AGORA EU SOU SOLTEIRA

E vou pro show do Cordel do Fogo No RaboEncantado. Fundição Progresso, hoje à noite. Quem tem bom gosto vai…
O roteiro cultural detste finde é vasto e passa pelo CCBB, tem coisas boas por lá.
Eu comprei a revista Claudia deste mês. A coluna da Danuza fala sobre rompimentos. E sobre aqueles manés que levam algo seu, quando arrumam a mudança dles. Puro-Osso levou uma coisa minha. Que eu ainda não paguei. Fiquei com tanta raiva, que muito provavelmente não falarei mais com ele. Mas isso não importa.
Me pergunto porque tantas idas e vindas, porque será que eu não me mantenho firme num ponto de vista? Essas relações que vão e voltam são extremamente neuróticas e doentias. E acreditem, eu não não estou nem um pouco afim de atrelar essses adjetivos à minha pessoa. Enfim. Análise não é só na hora da análise, tem que ser o tempo todo, senão não é ajuda, é muleta.
Oh!!Me sinto tão madura às vezes…
Estou de férias no hospital, portanto estou muito feliz. Mas afora isso, sinto uma coisa tão gostosa, tão alegre…Enfim, estou melhor que nuncaaaaaaaaaaaaaaaa!!!
Quer saber mesmo como eu estou? Eu estou “Sacha” de Manuel Bandreira (meu mega-hiper-ídolo) olha só:

SACHA E O POETA

Quando o poeta aparece,
Sacha levanta os olhos claros,
Onde a surpresa é o sol que vai nascer.
O poeta a seguir
diz coisas incríveis,
Desce ao fogo central da Terra,
Sob na ponta mais alta das nuvens,
Faz gurugutu pif paf,
Dança de velho,
Vira Exu,
Sacha sorri como o primeiro aro-íris.
O poeta estende os braços, Sacha vem com ele.
A serenidade voltou de muito longe
Que se passou do outro lado?
Sacha mediunizada
– Ah-pa-papapá-papá-
Transmite em Morse ao poeta
A última mensagem dos Anjos.

Mas quem seria o meu poeta, no caso? A vida, a minha vida. O outono, que eu amo mais que o verão. Sim, é o outono. Definitivamente.
Bom feriado de dia do trabalhador para todos.

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Ah!! Meus Tempos…

Tive muitos bons anos na minha vida.
Digo bons, no sentido mais popstar da palavra.
Tudo era tão… tão… fácil.
O ano de 1988. Usava meia calça, saia rodada bem comprida, ombreiras (!). Abusava da barriga de fora, que junto à calça de cós alto e o tênis da Redley faziam meu visual trash pros dias de hoje, mas “in” no tempo do The Smiths, do Oingo Boingo, dos Ratos de Porão (!!!), dos Engenheiros do Havaí.
E foi num show destes, num ginásio de escola aqui em Niterói, que aconteceu algo que teve repercussão por anos e anos. Talvez, até hoje.
Eu era piveta. Piveta mesmo, 13 anos. Gostava de sair com as primas mais velhas que eu, porque elas andavam com os caras mais “in” de Icaraí.
Reparem bem no que era “in” naquele momento: ter bicicleta, mais de16 anos, ser surfista ou bodyboarder. Tinha que frequentar as matinês do clube regatas, da Blow Up e as festas jovens do praia clube. Praia? Só em itacoatiara. Tinha que saber beber, de jeito nenhum pagar mico de passar mal numa festa.
Mas eu tava no show dos Engenheiros do Havai. Beijei um gatinho lindinho, mas acabei me perdendo. Acabei beijando um carinha que era da galera da minha prima, o maior gatinho, que acabou se tornando meu primeiro namorado. Engraçado, é que enquanto escrevo essas linhas, me veio a lembrança tão forte… O sentido da minha vida era esperar o gatinho me ligar. A desgraça era ele sumir. A alegria, escrever lindas cartinhas para ele, ou aqueles cartões do Garfield. Ele também me escrevia. Essa minha parada rolou até miles de anos depois, a gente já na facul. Ele foi chifre de todos os meus namorados até meus 20 anos.
Cara, que paixão. As famílias ficaram amigas, sou muito amiga de uma das irmãs dele, mas eu e ele não nos falamos nem nos vemos mais.
Um outro que foi muito bacana foi o de 1991. Eu era muito engraçada, piriquita clássica, tipo uma irmã mais velha das patricinhas de hoje em dia. Precisava uma equipe de CNN para processar tantas fofocas, intrigas, quem estava com quem, essas coisas.
Como eu andava com turma, acabou que quase todo mundo ficou com quase todo mundo. Eu e uma amigona (da onça) vivemos uma disputa braba. Eu namorava um cara (esse já tinha carro). Ela me roubou o namorado. Eu roubei de volta. Depois eu resolvi beijar outras bocas. Ela também. A gente vestia bermuda clochard da Redley, tops da Redley ou Pakalolo, botinhas Nauru com meião. Todas tinham cabelo comprido e franja, e eu não era diferente. A vida social era tão intensa, que acabei repetindo o ano. O som preferido era “your love”, do Outfield. Tinha aquela música “Pump up the jam”, e tinha uma boate enorme chamada Cool Ibiza. Minha vida girava em torno do “social”, e tragédia era brigar com as amigas. Beijava na boca até não poder mais, e tinha tantos rolos ao mesmo tempo, que falava assim: “esse eu amo, aquele eu adoro, aquele outro eu to apaixonada e esse aqui comigo é meu caso” Meu apelido era KIKI e eu já era, oficialmente uma peste. Tenho gravado em VHS o meu aniversário de 17 anos. Bizarro é pouco. Eu era Piriquita MESMO.
Foi mais ou menos nessa época que eu resolvi que tinha que saber sobre alguma coisa mais que as outras pessoas, para ter assunto e mandar bem. Sabe como é, vestibular chegando…Mas isso é papo pra outro dia, conforme for.
O importante mesmo é me lembrar até do cheiro do perfume Tathy, do Boticário. Ou do Giovana baby. Argh!! Mas foram meus cheiros por anos. E como tudo era trágico, mágico, fantástico.
Sinto falta da inocência.
Não lamento nada. faria tudo denovo, se pudesse.

