VAMOS CELEBRAR A ESTUPIDEZ HUMANA

Hoje é aniversário do golpe militar de 1964.
O nosso Brasil, vendido aos americanos desde os tempos de Getúlio, precisou acatar mais uma ordem em troca do dinheiro que nos levaria ao “progresso” e nos salvaria do comunismo.
A discussão de idéias e opiniões, sob o prisma da sociedade capitalista ocidental, levaria o país à ruína.
Rever a distribuição de renda, lutar por uma sociedade mais justa, alfabetizar e politizar o operário e o lavrador nos atiraria diretamente ao fogo do inferno.
Tantos morreram, tantos sumiram.
As gerações subsequentes ao golpe foram também grandes vítimas. Mudaram o currículo escolar brasileiro, nos fizeram chamar a professora de tia, sucatearam o ensino público.
Nos ensinaram a obedecer cegamente, sem questionar.
Nos ajudaram a amar e a engolir a cultura americana e a esquecer as mazelas da vida em frente à televisão.
Fizeram de nossa sociedade uma massa mais burra e individualista.
Coloco também neles, a culpa pela transformação em circo do Congresso Nacional e do Senado, uma vez que, durante 20 anos, só permaneceram ali os vendidos, os que diziam “amém” à exploração do povo brasileiro.
Muitos pensam que “naquele tempo” não havia roubalheira, mas é mentira. Roubava-se muito, muito mais.
O desafio de hoje é não só consertar todo o mal que foi feito, mas também lutar pela justiça aos perseguidos e também pelo direito à memória.
Já passou da hora de os arquivos serem abertos à sociedade em geral.
E, mesmo 45 anos depois, é imprescindível o julgamento e penalização dos responsáveis pelas mortes, torturas e desaparecimentos, para considerarmos o Brasil um país um pouco mais democrático.

DESGRAÇA POUCA É BOBAGEM.

Sem delongas: bloquearam a internet no hospital.
Agora, só abrem os sites .gov.br.
Legal, né, não?
Hoje eu não li nenhum blog. Nenhum jornal, nada.
Só trabalhei.
Mas valeu, a vida é assim mesmo. Amanhã é noix, Queiroz!!!

DO NOT DISTURB

Um sábado tão branquinho, tão preguiçoso, empadão, locadora, cama que nem foi feita, prole agarrada em mim, celular desligado.
Não amolem.
Uma festa daquelas na sexta, outra no sábado. Eu não vou ir, melhor nem pedir, eu não vou ir não quero ir.
As mesmas festas, com as mesmas pessoas. Queridas todas elas, mas mesmo assim. Não quero.
E quem foi que disse que tem que sair só porque chegou o finde? E desde quando eu sou obrigada a ir no aniversário de uma amiga (que nem é de longa data) ?
Ninguém me convida prum chá, nem pra tomar um açaí. Ninguém me chama pra uma missa, ou pra uma palestra sobre egiptologia. To cansada dessa vida de álcool e pizzas.
Friday night já foi estranha porque, ao ser convidada pra tomar uma cerveja, eu pensei no gosto e fiz careta.
SIM, AMIGOS!! EU FIZ CARETA AO PENSAR NUMA CERVEJA GELADA.
Chamem um médico, ela fez companhia pro gato tomando coca zero mesmo, que lindinha.
Pensei bem na quantidade de vezes que eu fiz o que não quis, por pura inércia. Só porque é carnaval, ou porque é sábado, ou porque sempre é assim.
Fiquei com vergonha. Uma vergonha estranha, misturada com orgulho.
Quando eu penso em liberdade, penso em moto, carro conversível, vento nos cabelos, mochila nas costas, sexo a rodo. Liberdade e arrumar armário nunca entraram na mesma frase até esse finde. Não, eu não arrumei o meu armário, ele é bem organizadinho. Mas eu me senti desesperadamente livre ao desligar os celulares e simplesmente vegetar.
E no domingo, para comemorar essa liberdade toda, eu saí e fui tomar uma cerveja. Rá!

