CAMPANHA EM PROL DE FONES DE OUVIDO PARA TODOS

Meus leitores evangélicos que me perdôem, mas eu já estou ficando “porraqui” essa música gospel de vocês!

Tem uma cantora, a Cassiane, que gravou um DVD ao vivo.  O novo guarda lá do meu setor do hospital colocao bendito DVD para tocar durante os nossos plantões. Eu não gosto. Como se não bastasse TUDO o que eu tenho qua aturar lá, agora o meu filme de terror bizarrento tem trilha sonora.

E fica assim:

(Telefone)

“Plantão Geral, bom dia!!!”

“Éeeeeeeee…. É da emergência?

“senhor, esse hospital não possiu emergência… Emergênciaé no Souza Aguiar.”

“Masé que eu faço tratamento de (qquer coisa) aí, e o doutor falou que se eu passase mal, era pra eu ir praí.”

“então venha”

“mas tá atendendo?”

“O senhor será avaliado pelo clínico, não sou eu quem resolve se o senhor será ou não atendido aqui.”

“então não ta atendendo?”

putaquepariuporracaraleomortalcarpadoecomequiu…. ”

(encostada no balcão, uma negona de pelo menos 90Kg, ao seu lado uma jovenzinha franzina e um coroa surdo e mudo)

“minha filha, eu já tirei o sangfue faz uma hora. Meu exame ainda não está pronto?”

“Não minha senhora, a média é de duas horas até ser entregue. Quando chegar, seu nome será chamadoem voz alta.  E me fala, grandona, em qual hospital ou consultório particular você é atendida em poucos minutos e ainda volta pra casa com os examesfeitos, o especialista consultado e os remédiosna bolsa, tudo de grátis?? Dá pra cooperar esperando com paciência o que tá muito bom, em se falando de SUS????

“Tem médico? Quero marcar uma consulta”

“Sim, tem clínico. O que você está sentindo??”

” É que eu to com um furunco. Aqui ó, debaixo do braço.”

” não precisa me mostrar. aquinão se faz drenagem de abcesso, você precisa procurar um posto de saúde.”

“mas eu já fui”

(mentira cabeluda)

“olha moça, você espera o clínico para você conversar com ele.”

(e o mudo)

“mmmmmmmmmmmmmmm”

“CADÊ O SEU CARTÃO DO HOSPITAL E A SUA IDENTIDADE?”

“mmmmmmmmmmmmm”

(fiz gestos mil com as mãos, até que a moça franzina pegou o documento dela e mostrou pra ele).

Tive um segundo para perceber o que se passava à minha volta. Alguns fiéis sentados, cantarolando junto com o DVD, acompanhando a cantora e todas as suas 85 notas musicais.

Terça de manhã. Cinco e meia da manhã, para ser mais precisa. Um ponhto de ônibus, dois ônibus e uma garota cheia de sono, tentando raciocinar:

“Po**, que sono. Se eu for de catacorno, vai demorar mais pra eu chegar ao meu destino. Se eu for de frescão, mais caro, assento reclinável, ar condicionado, pessoas supostamente  mais belas e civilizadas, chegarei mais rápido. Terei menos tempo para dormir. Vou de catacorno”.

Entrei, paguei, sentei. Sentei mal, não tinha nenhum banco vago no escurinho, para mim sobrou embaixo de uma enorme luz fluorescente. Me derramei e fechei os olhos. Comecei a sentir um cheiro… Ai, caramba! perfume forte e ruim. Bem na minha frente. tentei ignorar e fecheios olhos novamente.

E, de repente, lá vem ela. A voz. Da Cassiane. Um ser cruel e sádico, irmão perdido da Nazaré (da novela…) Estava escutando o som do seu celular sem fones. E nem mesmo tinha amanhecido.

E Tocou a primeira, a segunda, a terceira. De vez em quando eu olhava para trás e faziacara feia pro homem, que escutava todo prosa. Deve ter ganho o celular que faz estardalhaço no ônibus do macho dele. E pra que essa senhora grita tanto, e tão alto? Jesus Cristo, o salvador, não é surdo. Um bom cantor sabe que fica muito mais bonito quando equilibramos voz alta e baixa,graves e agudose etc. Vide  Elis Regina e Janis Joplin.

Na quarta música, eu resolvi reclamar.

“Senhor, osenhorgostaria que eu acendesse um cigarro aqui dentro?”

” Não pode. É proibido.”

