TÁ PASSANDO MAL? COMPRA UM FERRO NOVO!!

Uma das coisas melhores de escrever aqui é poder narrar minhas aventuras de recepcionista de emergência. E só mesmo um plantão “daqueles” para me fazer vir escrever…

Milhares de razões existem para que eu não esteja comparecendo ao meu blog e ao de vocês todos, amigos queridos e leitores pacientes. O casamento, a quantidade enorme de trabalho e a falta de assunto. E a falta de paz para escrever. Mas esses são outros assuntos. Eu estava falando do hospital.

Já são quatro anos e meio. Entre 60 e 100 pacientes por dia de plantão, dez plantões por mês. Tem gente que não passa uma semana sem vir, por doença real ou imaginária. Outras pessoas, apesar de nem tão assíduas, tornam-se inesquecíveis. Uma delas é a dona Circe.

Deve ter seus 60 anos, por aí. Atarracada, mal-tratada e sempre sozinha. Não sabe, de maneira nenhuma, conversar. Fala somente aos gritos, sem a mínima cortesia. E foi por essa peculiaridade que eu jamais a esqueci. Grossa pracaraleo.

E hoje dona Circe deu o ar da graça por aqui.

“Quero ver o médico”, disse gritando.

Peguei o documento, fiz uma ficha de atendimento e pedi que aguardasse. Enquanto ia pedindo às pessoas que entrassem para a consulta, escutava o grito ” você fez minha ficha?” e eu ignorava. Enfim, chegou o momento da dileta cavalgadura entrar. Peguei um cigarro e me diriagia à porta, quando sai a doida gritando, berrando, e para na minha frente, reclamando (aos berros) que o médico não quer interná-la. Eu olhei com a cara mais sonsa que eu tenho e falei: “Se quer conversar, fale baixo. Não vou ficar escutando seus gritos, senhora”. Nem dei tempo para a mulher pensar, primeiro porque ela é doida e não raciocina direito. Segundo porque não sou recepcionista de hospício. Fui fazer xixi, que prender faz mal.

Na volta, inda escutei do médico que eu não deveria ter deixado a mulher entrar. Aí, quem ficou maluca fui eu. O SUS é para todos e eu não sou médica. Maluco também adoece, e não posso vetar atendimento, pois este é universal. Onde já se viu??

E Dona Circe ainda voltou, para gritar mais impropérios. Ok, ganho dinheiro para aturar isso. E também ganho assunto para postar.

Uma coisa que eu acho muito engraçada é que, quanto menor a minha paciência, maior fica minha simpatia. É que, na impossibilidade de mandar todos irem  para o inferno, sorrio.

Sorrio pensando em palavrões e respostas sarcásticas. Tem também a técnica infalível do calabouço. E essa, qualquer um pode tentar. É simples: é só fazer de conta que sob seu interlocutor tem um alçapão. E que você pode, a qualquer momento, apertar um botãozinho… A portinha abre, o coleguinha cai. E a gente fica imaginando o amiguinho caindo, indefinidamente, enquanto sua voz vai ficando cada vez mais longínqua.

Com tantos recursos da imaginação, trabalhar fica fácil e divertido.

PS: num outro momento falo da ausência e do casamento, que eu sei que tem gente doida pra saber!!

Quem você deixaria numa ilha deserta???

Pense num canto de passarinho muito, mas muito irritante.

Agora, pense no meu pé de amora, do ladinho da janela do meu quarto, produzindo que é uma beleza.  E Passarinhos, muitos passarinhos em cima dela. Uns soltos, outros engaiolados pelo meu vizinho.

E todos eles cantando antes mesmo do amanhecer. Todos os dias. To endoidando.

Já não gosto de gaiola, acho a maior sacanagem. Mas na verdade, quando enchi meu quintal de árvores frutíferas, eu não fazia ideia de que ia atrair tanta cantoria, bem na hora que a gente quer dormir, dormir e dormir.