A FIEL ESCUDEIRA

O que qualifica um ser humano que você nunca viu mais gordo a entrar em sua casa e em sua intimidade?
A conviver, muitas vezes sozinho, com seus filhos e outros entes queridos? Saber como vc deixa o quarto e o banheiro, seus bons ou péssimos hábitos, essas coisas?
A empregada doméstica é o item mais polêmico da vida da mulher-mãe-profissional moderna, né não?!
Com ela, sua fiel escudeira, você sai pra trabalhar e tranquilamente deixa ela com as crianças, a fofa limpa e alimenta sua prole, faz penteado, manda pra escola. Ela dorme na sua casa pra você dar um rolezinho com um gato novo. Ela prega novos botões em sua camisa, prepara sucos e vitaminas do jeito que você gosta.
Ela cuida de tudo o que você não pode cuidar e ainda cuida de você um pouquinho.
Ela DEVERIA fazer isso, e nunca te deixar na mão, como boa fiel escudeira.
Mas existe um outro extremo em relação a esses seres.
Ela “arruma” tudo e você não acha mais nada.
Seus filhos estão “escolhendo” o que vai no prato do almoço. E estão ficando mandões e folgados também.
Ela mancha sua camisa preferida.
Ela derrama seu perfume (e porque estava aberto?).
Ela não consegue fazer uma comida descente, uma faxina descente, e anotar uma porra de um recado (VADIA!!!).
Em três meses, ainda não entende como você gosta das coisas. (BURRA E RELAPSA)
E a gente depende dessas porras. E gasta uma nota com salários e desperdícios.
Mas como ser glamourosa, antenada, rica e fofa sem uma empregada pra fazer aquilo que vai te deixar sem tempo pra nada???
Já tive empregadas maravilhosas, minha mãe sempre trabalhou fora, então, já sabe…
Mas de uns tempos pra cá (mais precisamente depois que eu voltei da Bahia com duas crianças, 3 e 1 ano), por mais bacana que algumas tenham sido, todas elas, sem exceção, me deixaram na mão um dia ou três por problemas pessoais, uma simplesmente desapareceu após uma mentira deslavada de que havia sido sequestrada.
Na Bahia, uma era espiã de minha intimidade.
A partir de abril faremos um experiência sem empregada aqui na minha casa.
Estarei 300% mais ocupada, mas acredito que muita coisa vá funcionar melhor, pelo menos no quesito carinho/amor ao se executar as tarefas.
Parece bobagem, mas meu cachorro está fraco e adoentado, minhas plantas, (as que sobreviveram) sem viço. As pessoas, meio sem prazer de curtir a casa, ou a família em casa.
Acredito que doar tempo às tarefas domèsticas seja uma declaração de amor a toda minha família.
Espero que dê certo.
E você? Ama ou odeia sua empregada? Já encarou o lar, a família e o trabalho sem ninguém para ajudar?