“Aparelhos sonoros também são proibidos. Quem quer ouvir alguma coisa no rádio precisa usar fones, e o senhorestá me incomodando”

Duas ou trêsoutr5as pessoas falaram “eu também”, e o cara desligou. E eu não dormi nem um único minuto até chegar.

Em tempo: sou espírita, amo Jesus e escuto, aqui na minha casa, música espírita. Que é baixinha, e nos permite relaxar e refletir.”

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UMA NOITE NO CANIL*

Já que miséria pouca é bobagem mesmo, resolvi fazer uma noitadinha de leve ontem. Eu estava de plantão, lá no centro do Rio, então seria tudo muito mais fácil. A primeira coisa mais engraçada foi despir o modelito recepcionista do SUS e sair do hospital “deusa soberana toda-poderosa”, com as minhas sandálias da humildade (porque me deixam maravilhosa), deixando meus miguxos médicos e os guardas confusos com a transformação. É que toda gata borralheira merece um momento de cinderela, né não?

as sadálias da humildade

Uma amiga solteira já tinha me contado que ali na Cinelândia tem umas noitadinhas decentes, uma mistura curiosa de happy hour com canil, pista de dança, bufê grátis e birita pra dedéu.

Fui lá ver. Meio envergonhada de estar entrando num canil cheio de mulheres disponíveis de coo piscante, mas estrategicamante guardei minha consciência crítica no armário do hospital, pois lá ela estaria bem segura. E eu preciso, urgentemente, mudar de ares, conhecer outras pessoas, etc.

Um drink cortesia. Mas como assim “hoje não tem mojitos”?? Ah! não tem hortelã…

Vamos de “mojito strawberry”. Não tem interjeição melhor que “putaquepariuporracaraleo” para descrever o tal drink. Tomei três.

Sim amigos, eu sou burra e estúpida.

O DJ era muito ruim. Mas eu to falando MUITO ruim mesmo. Um hip hop rebolante do coo piscante, no mesmo nível das balconistas da SAARA (comércio popular do Rio) que lá exibiam seus modelitos bizarros, com sandálias abertas e pezinhos nojentos. Tudo bem. Mais um drink.

Tinha gatinhos. Tinha gatinhos de terno. Tinha gatinhos de camisa coladinha e corpos saradérrimos. Tinha um de bata, mór lindinho, mas tenho certeza de que era viadinho, aquele cabelo de gel não me enganou.

Sim, sim, tinha um montão de palhaços disfarçados por ali também.

Um lindoso veio falar comigo. Mandou mal pra caramba na idéia. Me assustou e saí correndo pra Niterói, antes das dez da noite, e com essa desculpa paramos, eu e minha comadre, num bar perto da casa dela pra encher os córnos de chopp até as duas da manhã.

Mudar de ares não significa perder a noção, quérida…

To de ressaca. Não to arrependida, pois se não tivesse ido, jamais saberia… De qualquer maneira, me diverti. Mas me diverti muito mais jogando conversa fora em Nit do que naquele inferninho dos infernos.

Agora preciso voltar à vida real e fazer das vassouras guitarras novamante. Minha fada madrinha não deixou a casa limpa e o almoço pronto. Meu personal mudou minha série de exercícios na segunda e minha bunda tá doendo muito, até agora.  Acho que essa dor é pro meu bem… Então não posso dizer para mim mesma: “mexa esse traseiro gordo!!” ” direi apenas: “mexa esse traseiro sarado!!”. Mãos à obra!!

Em tempo: já tomei coca zero, aspirina, targifor, água. To morrendo de ressaca.  Por favor, me lembrem de não beber essas coisas novamente. E me lembrem, da próxima vez que alguém me convidar para sair, de sugerir uma exposição de arte, ou um teatro, ou um chá.

*canil é aquele lugar onde as cachorras se encontram.

ELA ERA DOMÉSTICA!

E foi na semana passada, no meio das despedidas, que eu voltei pro hospital. Sim, continua sem internet por lá, encheram a minha paciência sim, passei o último e ensolarado sábado por lá e coisa e tal.

Sim, estou solteira, mas tão solteira,  que calcinha e camisolão de malha viraram meu novo uniforme. Pra falar a verdade, to pouco ligando pra isso. Não dá tempo.

Os momentos de prazer nestes dias continua sendo a bicicleta, rolé  na praia de manhãzinha ou de tarde, os dias são tão lindos que permaneço bem-humorada o tempo todo, fazendo das vassouras guitarras, dançando twist com os panos de chão.

Agora é transformar os resíduos da minha irmã em caixas e malas a serem guardadas, até que ela volte.