Acho que vou arranjar um gato.

E a casa que faz fronteira com a minha ao sul, então?? Tem videokê. Quase todos os dias.

O requinte de crueldade é um ensaio de banda de axé (que toca rebolation-tion),das 18 às 22, justo naquele momento que a gente chega do trabalho exausta e só quer um sossego. E o rebolation-tion… bem alto. Fecho todas as janelas, morro de calor e asfixio as meninas com a fumaça do meu cigarro. E fico nervosa. Muito nervosa.

Nos feriados, a parentada deles vem pra cá e faz mais barulho ainda. Lá, tem piscina.

Enquanto isso, outdoors convidam os niteroienses a ir morar na ensolarada Região Oceânica….

Mulherpolvo, de Bizet. Em breve no municipal.

Minhas mazelas são uma comédia.

Mas eu as levo a sério, solene como em uma brincadeira de criança.

Mas qual é oseu problema, minha filha??

Ah!! Eu sou tão apaixonada pelo meu marido!!!!!!!!!

Tá vendo? Comédia!!

Me chateio ao ver a estupidez de dar ao outro tanto poder. O poder de me deixar emburrada por dois dias. Ê ê.

E, enquanto eu era a recepcionista que não sorria para ninguém durante as horas de trabalho, um diálogo acontecia no meu lar:

(Entra Puro-Osso com uma planta… Sai e volta com um vinho e uma tabua de queijo)

(minha mãe pergunta:)

“Cês tão fazendo aniversário de casamento?”

“Não, sogra, é limpeza de barra mesmo”

“Hum.Isso explica a vozinha dela ao telefone…. Filho duma #%#@%&$%”

“Que nada, sogra, são apenas pequenos reveses da vida”

Bebi o vinho, comi o queijo e dei pro homem. U-hu.

Fim da ópera. Esse cara sabe desemburrar uma mulher.

E O PIOR É QUE DEPENDE DO PONTO DE VISTA!!!!!!!!

Três horas da manhã.Falar do novo remédio para emagrecer que espero desesperadamente via PAC, da frustração sexual ou das sInapses cerebrais truncadas de sempre??

Uma moça prolixa, sem mancada, uma mulher não deve vacilar…

Christine, 35 anos. Coeficiente imaginativo: 100%.

E nem assim consegue entender!!!!!!!!!!!!!!!

Loka, fia.

Mutcho loka.

Ou muito inteligente??

Bendita liguagem, que me dá a opção de ser culta e burra, nas mesmas questões!!!!!!

Tava com saudade?? Tá rindo??

Nos dos outros é refresco, néah????!!!!

KKKKKKKKKKKKKKKK

Bóra rir então!!!!!!

hibernante

Primeiro, parecia que nada estava acontecendo em minha vida. Depois, eu mesma não me reconhecia mais como a Mulherpolvo, quieta, calminha, assistindo History Channel dia após dia.

E da calma nasceu a ansiedade.

Mas não pensem que foi uma boa ansiedade, não!! (Ansiedade é boa desde quando??)

Os pensamentos não conseguiam tomar forma. As conclusões não apareciam. Enquanto isso, eu assistia televisão e engordava, quieta.

Sem internet no hospital, minha vida cibernética sofreu um baque. Onde mais eu teria tempo para me concentrar??

Tem muita coisa estranha no meio disso tudo.  Sem escrever, me sinto perdida, e é fácil escutar” não sei” no início ou no fibnal das minhas frases atuais. Os pensamentos estão desorganizados, assim como minhas gavetas e armários.

Muito timidamente vou tentando voltar ao normal.

Preciso de disposição e de organização. Todos precisam.

E quem falou que paz tem a ver com chatisse ou com falta de assunto??

Percebo que o primeiro passo em prol dessa organização é voltar a escrever, e é assim que começarei. Aos amigos que abandonei, peço desculpas e aviso: estou voltando, para quem ainda tiver paciência comigo!!!