A ELETRICIDADE EM FORMA DE GENTE

Sabe quando a gente tá dormindo, e os olhos abrem como se tivessem molas, parace até que alguém te sacudiu? Olho para a janela aberta. Escuro, estrelas no céu. Hum…peraê… Se não me engano, hoje é sexta, e, se não me engano, hoje tem plantão. Olho o relógio: quatro e vinte. Hum… eu devo acordar as quatro e trinta. Relaxa mais um pouco, menina, em dez minutos você vai escutar aquele barulhinho…
É muito comum eu acordar dez minutos antes e ficar esperando o despertador tocar. Mas não pergunte o porque, ok?!
Escolho uma roupa clássica e sexy.
Saia logo abaixo dos joelhos, blusa branca de alcinhas, sandália bem alta. Hoje é sexta feira. Hoje tem greve de ônibus.
O combinado era ir pro ponto, esperar e, se realmente não hovesse nenhum, voltar pra casa, pegar o carro.
“Senhor!! Permita que os ônibus estejam em greve por toda parte, de forma que os doentes não consigam chegar ao meu hospital, amém.”
Só vi um coletivo ao chegar ali na rodoviária Novo Rio.
Eu sempre gostei de trabalhar na sexta feira. Todos estão mais alegres, a vida é mais colorida e o movimento de doentes não é muito grande.
mas hoje está enorme. Em três horas de trabalho, já entraram umas trinta pessoas. Se levarmos em consideração que trinta é, normalmente, o total de uma sexta feira, eu devo estar meio que ferrada.
mas não esquento: hoje é sexta feira, e eu to linda.
O dia também está lindo. Eu já disse que o outono é a minha estação preferida?
O outono é limpo, a luminosidade dos dias me comove, e eu me sinto num eterno videoclip. Durante toda a semana amanheceu com sol, e depois as nuvens foram aparecendo, me impedindo de pegar uma praia.
Hoje o sol ta rachando, nem tem nuvem, mas eu to aqui né?!
Baixei “ensaio sobre a cegueira”, do Saramago, para ler neste plantão. Eu já sabia que o livro é bom, mas a Lu Cordeiro escreveu lá no blog dela que o livro é ótimo, e eu, na falta de inspiração pra escolher o título de hoje, resolvi acatar a dica. Mas não consegui chegar na segunda página. Toda hora chega doente, eu to elétrica (vc já deve ter percebido!) cheia de sorrisos, e mandei beijos para uma pessoa que ligou pra cá pedindo informações. (Essa é a pior parte de trabalhar bem humorada: eu acabo mandando beijos no final de cada ligação. Aliás, sou bem beijoqueira. Mando beijos pra moça do 102, pro cara do banco do Brasil, pra menina do Visa. E todos morrem de vergonha…porisso eu agora mando os beijos e fico com vergonha também).
Entre o post, os doentes e as saidas pra fumar cigarro, dei uma olhadinha no jornal Meia Hora. Sou contra qualquer tipo de preconceito, mas esse joral, não sei não. Deveria se chamar “Meio Cérebro”, e deveria também vir com um dicionário de gírias. A manchete de ontem: “polícia baixa o sarrafo na vagabundagem” ou algo parecido. Mas não é da manchete de ontem que eu quero falar. E da seção “gata da hora”. O que será que se passa pela cabeça das criaturas que vestem um biquini pequenininho e vão lá na praça de Bangu, colocam um pé em cima do banco e outro no chão, olhando pra trás pra bater uma foto. É muito brega e vulgar, meninas!! Eu chamaria essa seção de “Tô com o cu na praça pra negócio” ou ainda “vendo ou troco”. Tsc tsc, muito feio.
E o menino-corno da Inglaterra, hein?
caraca, a menina, com apenas 15 anos, deu pro bairro todo e jurou pro pobre Alfie (nome de corno) que era virgem e que o filho é dele. Só que não é, e o mundo inteiro já sabe disso. Um jovem corno internacional. É bom pra todos saberem que ser corno é apenas uma questão de tempo. Alguma mulher, um dia, em algum lugar, vai te enganar, se já não te enganou. Quanto à garota, Chantelle, essa deveria estar posando pra foto na praça de Bangu. Com o cu pra jogo.

DA VIDA, NINGUÉM SAI VIVO.

