UM DIA DE POLVO

Um lindo dia de sol, final de plantão alto-astral e chegar em casa prontinha pra fazer exatamente o que eu havia me proposto. Mil bolinhos, lindos e saborosos, prontos para ser fotografados.
Acordei pensando em Gatchenho, será que hoje ele chega?
Mas Gatchenho nem chegou, ou, se chegou, não ligou.
Fico pensando que quando ele chegar vou simplesmente arriar os quatro pneus, e depois, logo na sequência, eu penso que homem não é projeto de vida e que tudo pode estar diferente quando ele voltar. (Porque vai ter que voltar algum dia!)
O que não pode estar diferente é a minha vontade de fazer a vida andar.
Quando eu tava voltando pra casa hoje, sentia um frio na barriga indescritível, um medinho gostoso, de os bolos darem certo, de o projeto chocolate dar certo. Um medinho estranho e gostoso de EU dar ainda mais certo (porque por mais que eu queira achar que não, eu to dando certo, sim.), mas parece que não tem mais jeito de eu me sabotar. (Tem sim: cozinhar de cabelo solto!!!)
Saldo:24horas de plantão no hospital, ida ao comércio para comprar material de confeitagem, 30 bolinhosdeliciosas, uma praia no final de tarde com as crianças e um rolezinho para avaliar qual academia do bairro terá a honra de secar minhas gordurinhas

cupcakes

Cupcakes de baunilha recheados com caramelo ou caramelo de nozes, e cobertos com ganache de chocolate com gengibre ou marshmelow. Voilá!

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MAS ISSO EU JÁ SABIA!!!

Escrever blog faz bem à saúde
Ter um bicho de estimaçao também.
E fazer jardinagem.
E cozinhar.
E namorar.
E correr.
E dormir, caraleo… são uma e tal da manhã, eu to aqui, sentadinha na minha recepção desde as sete horas da manhã.
To podrinha, podrinha…Mas se escrever faz bem, eu escrevo este monte de abobrinhas então, né?!
E o fedor que está isso aqui? O hospital fica na beira da Baía de Guanabara, cheio de mosquitos. Aí, a chefia deu uma raquete mata- mosquitos para cada cômodo aqui da emergência. O guarda que trabalha ao meu lado de vez em quando dá uns surtos e sai torrando mosquito, um cheiro de coisa quimada e aquele barulhinho (ploc, ploc). Só que hoje a parada está tão sinistra que o barulho é igual ao do auge da explosão das pipocas no microondas, sabe como é? Minha coluna não consegue mais ficar esticada de jeito nenhum,só estufando a barriga pra apoiá-la na bancada.
Eu tenho um saquinho de passas e um queijo minas lá na geladeira, mas até pra mastigar e espantar o sono eu to com preguiça. Chora, coração.
Uma alma bondosa poderia me dizer que falta pouco, que as sete da manhã eu to indo embora… mas na verdade a minha rendição só chega as sete e meia, e só aí que eu vou tomar um banho e me lançar ao comércio, afinal meus planos culinários para amanhã não serão procrastinados de jeito nenhum.

HIDE IN YOUR SHELL



Ridges, upload feito originalmente por coolhand3011.


<a

Esconda-se em si mesmo…Não sei se consigo explicar direito o poder que esta melodia tem sobre mim.
Meu LP “Live in Paris” era meio que furado nesta faixa. E eu já era uma adolescente inclinada a me esconder.
Mas quem não se esconde?
Gosto de papo psicanalítico, e existe um termo chamado PERSONA, que é a face que mostramos ao outro. A máscara que usamos para nos apresentar à vida. E esssa máscara é sempre bastante diferente da nossa essência.
Oh!! Tão cansada…
(don’t let the tears linger on inside now, cause it’s sure time you gained control)
Engraçado, como sempre fui tão, mas tão autêntica a ponto de incomodar e agora lamento muitas das máscaras que fazem de mim a pessoa que pareço ser.
Ser louca é bastante confortável. Não se contraria um louco. Sendo louca e atacada, consigo muitos “sim”. Mas ganho de brinde um rótulo que limita (e muito) minhas ações.
“I wanna know you…
Well let me know you
I wanna feel you
I wanna touch you
Please let me near you
Can you hear what Im saying?
Well Im hoping, Im dreamin, Im prayin
I know what youre thinkin
See what youre seein
Never ever let yourself go.”
Tudo o que quero agora é que Gatchenho volte, porra, o carnaval já acabou, porque esses malditos telefones não tocam?
Tudo o que quero agora é esperar fazendo bolos decorados, bolinhos, cupcakes de nutella, de gengibre, de chá verde…
Estou no hospital, passei filtro solar pra me proteger das luzes fluorescentes daqui, afinal são 24 horas. Roubaram 90 reais da minha carteira e tudo o que penso é nele voltando, chegando na minha casa cheirosa de bolo, de caramelo, de chocolate. Estar ocupada com o que amo, pra não perder a compostura.
Veja só a diferença: não vou pra um bar me embebedar desta vez. Tenho muitos interesses na minha vida que não vai parar por uma ausência.
A partir de sábado passado, eu só quero o que me faz bem. E o que eu mais quero no momento é juntar meus talentos culinários aos meus talentos artísticos.
Uma Penélope moderna e descolada, esperando, dançando na cozinha com a batedeira ligada e o forno aceso (perigo é ele demorar muito a chegar e ser atirado ao forno!!!).
O mito da espera é feminino.
Estou escondida sim. Mas não atrás de máscaras, estou confortavelmente instalada dentro de minha essência.
Será bom que ele goste da pessoa que eu estou estou (ou estava? Já faz tempo…) gerando e ao mesmo tempo parindo nestes dias, porque não vai dar pra voltar atrás.
Por nada e nem por ninguém.
“Loving is the way to
Help me, help you
– why must we be so cool, oh so cool,?
Oh, were such damn fools…”

