é sempre um bom remédio pros meus males.

Praia de Itaipu. Um bar cravado na pedra. E a Mulherpolvo se oferecendo para trabalhar no final de semana, servindo as mesas que ficam na areia. O sol e os banhistas foram aparecendo. Sobe escada, desce escada.

O trabalho não é pra qualquer um, cansa, requer simpatia e muita, muita disposição.

À beira mar lanchas e traineiras. Água límpida. Ao fundo, as praias de Camboinhas, Piratininga, Copacabana, o  Cristo Redentor e o Pão de Açúcar.

Sorriso escancarado, subindo e descendo aquelas escadas, dando um mergulho no mar de vez em quando. A Mulherpolvo não tem medo de trabalho, mas da falta dele.  Ah! Mas o trabalho é humilde… Não tenho vergonha. Se é honesto e não prejudica ninguém, porque não?

Saí da praia à noite, voei para casa, me arrumei bonitinha e… Voltei pra praia de Itaipu, afinal estava acontecendo um encontro de motoqueiros. Atoron motoqueiros!! E mais ainda aquelas Harleys, Intruders, jaquetas de couro e tudo o mais. Shows de (alguma) qualidade, tocando minhas bandas favoritas (Creedence, Bachman Turner Overdrive, Steppenwolf, Lynyrd Skynyrd, Kiss e muitas outras)

Dancei pra chuchu e só voltei pra casa quando os shows acabaram. Sim, sou louca. Dormi um pouco (umas três horas) e voltei pra praia, pra trabalhar denovo.

Não existe palavra que denote o que é a praia de Itaipu num domingo quente e ensolarado. Muito cheia é eufemismo. Tomei o “elixir de saúde da mulherpolvo” e mandei brasa, sem tempo pra mergulhinho, mas sem parar de sorrir e de trabalhar.

Foi quando os problemas começaram.

Minha pressão baixou, pois estava sem comer. A “patroa”começou a encher a minha paciência.

Peguei minha mochila e fui embora, sem receber, sem me despedir, e pasmem! Sem mandar ela pra lugar nenhum!!!

E saí de lá pensando: loucura por loucura, melhor ter trabalhado meio domingo de graça do que continuar aturando perturbação. Precisar ganhar dinheiro extra é uma coisa. Fazer qualquer coisa por dinheiro é outra completamente diferente, né não?

Escrevo do hospital. Minhas pernas doem como jamais haviam doido antes. Devo ter emagrecido… Eu teria termindao meu dia de trabalho numa boa,  sendo bem tratada e alimentada. Não deu certo, uma pena. Uma nova semana começa, com novas aventuras e um bonzeado bonito na pele.