Sabe o que eu mais adoro no meu trabalho (no hopital)?? A carga horária.
Eu passo 12 horas lá, de plantão, e ganho, inteiramente grátis, o direito de passar 60 horas ininterruptas em qualquer lugar que não seja o inferno hospital.
Então eu vivo o luxo de poder estar em casa dias de semana. Rola praia, noitada, academia, livro, filme, internet ilimitada…ou trabalho.
Ontem foi churrasco. Tem sempre uma amiga desocupada pra fazer companhia. Ontem tinham duas.
E acendemos a churrasqueira sem ajuda de homem e sem álcool também , o que considerei o maior milagre do dia.
A discussão também foi bastante interessante. Depois do desencarne do amigo sexta passada, essa amiga começou a se perguntar: o que realmente vale a pena na vida?
Se podemos estar mortos daqui a dez ou quinze minutos, pra que perder cinco falando mal de alguém?
Um até amanhã expressa uma esperança de estarmos vivos no dia seguinte, mas a certeza, bem, essa não temos mesmo.
Para que passar dez horas, cinco dias da semana, dentro de um escritório, sem poder ver a luz do sol, se a vida se desenvolve lá fora, na praia, na rua, em tantos lugares?
Bem, minha amiga pediu demissão do escritório e vai procurar uma ocupação remunerada mais compatível com os gostos dela.
Mas precisou morrer um pra isso.
E o filme de domingo (PS: I LOVE YOU) que terminou me avisando:
“A vida é tão sinistra que ninguém sai vivo dela”
IRMÃOS!!!!!! NÃO PERCAM TEMPO!! CONSTRUAM SUAS 24HORAS DE CADA DIA COM O MÁXIMO DE MINUTOS PRAZEROSOS!! TROQUEM DE EMPREGO DE GRADUAÇÃO, DE NAMORADO, DE SEXO SE FOR O CASO, MAS SEJAM SATISFEITOS COM SUAS VIDAS!!!
(Vou interromper a minha pregação aqui pra dizer que a imaginação é arma poderosana luta pelo prazer de estar vivo. Lavar banheiro lembrando os melhores presentes de natal ganhos na infância, por exemplo. Preencher formulários sentindo novamente os arrepios do primeiro amasso no portão de casa, as pernas tremendo, a confusão mental…
Violão, cerveja, amigos. O que mais uma garota pode querer??
Quero aprender a colocar legenda no DVD que baixei no emule. E quero aprender a instalar um software que aumenta o volume do walkman do celular. Sério. Quando eu vejo escrito “tutorial”, dá vontade de tacar o teclado do pc na tela, quebrar tudo, entre outras baixarias. Enfim, se alguém puder ajudar essa garota…

NÃO EXISTE SITUAÇÃO RUIM QUE NÃO POSSA SER PIOR!

No último episódio eu tava saindo de um plantão de morte, e tava chovendo. Até a rendição chegar, a chuva se transformou garoa, e eu fiquei mais tranquila.
Sempre que eu saio do plantão, no caminho entre a Sacadura Cabral e a Rodrigues Alves, eu sinto uma solidão imensa. O lugar é feio, cheio de poças e de construções velhas, galpões abandonados e o viaduto da perimetral, em cima do ponto do ônibus.
E eu pensava.
Esperei na beira da calçada o sinal abrir, eu precisava atravessar.
Passou uma van voada, por cima de uma poça.
Tomei um banho digno de Bridget Jones, xinguei um putaquepariu tão alto que rirar de mim do outro lado da rua.
Eu poderia terpego o catamarã chiquérrimo e um ônibus seletivo.
Mas sem casaco, o ônibus seletivo seria uma tortura, então eu preferi os dois cata-cornos de sempre. A vida é feita de escolhas.
Passou um depois de dez minutos de espera.
Cheio, muito cheio. Nem pensar, em pé, na ponte, chovendo? Só se eu fosse louca e debil mental.
Passou o segundo. Cheio, muito cheio. A vida é feita de escolhas.
Passou o terceiro. Apenas um sujeito em pé. Entrei. A vida é feita de escolhas, e eu escolhi andar de cata-corno, em pé, na ponte rio-niterói, chovendo, as sete e meia da noite.
Burra, muito burra. A vida é feita de scolhas e eu, sem a dignidade, que caiu naquela poça maligna, em pé, de tamanco de salto, engarrafada, pensava no que poderia ainda me acontecer ainda nesta terça-feira negra.
E aqui, no aconchego do meu lar, perto das minhas filhas e descalça, escrevendo isso tudo, me pergunto:
“Será que foi comigo mesma que aconteceu??”
Já passou!!!!