Posteriormente, pintar o quarto, e demarcar o território com bonecas e bichos de pelúcia. Vai dar um trabalho danado. Mas eu to afim, pô! pretendo que em julho esteja de fato tudo pronto.

E mesmo se não estivesse…

Lazer do finde foi o cinema 3D, o filme “monstros vs aliens”. Adorei e morri de rir.

Durante o outono tudo me faz rir, tudo me deixa feliz.

YOU GONNA FIND YOURSELF SOMEWHERE, SOMEHOW

E a minha irmãzinha, aquela que eu pedi numa cartinha para papai noel nos idos de 1979, entrou por uma portinha onde estava escrito “embarque internacional”. Foi para a Austrália, seguir o prórpio rumo, se tornar mulher. Quando será que nos veremos novamente?

Alê, a gente passou por tanta coisa que deixaria Gilbeto Braga humilhado. A gente foi tão amiga e tão inimiga. Agente riu até entrar em coma, e chorou até desidratar. E a gente deve se orgulhar muito de ter, finalmente, aprendido que irmãos são um enorme exercício de amor e de aceitação do outro tal qual é. Agora mais distantes, sem tempo para picuinhas ou querelas.

Durante essa sua última semana aqui eu fiz de tudo para demonstrar o quanto eu te amo.

Escrevo aqui do teu quarto,  seu cheiro ainda está aqui.

Sei que você e Gabriel serão muito felizes aí. E sua felicidade é também a minha.

Nos momentos de tristeza e solidão faça como na música:

Girl, put your records on, tell me your  favourite song
You go ahead, let your hair down
Sapphire and faded jeans, I hope you get your dreams,
Just go ahead, let your hair down.

Você é amada. Nunca se esqueça disso. Não sei se escrevo ou choro.

Principalmente aí, do outro lado do mundo, que é redondinho. Daí que rola, rola… E a gente se abraça novamente.

DESPEDIDA

Um sábado, uma festa de despedida.

Se foi boa? Sim foi muuuuuuuuuuuuuuuito boa. Porque foi uma festa de despedida não só de uma pessoa, mas a despedida de uma vida que eu sempre conheci.  Bem, no início da festa eu não sabia disso.

Eu nem escrevi aqui, mas desde aqueles dias do banquete que eu estava denovo com Puto-Osso.

Alguma saudade, a reflexão proposta por minha analista sobre essas brigas cheias de mágoa e raiva, que nos levam, quando a raiva acaba, de volta à mesma relação. desta vez, voltamos a namorar, mas cada qual em sua casa. Se não conseguimos viver juntos, nem separados, porque não o meio-termo?

Acontece que eu briguei cheia demágoa e raiva sim, mas o motivo… Bem, o motivo sempre esteve presente em cada término de namoro desde 2007. A falta de companheirismo. O egoísmo.

tenho em Puro-Osso um bom companheiropara um sexo sem igual no mundo. Tenho em Puro-Osso um Companheiro de noitada, de copo e de praia.  Um companheiro para assistir televisão.

Mas não tenho o companheiro que quero e preciso neste momento. Um companehiro para crescer.  E como chegar ao melhor sexo de que já tive notícia, se, ao olhar para ele, não  sinto mais tanto tesão? E foi mais um domingo com mais um adeus.

Troquei o namorado poruma bicicleta. Linda, de alumínio, cinza com azul e cheia de marchas.

O compromisso é pedalar por pelo mesmo quarenta minutos todas as tardes que estou em casa. É o tempo que preciso para sair da minha casa, atravessar toda a exstensãoda praia de piratininga e voltar.

praia-de-piratininga-131

Fazendo uma pequena conta: temos mais ou menos 3Km de praia, mais 2,5 km da minha casa até a praia. Então, são 10km ao todo. E o visual, a bendita luz das tardes de outono. E o veneno do corpo que sai, vira suor e evapora.  E a menina que cresce.

Me parace também, que foi uma festa de despedia das noitadas como eu as conheço.

A menina cresce, os interesses mudam.

Observação: A música é do Basement Jaxxx, chama-se “whwre’s your head at?” e o vídeo não foi gravado na minha casa, mas quando essa música tocou aqui, a festa ficou igualzinha ao vídeo.

UMA TARDE, EM PIRATININGA.

Era pra ser um lanchinho tranquilo, apenas eu,  a mãe, a irmã e as crianças.

Eu precisava compensar o ataquezinho de TPM da tarde.

E lá vou eu, de tardinha,  até o supermarket para comprar delícias cheias de carboidratos e gorduras, além de refrigerante, afinal,  se é pra enfiar o pé na jaca, que seja em grande estilo.