É DANDO QUE SE RECEBE

Fazer o bem sem sabem a quem, lema que alguém me contou certa vez, ainda na década de 90.
Um trabalho vonluntário faz um bem gigante ao coração e à cabeça das pessoas. Muitas vezes, o início é chato, dá preguiça… Mas depois, quando a gente vê que está fazendo diferença para alguém, tudo se torna um prazer.
Minhas alunas de culinária são uma benção. Dez adolescentes, meninas meigas e carinhosas, vinte olhos a brilhar quando eu chego.
E os meus? Merrmão, sábado passado ao me despedir quase chorei, pois só vou vê-las denovo dia 30/05. Não conheço palavras pra descrever o bem estar que eu sinto quando estou com elas, quando elas vão me perguntando coisas e eu vou só falando, o que pra mim é corriqueiro, para elas é uma baita novidade.
Sem brincadeira, eu por mim estaria todos os dias convivendo com elas…
Da mesma maneira, quando eu sou espetacularmente fofa e eficiente no hospital, resolvendo uma coisa cabeluda pra um cliente, me dá uma sensação gostosa, de dever cumprido.
Enfim, ficamos sem empregada e eu to aqui, amarradona, fazendo coisas que eu antes achava um porre. É que eu acabei descobrindo que esta é uma forma maravilhosa de dar carinho aos que eu amo.
Outra coisa curiosa que acontece é que agente se esquece completamente dos próprios problemas, quando se doa aos outros. Alivia o coração e deixa as mágoas no lugar onde elas devem estar: no passado.
A mulherpolvo recomenda a todos um momentinho que seja em doação a outrem.
Vale á pena.

IRMÃ DOR

Quando eu vou nas palestras do grupo espírita, tem uma hora que a gente fica lá, sentado, cantando. Tem uma música que se chama “irmã dor”. Irmã, pois é com ela que crescemos e nos tornamos pessoas melhores. Aqui tem uma explicação melhor.
Cada um é responsável por sua vida, mas por enquanto eu sou responsável por três.
A vida é feita de escolhas. Escolho ter um companheiro, e não outro filho. Um caraque me mereça, que esteja a fim de lutar ao meu lado, e não contra mim.
Volto ao mundo das solteiras responsáveis. Não digo novamente, pois o mundo responsável é novidade pra mim, por enquanto.
Magoada e ferida. Mas não com pena de mim mesma… O sentimento é de orgulho por ter enxergado, por me sentir corajosa,ter noção de todo o meu valor.
E eu, que estava cheia de assuntos maneiros para postar, tive essa surpresa desagradável que no momento ocupa Tico E Teco, meus dois neurônios que sobraram dessa vida desregrada que eu levava.
Mas isso passa. Tudo passa.

TRANSTORNADA, EU?

