UMA NOITE NO CANIL*

Já que miséria pouca é bobagem mesmo, resolvi fazer uma noitadinha de leve ontem. Eu estava de plantão, lá no centro do Rio, então seria tudo muito mais fácil. A primeira coisa mais engraçada foi despir o modelito recepcionista do SUS e sair do hospital “deusa soberana toda-poderosa”, com as minhas sandálias da humildade (porque me deixam maravilhosa), deixando meus miguxos médicos e os guardas confusos com a transformação. É que toda gata borralheira merece um momento de cinderela, né não?

as sadálias da humildade

Uma amiga solteira já tinha me contado que ali na Cinelândia tem umas noitadinhas decentes, uma mistura curiosa de happy hour com canil, pista de dança, bufê grátis e birita pra dedéu.

Fui lá ver. Meio envergonhada de estar entrando num canil cheio de mulheres disponíveis de coo piscante, mas estrategicamante guardei minha consciência crítica no armário do hospital, pois lá ela estaria bem segura. E eu preciso, urgentemente, mudar de ares, conhecer outras pessoas, etc.

Um drink cortesia. Mas como assim “hoje não tem mojitos”?? Ah! não tem hortelã…

Vamos de “mojito strawberry”. Não tem interjeição melhor que “putaquepariuporracaraleo” para descrever o tal drink. Tomei três.

Sim amigos, eu sou burra e estúpida.

O DJ era muito ruim. Mas eu to falando MUITO ruim mesmo. Um hip hop rebolante do coo piscante, no mesmo nível das balconistas da SAARA (comércio popular do Rio) que lá exibiam seus modelitos bizarros, com sandálias abertas e pezinhos nojentos. Tudo bem. Mais um drink.

Tinha gatinhos. Tinha gatinhos de terno. Tinha gatinhos de camisa coladinha e corpos saradérrimos. Tinha um de bata, mór lindinho, mas tenho certeza de que era viadinho, aquele cabelo de gel não me enganou.

Sim, sim, tinha um montão de palhaços disfarçados por ali também.

Um lindoso veio falar comigo. Mandou mal pra caramba na idéia. Me assustou e saí correndo pra Niterói, antes das dez da noite, e com essa desculpa paramos, eu e minha comadre, num bar perto da casa dela pra encher os córnos de chopp até as duas da manhã.

Mudar de ares não significa perder a noção, quérida…

To de ressaca. Não to arrependida, pois se não tivesse ido, jamais saberia… De qualquer maneira, me diverti. Mas me diverti muito mais jogando conversa fora em Nit do que naquele inferninho dos infernos.

Agora preciso voltar à vida real e fazer das vassouras guitarras novamante. Minha fada madrinha não deixou a casa limpa e o almoço pronto. Meu personal mudou minha série de exercícios na segunda e minha bunda tá doendo muito, até agora.  Acho que essa dor é pro meu bem… Então não posso dizer para mim mesma: “mexa esse traseiro gordo!!” ” direi apenas: “mexa esse traseiro sarado!!”. Mãos à obra!!

Em tempo: já tomei coca zero, aspirina, targifor, água. To morrendo de ressaca.  Por favor, me lembrem de não beber essas coisas novamente. E me lembrem, da próxima vez que alguém me convidar para sair, de sugerir uma exposição de arte, ou um teatro, ou um chá.

*canil é aquele lugar onde as cachorras se encontram.

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7 Respostas

  1. Macho de verdade não usa bata nem em figuração de novela indiana da globo. Agora….a bunda doendo….hmmmm…Dependendo da quantidade de mojitos e chopps, sei nao.

    []s
    O Carioca

  2. Haha, ótima… me sinto assim às vezes também, não tenho mais muita paciência pra baladas.

    Vou passar por aqui mais vezes.

  3. MulherPolvo!
    Muito legal seu blog! Engraçadíssimo!!!
    Não se você conhece o blog de um amigo meu, também do Rio. Acho que você vai adorar. Se chama Cretino Lover e está na lista de recomendáveis do meu blog.

    Abraço!!!

  4. Puta programa de índio, né? Já caí nessas de querer “ser como a maioria”.. sempre acabava bêbada pra ficar feliz no meio de todo o horror… Aqui em Sampa a balada canil pode ser em qualquer lugar, a cachorrada pode até ser mais ou menos produzida (leia-se com + ou – $$), mas são medonhas no mesmo grau… Por que existe ressaca, meo Deus? Por que? Por que? Por queeeee????

  5. A ressaca nunca vai ser determinante para que eu pare de tentar me divertir com aditivos. hahah

    E, sim, eu já fui em lugares muito mais bizarros e não me arrependo, a vida é isso mesmo… Descobrir, escolher (ou não). Ainda preciso ver muito, ainda nem vi a metade.

    Pés poderosos, hã?

  6. Pezinho delicioso!

    []s
    O Carioca

  7. Que preconceito é esse contra cabelos com gel?
    Eu poderia me revoltar com aquela insinuação ali…
    Só não me revolto, porque se revoltar é coisa de viado!

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