SOU AVÓ NOVAMENTE!!!

Este é Miles.

AMOR: SUBSTANTIVO CONCRETO

Dia de são joão é feriado em Niterói.e é sempre bom, mesmo sendo um feriadinho municipal. mas para falar do feriado, eu opreciso também falar de sua véspera,  dia de plantão. Foi um plantão pra lá de hilário, e vou explicar porque.

Comecei a fazer drenagem linfatica. Além de gorducha, me sinto inchada. Comprei um sapato número 38 e, no dia de calçar, o pisante estava enorme no pé, nem dava para usar. Pés inchados… Bem, eu fiz a massagem e recebi conselhos de vestir cinta, aquele colanzinho que a gente usa quando ganha neném.  E fui pro palntão, de colant por baixo da calça jeans, levando uma garrafa de sopa extremamente diurática para passar o dia bebendo. E resolvi trabalhar direito, ser útil, carinhosa e prestativa, pois trabalhar sem amor não dá, não dá mesmo.

Mas você sabe que o pessoal aluga, e aluga mais ainda quando vêuma recepcionista que não diz NÃO.  E a vontade de fazer xixi era eterna. E eu desabotoava aquela geringonça apertada num banheirinho minúsculo, rapidinho, para poder voltar ao lerê. Foi difícil. anotei no caderninho: trabalhar de cinta, never more!! E Puro-Osso me ligou.

Meu querido tem mania de ligar pro hospital disfarçando a voz, passando trote.Neste dia ele fez a voz do Fred Mercury prateado…

Planos para a noite?? Cordas novas na viola e umas cervejas…. Que tal??

Passei o dia inteiro tomando sopa insossa, apertada na roupa e na bexiga, para terminar o dia enchendo os córnos de cerveja…

Ás vezes penso que meu gato só toca violão direito se eu estiver cantando. E que minha voz só fica bonita de verdade quando ele a acompanha ao violão.

E amanheceu o dia de são joão. Fogos e um sol lindo. Impossível ficar na cama num feriado lindo daqueles…

A gente ressaqueado,  pouco dormido. Crianças sem aula, adultos sem trabalho.

Churrasco na piscina da sogra, e uma bela reunião: P.O., seu irmão e eu, minhas filhas, a filha de P.O.  e a sobrinha.

As mocinhas (13 anos) falando sem parar sobre as coisas de mocinha. As menores demonstrando na piscina os progressos das aulas de natação. Todos muito felizes, comendo churrasco.

Mas meu cunhado precisava sair, para sei lá, comprar cigarros ou algo parecido.

E, mais alguns minutos depois, o telefone.

E vejo meu amado sair correndo, descalço e molhado. Isso só poderia ter um significado: tombo de moto. Assim como eu percebi, támbám a filha e a mãedo acidentado perceberam. E eu, no deixa disso.

É chato e triste precisar acalmar corações que sabem que não haverá calma nem tão cedo.

E o nosso feriado de sol começou a azedar.

Um tombo muito, muito feio.

Capacete salva vidas, não devemos nunca deixar de usar.

Um buraco, tipo um rombo, na carne das costa do cunhadão. daqueles que dá para ver os ossos, sabe?!

P.O. tem sérios problemas com sangue. Não pode ver. Mas precisou acompanhar o irmão dentro da ambulância, acalmando e consolando, até chegar ao pronto -socorro.  E eu, com minha sogra, entre copos de água com açúcar e chás de erva cidreira.  Precisei correr ao hospital também, para amparar meu querido, quepela voz, estava a ponto de desmaiar.

E, de repente, toda uma corrente de pessoas que se amam e se importam estava formada. O cunhadão voltou para casa no mesmo dia, todo costurado. O mal estar de P.O. custou muito a passar, pois, depois de tanta aflição e estresse, vieram o desmaio e as lágrimas.

Não, nunca mais direi que amor é substantivo abstrato. É concreto, é real. Tem peso, tem altura e forma. É quente como o sol.