Esse post é totalmente dedicado à minha nova leitora, a Tati.
Sim, querida, é para você mesma. É que no seu último comentário, você falou sobre ser ou não ser bipolar. E isso mexeu comigo.
Bem, eu era diagnosticada como bipolar. Isso faz uns quatro anos, mais ou menos. Porque eu era uma caixinha de surpresas, porque passava do ótimo ao péssimo em questão de segundos, era encrenqueira e casca grossa.
Ou então eu ficava deprimida, muito deprimida. Na verdade, o primeiro diagnóstico veio em 2001, esperando Rebeca, Rafaela com um ano e meio, morando longe de tudo e de todos, no interior da Bahia. Meu ex-marido arrumou uma amante descarada de 16 anos, e eu tinha 27.
O médico, um homeopata, usava a iridologia para conhecer melhor seus pacientes. No meu exame, ele ficou boquiaberto, pois um lado meu era exatamente o oposto do outro.
Dois polos.
Bipolar.
Casamento desfeito, tudo esquecido, inclusive osmedicamentos. E a vida foi acontecendo, até que em 2006 eu resolvi voltar a me tratar.
Psiquiatra, estabilizador de humor. Todas essas coisas estão escritas no meu blog antigo, que eu nunca linkei aqui, por ter meu nome e uma foto minha. Mas isso é outra história.
Análise desde então, e uma surpresa: minha analista me jurou de pés juntos que eu não sou bipolar droga nenhuma, ora bolas.
Tomei coragem e larguei a medicação e o psiquiatra. Sabe o que aconteceu??
Nada!
Fico de mau humor, as vezes ainda dou um ataque, se a pessoa merecer.
Também fico muito feliz às vezes.
Mas o que mudou mesmo foi a minha percepção de mim mesma, do que depende de mim ou não. Problemas, todos temos. Uns mais e mais cabeludos que outros, mas sempre problemas.
Toda a dor e sofrimento que presencio lá no hospital também foram fundamentais para que meus sentimentos amadurecessem, para entender que ficar dura um mês ou dois não é nada, pois tem gente que abandona a mãe velha e doente no hospital por não ter como pagar por medicamentose fraldas geriátricas.
O que eu quero dizer mesmo é que o transtorno bipolar existe e que muitas pessoas sofrem muito com ele.
Mas precisamos ter muito cuidado para não nos esconder atrás de rótulos, sejam eles quais forem.
Fundamental se investigar, com cuidado e humildade, se conhecer. Como já dizia Sócrates, a condição de principal para tornar-se um sábio: “conhece a ti mesmo”.

DO LAR

Diz a Constituição Brasileira que “a casa é asilo inviolável do ser humano…” Do artigo 5° da CF, esse inciso é um dos que eu mais gosto, pois quando penso nele e me vejo de calcinha ouvindo música alta, ou tomando banho de porta aberta, ou deixando acumular horas de louça suja na pia (pode rir, Isabela).
Faz uma semana que a minha vida se desenvolve dentro de casa. Party nights? esqueça, tem muita roupa pra passar no cesto, melhor acordar cedo. Mesmo me auto-denominando mulherpolvo, tenho preferido dormir e descansar a pele a sair esbanjando o glamour que estou guardando pra uma ocasião especial.
E diz Rebeca: “mamãe, porquenão posso dormir hoje com você e o tio no seu quarto?”
“Pô, Rebeca, a gente vai beber vinho, namorar, essas coisas que não dá pra fazer com você dormindo no quarto com a gente.”
“Porque sim, minha filha.”
Eu me odeio. Como pude ser tão escrota (desculpe o termo) de dar essa resposta pra minha filhotinha? A pior resposta que uma mãe pode dar é “PORQUE SIM”. Não explica nada e endossa o não-questionamento das coisas. Tudo na vida tem um porque, mesmo quando a gente está com preguiça de explicar.
Ontem passou na Globo o filme Click, que me deixouchorando, como a maioria dos filmes de comédia de hoje em dia. Com o que você se distrai tanto a ponto de não ver os filhos crescerem? Uns com o trabalho, como no filme. Outros com outras coisas. E eu, que vire e mexe estou proibindo minhas filhas de crescer mais, fiz, antesdedormir, a promessa solene de não me distrair das coisas mais importantes da minha vida: a minha família.

UM SANTO CHAMADO PURO-OSSO

Uma mulher sabe que é amada quando vê um homem fazendo loucuras por ela, entre outras coisas.
A maior loucura de amor que Puro-Osso faz por mim, quase todos os dias, é acordar ao meu lado, e muitas vezes, no mesmo horário que eu. Coisa de maluco, uma vez que eu acordo confusa e agitada, antes mesmo de meus olhos abrirem eu já pensei em mil coisas que devo fazer, que deveria ter feito e não fiz. Sobra pra ele, coitado.
Sábado, sete e meia da manhã. Durante minhas oito horas de sono minha alma foi trocada pela de um pitbull. Acordei para um novo dia repleto de aventuras domésticas cuspindo marimbondos. Puro-Osso se refugia no banheiro, assustado.
Sentado no vaso sanitário, ergue suas mãos para o céu:
” Meu querido sogro!
Rogo sua ajuda!
Eu não te conheci, mas o senhor, daí de onde está, vê tudo o que se passa. Se minha cunhada é tão parecida com minha sogra, minha mulher só pode mesmo se parecer com o senhor. Que gênio, hein!?
Olha, meu sogro, deve haver alguma maneira dentro da legalidade para lidar com pessoas tão irascíveis como vocês.
Seguirei por aqui ainda tentando entender o que acontece com a louca da sua filhas durante o sono para que ela acorde assim.
Aceitarei qualquer ajudaque o senhor puder me dar neste sentido, amém.”

A prece deve ter sido escutada, pois ao sair do banheiro, eu já estava de posse de minha alma novamente, fazendo cara fofa e pedindo desculpas.
Doze horas depois, num momento de descontração, fiquei sabendo por ele mesmo dessa história.
Existem pessoas muito fáceis de se conviver. Outras, são muito bacanas e divertidas, mas não o tempo todo (o meu caso). São em momentos como esse que eu percebo com clareza microscópica que para viver ao meu lado dia após dia, sem apelar pra violência, é extramamente necessário amar.