OM MANI PADME UM (ou a segurança que a raiva traz)



Small Light, upload feito originalmente por Just Emi.

Essa florzinha sobrevivente, linda e loura num cemitério é quase exatamente como estou me sentindo nestes dias. Lindos dias de sol e praia, de descobertas preciosas. Mas por dentro, dias cinzentos e amargos, porque é tão difícil mudar, mesmo sabendo que a mudança será para melhor?
Se as histórias se repetem, os resultados fatalmente se repetirão. Só voltar a malhar não vai resolver seculares problemas. Trocar de namorado, de endereço, de número de telefone ou de sandália também não vai.
Não consigo mais me enganar.
Dizer não a determinados padrões está sendo difícil, e eu já estou percebendo o porque.
Porque me contento com pouco? Ora, porque no fundo do coração pareço me considerar desmerecedora do melhor. E na verdade, eu não sou desmerecedora, não!!! Se eu fosse, seria mais fácil…
Normalmente as coisas mais eficazes são as mais difíceis, e é claro que não será muito fácil abandonar velhos e ultrapassados padrões. Não consigo mais me identificar com os velhos amigos, com os velhos métodos. Minhas armadilhas não me enganam mais. Não é mais possível continuar como sempre. Mas essas coisas demandam um tempo danado, e não sinto muita segurança em abandonar tudo o que tenho, mesmo sendo velho e feio, por coisas que ainda não tenho, mas só poderei conquistar depois de ter me despojado de tudo.
Sozinha, carente, com medo (ou seria preguiça?).
Uma flor linda e colorida, no meio da velharia, do morto e do ultrapassado. Mas, ainda assim, enraizada, incapaz de sair andando pelas próprias pernas em busca do que realmente valerá a pena.
Não há mais tempo para distrações.
Quero o melhor, porque sei muito bem tudo o que mereço.
PS: Om mani padme um, mantra indiano. Significa: “do lodo nasce a flor de lotus”
**********************
Sobre a raiva: toque filosófico de uma sessão da tarde tranquila, sozinha, em casa. O filme: “grande menina, pequena mulher”. A garotinha (de oito anos) fala para a babá: “é bom estar com raiva das pessoas, porque quando estamos com raiva, não nos decepcionamos com as coisas que nos fazem”. Caraca. Eu sou meio assim.
Todas as vezes que este filme está passando na net eu assisto. E a cada vez aprendo uma coisa diferente.
A raiva nos impede de esperar dos outros. A raiva nos faz mais auto suficientes (junto ou separado?)
Eu sinto raiva de esperar por coisas que vem dos outros. Mesmo quando espero por decepções, porque neste caso eu consigo colocar tudo a perder antes mesmo de a pessoa me sacanear, aí é que fode tudo de uma vez.
No presente momento, já que eu to no lodo mesmo, sentindo medo e desejo, nojo e amor (não to falando de homem apenas, to falando dos projetos, de mim mesma. De passado e de futuro, de abandonar e de adotar, ah! nem sei, falo de tudo.)
Mais um dia no hospital, mais um dia sem paciência com os semelhantes. Onde foi que eu guardei mesmo aquela boa recepcionista, atenciosa e carinhosa, solícita e gente boa? E a garota quem tem a maior garra, que quer fazer bolos e cursos e contatos?
E a guerreira, que não se intimida com nada?
Hoje todas estas estão escondidas atrás de uma coitada, de uma vacilona que não fez o que havia se proposto. É o que tenho dito: nem eu me engano mais!!! Rá!

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Uma resposta

  1. Sensacional este texto. Sou homem, mas sei exatamente como é isso. Concordo com o lance da raiva também.

    Enfim, mudar é preciso. Só essa adrenalina nos faz perceber que estamos realmente vivos.

    bjs

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