PARA VIVER A VIDA QUE VALE A PENA



S h o r t _ L i f e ‘ s _ S t o r y, upload feito originalmente por Bart Plucinski.

“Penso em ficar quieto um pouquinho
Lá no meio do som
Peço salamaleikum, carinho, bênção, axé, shalom
Passo devagarinho o caminho
Que vai de tom a tom
Posso ficar pensando no que é bom”
( Caetano Veloso, Nu com Minha Música)

Sinto falta de arte.
Como toda boa mulher polvo, sei produzir arte. Colagens, bijoux, pinturas, aquarelas, violão.
Som, cor, sentimento. Tudo junto, intensidade.
Mas a intesidade das noitadas tem me asustado.
Aos trinta e poucos, não é muito fácil dormir três, quatro ou menos horas por noite.
O mundo é grande, as possibilidades são infinitas.
Matei a Brithney (minha face pop star) que morava em mim no sábado de carnaval, aos prantos na Lagoa Rodrigo de Freitas.Aproveito para fazer logo uma chacina e matar a Amy (a face mais bagaceira).
Penso em cores, em sensações físicas como a de um mergulho num mar calmo, geladinho, sereno.
Penso em tudo o que eu deveria estar fazendo e não estou. No poder que possuo e não uso, por inércia e bobeira.
Penso nas lágrimas desnecessárias, nas alegrias fugazes e nas amizades fúteis.
Aproveito para pensar também que a serenidade mora numa mente serena, que que a paz vem de dentro de nós.
e que, como neta foto, as coisas vão acontecendo como devem acontecer, e que não nos cabe alterar a ordem das coisas.
O universo é caótico, mas por ser mais velho que eu, preciso achar que ele está certo. E que não adiante nadar contra a corrente. Desgasta e dá rugas.