Você  já entrou num supermercado em total e irreversível TPM???

Vira e mexe eu faço isso…

Uma vitrine cheia de croissants, empadas,  pastéis de forno. Uma fila. Eu, a terceira.  O primeiro:

“Porfavor, quatro empadas de frango, seis disso, dez daquilo…”

E eu, pensando que o cara ia traçar aquilo tudo e morrer de azia depois. Para otimizar meu tempo, fui até onde se pega o pão francês. Nada, vazio, vaziinho.

Falei para mim mesma, mas em voz alta: “porracaraleo, o que eu vim fazer aqui?”

Voltei pra fila do pastel,  e a moça que serve as pessoas havia sumido. O coroa na minha frente:

“Passou uma mulher com camisa de posso ajudar por aqui, mas ela não me deu atenção. E eu:

“Essa ajudaria muito pedindo demissão”.

Enfim, fui servida de pastel de forno e de pão francês. Vamos aos embutidos então.

Um rapazinho de máscara de gripe suína no rosto, com crachá de treinamento. Fudeu.

Me dá 150 gramas de chester defuado, por favor?

O cara pesa 250g. Tá bom senhora? Putaquepariuporra caraleo NÃO.  Tá meu filho, tá bom, sim.

Quanto tá o salaminho? Um século para obter resposta. Resolvi intimamente não abrir a boca pra falar mais nada, pois seria inevitável uma grosseria e possível vexame da minha parte.

Quero 100g de salaminho.

O cara pesou 250g denovo, e denovo perguntou se tava bom, através daquela máscara sinistra.

Balancei a cabeça, fazendo que sim e saí correndo pro caixa,  antes de colocar a perder meu plano de não passar vergonha.

Saindo, disputei uma corridinha com uma sujeita que tinha apenas um pacotinho na mão.Cedi a veza ela, afinal,  era só um pacotinho.  Só que a feladaputa pagou com nota de 50 e eu mofei séculos até ela receber o troco. Ah, minhasenhora, você precisava mesmo ceruzar meu caminho? Te rogo uma praga… Durante a espera, reparei na moça do caixa. Feia. Mas feia mesmo, de doer.  Com uma franjinha  incompreensível, aparelho nos dentes e um sorriso medonho.  Calma, calma, rapidinho você se exila dentro do carro…

*********************

Sexta que vem minha irmã, uúnica irmã, se muda pra Austrália. As emoçoões desencontradas, bagunçadas, mas sofridas.  Não sei quando e nem se a verei denovo.  Como a gente briga e se irrita uma com a outra muito,  até que é bom.  Mas eu a amo, é meu bebezinho, minha primeira filha, e ninguémem sã consciência quer viver longe de um ente amado. Torço muito pra que ela seja feliz, e lamento não termos mais tempo juntas para aprendermos, lado a lado, a respeitar as nossas diferenças… Estou chorando desde quarta feira. Se continuar nesseritmo, no dia em que ela for embora,  aeroporto Tom Jobim vai ter que fechar pra pousos e decolagens, devido à inundação de minhas lágrimas.

AQUELAS COISAS QUE NÃO VOLTAM

A palavra proferida, a pedra atirada e a oportunidade perdida. Não é isso?

Você deve se lembrar do pato que cozinhei para minha mãe. Então.

Eu recebi uma encomenda de dois quilos de arroz de pato, e fui lá namoça que cria os bichinhos, para encomendar mais um.  Só que  é em um bar, na entrada de uma  favela.

Oi, dona menina, eu quero mais um pato, dessa vez um de mais ou menos quatro quilos…  É, para amnhã. Então eu busco as quatro da tarde.  Mas ó: dessa vez, por favor, não me mande a cabeça do pato, não, porque eu tenho medo daquela cabeça…

Não preciso nem dizer que o bebum que tava por lá escutou,  e que ficou me zoando, enquanto eu entrava no carro e saia.

Dona menina me entregou o pato sem a cabeça, mas com um palmo de pescoço. E eu limpando, cortando, aquele cheiro… O cheiro do pato grudou na minha mão de uma maneira insana.

Comida pronta, molho pronto. Tomei coragem e liguei pra um dono de restaurante que havia me sondado sobre uma possível consultoria. Não nos conhecíamos. Me ofereci para ir lá, conhecer o cardápio e dar um pouquinho de arroz de pato pra ele provar. E fui.  E entreguei. Vamos ver agora o que acontece…

Não dá pra ficar esperando cair do céu, não é mesmo?