UMA QUESTÃO DE MARRA

Eu nem tava animada pra carnaval.
Tava interessada mesmo em esperar a folia de momoacabar pra começar a fazer meus bolos, mini bolos e etc bolos parafotografar um belo portifólio. Ah!!!! Também estava interessada em Gatchenho, com suas mordidas e eternas polêmicas.
Depois de tudo o que se passou entre sábado e quarta feira, tivemos uma bela trégua na quinta, que não caberia aqui.
Acontece que a sexta raiou, carnaval, quem fica, quem viaja, e quando.
Eu catei minhas sainhas e fui toda toda pra Lapa, começar o carnaval logo e me certificar que estaria com um pé na folia quando gatchenho me ligasse.
E foi o que aconteceu.
Uma friday night ao telefone.
To em Copa. E eu no Leblon. Já te encontro.
To na Fosfobox (fazendo o que, numa boate GLS, em pleno carná?). To na Lapa.
Até as cinco da manhã, quando meu digníssimo Gatchenho foi pra casa e eu pra Santa Teresa, vender cerveja no bloco Ceu na Terra, sem dormir e sem beijar.
Meu querido foi viajar. Ia domingo, ia sábado, não ia. E telefonava, o bichinho.
Desmontei de sono e de paixão, lá na Lagoa, às três da tarde.
ME DECLAREI. SIm, queridos, eu falei mermo, não aguentava mais, e mandei um “escutaqui, caraleo!”
Acabou a bateria do celular, e já não era sem tempo, né não?!
Até eu chegar em casa e colocar o dito cujo na tomada, consegui me acalmar, etc, etc.
Mas ó, que surpresa!!!
Falecido mandou mensagem.
Ah!! mas isso não fica assim, não, senhor!
Enquanto eu ligava pra mandar outro escutaqui pro falecido, chamada em espera.
E não era Gatchenho?
Sim, coração, estou em casa e vou dormir imediatamente, que amanhã o plantão é de 24 horas, e o que me resta nesta vida é trabalhar.
Desliguei a porra toda e fui dormir.
ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ
Acordei as dez pras cinco. O número de gatchenho te ligou sete septilhões de vezes.
O de falecido, um trilhão.
Enfim, trabalhei pra chuchu e não conseguifalar com a razão do meu afeto antes de ele ir pra gandaia. peço à Deus que ele beije muito, que use camisinha sempre e que não encontre sobre a face da terra mulher mais gostosa que eu. E que volte urrando de saudades.
Tive ainda estômago pra encontar Falecido, ter mais uma conversa definitiva.
Um bom exemplo, este defunto.
Ele foi tão, mas tão marrento, que acabou perdendo. Sente dores de estõmago em cima de uma montanha de marra. E perdeu a chance de viver com a gata que faz dele um homem feliz. (EU, NO CASO).
Como o que não tem remédio remediado está, vou fazer meus plantões de carnaval e muito bolo esta semana. Resolvi, em pleno sábado de carnaval, dar um tempo na birita.
A gente bebe e fala muita abobrinha, e depois ainda tem que passar pela vergonha de dizer que não era nada disso, que estava doidona e etc.
Dia 2 de março chega trazendo o ano de 2009.
Ó: vou malhar. Não tem mais pra onde correr.
Ah! Tem sim… Pra esteira, baranga!

SOBRE LUTAS (IN)GLORIAS

Nunca acreditei muito no amor. Digo o amor real. Sempre me pareceu coisa de filme, ou de conto de fadas. O amor real que eu presenciei durante a minha infância tinha um homem e uma mulher apaixonados, mas sempre um mandando, outro odebecendo (adivinha quem mandava?). Tinha sempre um zoando, outra chorando. Sempre me pareceu injusto para a mulher, o amor.
Casei pela primeira vez, acreditando nos chifres e nas lágrimas, acreditando na luta pelo poder na relação.
Mais fácil acreditar no sexo. No tesão, porque este não mente. Mas homens não querem ser apenas parquinho de diversões. Eles cansam porque querem ser amados como por uma mãe, e querem a posse da mulher, feito homens comuns, como disse a amiga do 3xtrinta
A percepção hoje está mais aguçada, mas as neuras estão rondando, latentes. Com o último casamento aprendi a ser mãe, a dar apoio e carinho, esquecendo de mim. Não deu certo, claro. Eu queria ser mulher, apenas. Eu queria sexo frenético e diário. Eu queria (ainda quero)
aquelas loucuras de filme, muros pichados, lindas surpresas românticas.
Sou partidária da intensidade, da paixão arrebatadora que nos deixa sem comer e sem dormir. Que nos faz ir à pé até Aparecida do Norte. Que nos faz acreditar que o amor é uma coisa possível.

EM CASO DE DÚVIDA…

Umas das coisas mais cruciais na educação de um filho é ensiná-lo a escutar um não.
A vida nos dá muitos “nãos”:
Não podemos ir à praia todos os dias, porque tem dias de aula, de trabalho e de chuva, para exemplificar.
Eu admito que sou mandona, que gosto de ouvir “sim” de tudo e de todos grande parte das vezes. Mas já tenho idade e maturidade o suficiente pra aceitar com bom humor os reveses.
Quando Gatchenho começou a morder meu pé dentro daquela banheira, eu fiquei amarradona. Mas gatchenho só quer ouvir “sim”, e me dá tantos “nãos”.
Não consegui, em três semanas, uma noite pra asssistir DVD na cama. Saímos e bebemos em todas as vezes que ficamos juntos. Aí, eu fico cansada, com sono e de ressaca.
Uma coisa só é boa quando é boa para todos. Estar com ele é uma delícia, mas vira um pesadelo quando meu trabalho fica em segundo plano, quando minhas filhas ficam com saudades de me ter inteirinha só para elas, quando eu estou mal dormida vendo meu quarto igual a uma praça de guerra, pois não encontro nem tempo, nem disposição para arrumar.
Não sou calma, não consigo ainda ir com calma. Fiquei amarradona no Gatchenho e deixei tudo o mais ir pro inferno. Errei.
Para que tentar administrar isso?
Será que vale a pena lutar?